Estudo

Concluída a última fase da pesquisa nacional da UFPel

Trabalho coordenado pela universidade envolveu 133 cidades brasileiras na análise da evolução da Covid-19

02 de Julho de 2020 - 20h03 Corrigir A + A -
Cobertura: mais de 89 mil pessoas foram entrevistadas e testadas (Foto: Daniela Xu - Epidemiologia UFPel)

Cobertura: mais de 89 mil pessoas foram entrevistadas e testadas (Foto: Daniela Xu - Epidemiologia UFPel)

O estudo Epicovid19-BR, que mapeia a epidemiologia do novo coronavírus no Brasil, concluiu as três fases previstas no cronograma original. A primeira foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio, totalizando 25.025 entrevistas e testes. A segunda, entre os dias 4 e 7 de junho, com 31.165 entrevistas e testes. A terceira fase ocorreu entre os dias 21 e 24 de junho, totalizando 33.207 entrevistas e testes. Somando as três fases da pesquisa, trata-se do estudo epidemiológico com maior número de indivíduos testados do mundo para o coronavírus, com uma amostra total de 89.397 pessoas entrevistadas e testadas. O estudo é realizado em 133 cidades, espalhadas por todos os estados do Brasil.

O Epicovid19-BR é um estudo coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. O financiamento foi do Ministério da Saúde. Contou também com apoio do Instituto Serrapilheira, da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da Pastoral da Criança, e com doação do programa da JBS Fazer o Bem Faz Bem. A coleta de dados foi de responsabilidade do Ibope Inteligência.

Veja os resultados:

Qual a proporção da população com anticorpos para o novo coronavírus, ou seja, que tem ou já teve contato com o vírus?

O percentual da população com anticorpos foi de 1,9% (1,7% a 2,1% pela margem de erro) na primeira fase, 3,1% (2,8% a 3,4% pela margem de erro) na segunda fase e 3,8% (3,5% a 4,2% pela margem de erro) na terceira fase da pesquisa.

Qual a velocidade de expansão do coronavírus, por meio da comparação das fases 1, 2 e 3, intercaladas por duas semanas entre si?

O aumento da primeira para a segunda fase foi de 53% e da segunda para a terceira fase foi de 23%.

Qual a proporção das pessoas com anticorpos que não apresentaram nenhum sintoma?

Somadas as três fases da pesquisa, foram identificadas 2.064 pessoas com anticorpos, aqueles que têm ou já tiveram infecção pelo coronavírus. Dessas, apenas 9% não relataram qualquer sintoma.

Entre as pessoas com anticorpos, e que apresentaram sintomas, quais foram os sintomas mais frequentes?

Entre as pessoas que relataram sintomas, os cinco que foram relatados por mais da metade das pessoas com anticorpos foram: febre, tosse, alteração de olfato/paladar, dor no corpo e dor de cabeça.

Qual a letalidade da infecção, ou seja, entre o total de pessoas infectadas pelo vírus, qual proporção acaba indo a óbito?

1,15%, podendo variar de 1,05% a 1,25% pela margem de erro, ou seja, a cada cem pessoas que têm o vírus, uma acaba indo a óbito.

Há maior proporção de pessoas com anticorpos em subgrupos de sexo, idade, cor da pele e nível socioeconômico?

O percentual da população com anticorpos não diferiu entre homens e mulheres em nenhuma das fases da pesquisa e nem por idade. Contudo, os pesquisadores alertam que a severidade da Covid-19 tende a ser maior nos grupos etários mais avançados, conforme a literatura.

Em relação ao nível socioeconômico, nas três fases da pesquisa, houve uma tendência linear de maior proporção da população com anticorpos conforme diminui o nível socioeconômico. Além disso, a diferença entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos aumentou de 1,1 ponto percentual na primeira fase, para 2,0 pontos percentuais na segunda fase e 2,3 pontos percentuais na terceira fase.

Em relação à cor da pele autorrelatada, houve maior proporção com anticorpos entre as populações indígenas em comparação aos demais grupos étnicos. A população que se autodeclarou branca foi a que apresentou menor proporção de exposição ao vírus. Ressalte-se que o estudo não incluiu populações aldeadas.

Qual a diferença entre o número de casos notificados nos sistemas de vigilância e o total de pessoas com anticorpos estimado pela pesquisa?

A diferença entre o número de casos notificados e o número de pessoas com anticorpos estimado pela pesquisa manteve-se estável ao longo das três fases do estudo. Na primeira fase, a diferença foi de sete vezes, com uma pequena variação para seis vezes na segunda e na terceira fases do estudo. O cálculo foi feito a partir da divisão do número estimado de pessoas com anticorpos nas cidades pelo número de casos notificados.

Em havendo uma pessoa positiva no domicílio, qual o percentual de coabitantes que também terá um resultado positivo para o coronavírus?

A pesquisa testou todos os moradores das casas nas quais a pessoa sorteada para o estudo teve um teste positivo. No somatório das três fases da pesquisa, foram testadas 2.583 pessoas, das quais 39% tiveram testes positivos.

Qual o grau de adesão da população brasileira às recomendações de distanciamento social e como esse percentual muda ao longo do tempo?

O percentual das pessoas que relatou sair de casa diariamente aumentou de 20,2% na fase 1 (14-21 de março) para 23,2% na fase 2 (04 a 07 de junho) e para 26,2% na fase 3 (21 a 24 de junho). No outro extremo, o percentual de pessoas que relatou ficar em cada todo o tempo diminuiu de 23,1% na fase 1 para 20,5% na fase 2 e para 18,9% na fase 3.

Quais as diferenças na evolução do coronavírus entre as regiões do Brasil?

Na primeira fase, de 14 a 21 de maio, nenhuma região do Brasil, exceto o Norte, apresentava percentual da população com anticorpos superior a 1%. Nas fases subsequentes, o Norte manteve os percentuais mais elevados, mas chamou atenção o crescimento acelerado no Nordeste, e tendências de crescimento também no Sudeste e no Centro-Oeste. Por outro lado, na Região Norte, não houve diferenças entre os resultados da segunda e da terceira fases da pesquisa, indicando uma possível desaceleração da pandemia naquela região

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