Pandemia

Corrida contra o tempo por mais respiradores e leitos

Com 20 vagas em UTIs e 105 ventiladores pulmonares disponíveis, prefeituras tentam ampliar estrutura antes do pico do coronavírus

10 de Abril de 2020 - 09h01 Corrigir A + A -

Por: Vinicius Peraça
vinicius.peraca@diariopopular.com.br 

Prefeitura de Pelotas investiu R$ 225 mil na compra de cinco equipamentos essenciais no tratamento de pessoas com problemas respiratórios graves (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Prefeitura de Pelotas investiu R$ 225 mil na compra de cinco equipamentos essenciais no tratamento de pessoas com problemas respiratórios graves (Foto: Rodrigo Chagas - Ascom)

Não é uma informação alentadora. Para uma população de 885 mil pessoas nos 23 municípios da Zona Sul do Estado, atualmente existem apenas 20 vagas de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI), 177 leitos de enfermaria e 105 aparelhos respiradores destinados ao atendimento de pessoas com Covid-19. Números que, em caso de agravamento do contágio pelo vírus, são capazes de tornar esta estrutura extremamente concorrida. E insuficiente.

Os dados, com base em levantamento da Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) a pedido do Diário Popular, referem-se apenas à estrutura pública destinada ao combate ao coronavírus. Não contabilizam a rede privada nem leitos e equipamentos compartilhados com tratamento de outras complicações.

Através destes dados, é possível perceber que cabe basicamente a Pelotas e Rio Grande a absorção da demanda regional. As duas cidades, juntas, concentram 63% dos leitos de enfermaria e 77% dos respiradores. E são as únicas com UTIs. Ou seja, em se confirmando as projeções do Ministério da Saúde de pico de infecções entre o final de abril e o começo de maio, o atendimento nesses municípios deve ser posto à prova.

Há algumas semanas, para reforçar a necessidade de isolamento social, a prefeitura de Pelotas divulgou cálculo como alerta à possibilidade de sobrecarga do sistema de saúde. O cenário indica que, se 10% da população for infectada pelo vírus e, dentre estes, somente 5% sofrerem complicações, não haverá vagas o bastante nos hospitais.

Usando este mesmo raciocínio, porém cruzando dados populacionais dos 23 municípios da região e a retaguarda atual ao coronavírus, o cenário seria de um leito de isolamento para cada 25 pessoas que viessem a precisar. Ou um respirador para cada 42 pacientes com problemas respiratórios. E, pior: uma vaga em UTI para cada 221 infectados em situação mais grave.

Ampliação contínua

A exemplo de todos os gestores de saúde no país, a secretária de Pelotas, Roberta Paganini Ribeiro, não esconde a preocupação com um possível avanço do vírus. No entanto, diz estar otimista diante do baixo número de casos na região até o momento. Segundo ela, se os cuidados de isolamento social continuarem e não houver surto de transmissão local, será possível enfrentar o período crítico de casos.

"Estamos nos organizando para que no final de abril tenhamos uma rede maior para dar conta se o pico se confirmar por aqui", explica. O objetivo, diz a secretária, é adiar o ápice da disseminação em Pelotas e se valer também de equipamentos de outras localidades. "O Ministério afirma que leitos, respiradores e outros equipamentos vão andar pelo Brasil conforme a necessidade. Se achatarmos a curva (de contágio), e mais adiante precisarmos de reforço, essa pode ser uma opção", completa.

Diferença de números

Embora ambas tenham praticamente a mesma quantidade de UTIs em operação, chama atenção no levantamento da Azonasul a quantidade muito maior de leitos de enfermaria e respiradores que Rio Grande possui em comparação a Pelotas.

O secretário de Saúde, Maicon Lemos, afirma que os dados não incluem estrutura comum a outras doenças, sendo exclusiva para Covid-19. "Desde que o Estado começou a montar seu plano de contingência e pediu todo esforço para provermos contra o coronavírus, passamos a estruturar. Sabemos que, com a testagem limitada, não temos o número real de casos. Vamos ampliar mais nos próximos dias." Entre enfermagem e UTI, o município estima chegar a 200 leitos nas próximas semanas.

Perguntada sobre a diferença entre as duas cidades, Roberta Ribeiro ressaltou que Pelotas contabiliza somente novas estruturas criadas para o coronavírus, sem levar em conta ou adaptar UTIs ou leitos preexistentes. "Continuamos com as UTIs que sempre tivemos para as outras demandas. São 57 que não estou contando, só os exclusivos. Na enfermaria também. Todos são novos, só para Covid-19, com todo sistema de segurança e de isolamento dos demais", explica.

QUADRO PERA?A

Projeção para a próxima semana em Pelotas

7 novos leitos de UTI SUS
6 novos leitos de UTI privados
Total com já existentes: 22
(Em 30 dias, promessa é chegar a 57, incluindo públicos e privados)

65 novos leitos de enfermaria SUS
10 novos leitos de enfermaria privados
Total com já existentes: 92
(Em 30 dias, promessa é chegar a 258, incluindo públicos e privados)

Número de respiradores será o mesmo de UTIs, 57


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