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Conselho Regional de Veterinária lança campanha sobre Leishmaniose

Casos recentes da doença levam a entidade a fazer o alerta para o Rio Grande do Sul

20 de Janeiro de 2020 - 09h52 Corrigir A + A -
Cartazes estão sendo divulgados pelo CRMV-RS para chamar a atenção da comunidade (Foto: Divulgação - DP)

Cartazes estão sendo divulgados pelo CRMV-RS para chamar a atenção da comunidade (Foto: Divulgação - DP)

Casos recentes de Leishmaniose humana acenderam um alerta na capital gaúcha. As ocorrências foram confirmadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que identificou o vínculo epidemiológico em Porto Alegre. Desde 2016, já são 15 casos registrados. Por se tratar de uma doença grave, sem cura e uma ameaça à saúde pública, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio Grande do Sul (CRMV-RS) lança a campanha Leishmaniose: quem ama protege, com o objetivo de conscientizar a população sobre o tema, além de abordar os cuidados necessários, prevenção e tratamento.

As peças gráficas contém informações oficiais do Ministério da Saúde, do Grupo de Trabalho e dos Médicos Sem Fronteira e estão disponíveis para download gratuito no link da campanha, com versões para impressão e compartilhamento nas redes sociais.

A Leishmaniose Visceral (LV) é uma doença infecciosa que atinge seres humanos e animais e seu principal transmissor é conhecido como mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis ) e o agente etiológico é o protozoário Leishmania infantum. Nos cães, os problemas dermatológicos são os sintomas mais comuns. As lesões incluem perda de pelos pelo corpo e feridas principalmente na face, além disso, podem apresentar febre, anemia, diarreia e perda de massa muscular. Apesar de ser a espécie mais atingida, o cachorro não é o transmissor da doença. Ela ocorre quando fêmeas de insetos picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem.

Ainda que a evolução da doença seja lenta no humano, a mesma pode levar a óbito em mais de 90% dos casos. Seus sintomas incluem febre de longa duração, perda de peso e de força física, anemia, aumento do baço e do fígado e nódulos linfáticos inchados. É importante destacar que o tratamento é gratuito e está disponível no Sistema único de Saúde (SUS). Já a leishmaniose felina pode estar associada a doenças imunossupressoras, como a Leucemia Felina Vírus (FeLV) e a Imunodeficiência Viral Felina (FIV). Os felinos podem apresentar conjuntivite e normalmente têm perda de apetite e redução de peso significativa. O diagnóstico só pode ser feito por médicos veterinários via análise de sangue.

Por se tratar de uma doença sem cura, a melhor forma de prevenir é eliminar a presença do vetor e proteger os animais. Nos cães, o uso de coleiras, como a de deltametrina, ou pipetas repelentes são formas eficazes, junto com a limpeza do ambiente para retirada de matérias orgânicas e o uso de telas mosquiteiras, tanto em canis quanto nas residências. Para os humanos, é indicado o uso de repelente.

A Leishmaniose é uma doença de notificação obrigatória, ou seja, o médico veterinário deve ser comunicado sempre, independentemente do desfecho, para que seja informado ao órgão de saúde competente. Quanto mais cedo o profissional for procurado, maiores as chances de controlar e diminuir a carga parasitária. O único medicamento de uso veterinário contra a Leishmaniose registrado no país é o Miltefosina, que reduz os sinais da doença. É importante ressaltar que o tratamento não traz a cura definitiva e os cães ainda podem ser fontes de infecção e transmissão da Leishmaniose. Por isso, a prevenção é sempre a melhor opção.


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