Polêmica

Comitiva visita o residencial Amarílis

Grupo de moradores, ambientalistas e vereador devem formalizar denúncia ao Ministério Público para barrar novamente as obras

22 de Outubro de 2019 - 21h41 Corrigir A + A -
Grupo questiona a derrubada de árvores para implantação de novos lotes  (Foto: Paulo Rossi - DP)

Grupo questiona a derrubada de árvores para implantação de novos lotes (Foto: Paulo Rossi - DP)

O loteamento está localizado à margem da Avenida Adolfo Fetter e é alvo de constantes denúncias  (Foto: Paulo Rossi - DP)

O loteamento está localizado à margem da Avenida Adolfo Fetter e é alvo de constantes denúncias (Foto: Paulo Rossi - DP)

Um grupo de moradores, ambientalistas, biólogos e a Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Pelotas visitou, na manhã desta terça-feira (22), o residencial Amarílis, no Laranjal. O condomínio, localizado à margem da avenida Adolfo Fetter, tem sido alvo de constantes denúncias de moradores e de debates que questionam o licenciamento ambiental concedido pela Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) a uma nova fase do loteamento. O licenciamento também foi motivo de questionamentos no Conselho Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Compam).

Era perto das 11h quando a comitiva chegou ao residencial. Alguns moradores já aguardavam para acompanhar a visita, já municiados de argumentos contrários à derrubada da mata para a criação de novas ruas e quarteirões. Máquinas e alguns operários trabalhavam na instalação de tubulações de drenagem. Os novos lotes ficam numa área intermediária entre a parte alta do bairro com a parte baixa, mais antiga e habitada.

O secretário de Qualidade Ambiental (SQA), Felipe Perez, foi convidado para acompanhar a comitiva. No entanto, com o adiamento da visita e com outra agenda, não pode comparecer na visita. 

Grupo questiona desmatamento

Em uma reunião na semana passada na pasta, o grupo conversou com o secretário e técnicos responsáveis pelo licenciamento. Um dos problemas levantados por Sheila Melgarejo, integrante do SOS Laranjal, são as consequências geradas à parte baixa do Laranjal, onde desembocará uma rua do condomínio. “Depois que começaram as intervenções, a rua Tapes, Mostardas quando chove vira um rio. Antes não era assim”, recorda a moradora. A situação também foi relatada por moradores das próprias ruas recentemente. Toda esta área residencial também será aterrada para a construção dos lotes. 

Quem também acompanhou a visita foi o professor da área de Ecologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Marcelo Dutra da Silva. Dutra questiona que o contexto do entorno do loteamento não foi considerado no licenciamento. “Aqui a água era barrada, absorvida. Para onde ela vai agora? Vai escoar para a parte baixa. Sofrerão as consequências as pessoas fora do condomínio. O problema não é só o corte de árvores”, alerta.

Dois moradores do condomínio acompanharam a visita. Sem se identificar, eles comentam que a intenção inicial em ir morar na área era justamente estar próximo da natureza e de áreas preservadas. Presidente da Comissão de Meio Ambiente, o vereador Marcus Cunha (PDT) garantiu que irá buscar recursos legais para barrar o empreendimento. “Vamos nos reunir com o Ministério Público para que suspenda aquela parte baixa”, disse. 

Perez defende licenciamento

Por telefone, o secretário Felipe Perez voltou a defender o licenciamento. “Não tem nenhum problema. Existe interesse de moradores que o loteamento não aconteça. A licença está bem dada”, declarou. Uma reunião no Ministério Público deve acontecer na tarde desta quarta para tratar o assunto, informou. Em recente contato com o proprietário do empreendimento, Linomar Navarini, ele informou que a obra está dentro do que define o Plano Diretor e o que determina o licenciamento. Para a nova área são projetados 126 novos lotes.


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