Alternativas

Com o trabalho parado, o jeito é se reinventar

Trabalhadores do transporte escolar não tiveram pleito atendido e acham novas formas de sustento

07 de Agosto de 2020 - 10h55 Corrigir A + A -
Mudança: André  instalou uma lancheria em casa para compensar a ausência das aulas presenciais (Foto: Jô Folha - DP)

Mudança: André instalou uma lancheria em casa para compensar a ausência das aulas presenciais (Foto: Jô Folha - DP)

Com a suspensão das aulas, devido à pandemia do novo coronavírus, o setor de transporte escolar foi diretamente afetado. Parados desde março e sem data para retornar, os trabalhadores não conseguiram as principais demandas que solicitaram ao poder público. Agora, a alternativa é utilizar o verbo que protagoniza 2020: reinventar.

Em abril, a categoria organizou uma manifestação que, além de reivindicar, arrecadou alimentos para famílias vulneráveis e realizou doações de sangue no Hemocentro de Pelotas. Em seguida, o grupo conseguiu contato com a prefeitura, mas nenhuma das demandas foi atendida. O que o poder público articulou foi a doação de cestas básicas quinzenais, que estão ocorrendo desde então. Segundo André Carrasco, um dos que encabeçou o ato, os motoristas solicitaram um auxílio e a isenção da taxa de inspeção. Entretanto, foi alegado não ter como ajudar mais, visto que eram muitas categorias solicitando alguma assistência.

Parado e praticamente sem renda, Carrasco precisou se reinventar. Desde maio, o trabalhador do transporte escolar começou a fazer lanches para vender. “Mas é tudo devagar, tudo instável”, conta. A lancheria, que funciona na casa dele, foi o jeito encontrado de compensar o que está faltando. Pai de dois filhos pequenos, o sentimento é de insegurança. “A gente torce para que tudo passe e volte logo, mas ao mesmo tempo sabemos que o retorno não será do jeito que era antes”, desabafa.

A situação da Juliana Gervini não é diferente. No ramo há 13 anos, ela precisou se unir à cunhada, que já trabalhava com alimentação, para impulsionar as primeiras vendas. Hoje, ela comercializa diversos tipos de massas, caldos e mocotó. “Eu sempre pensei em trabalhar com comida, mas nunca imaginei ter que fazer isso para sobreviver”, fala. Mãe de dois filhos, ela relata que o auxílio emergencial fornecido pelo Governo Federal não é suficiente para arcar com as contas do mês, pois um dos veículos que carregava os estudantes é financiado. “Esse mês eu preciso pagar uma parcela para conseguir fazer outra negociação”, conta, referindo-se à quantidade de juros que acaba tendo que pagar a cada mês.

Reunião na Assembleia Legislativa

Na última quarta-feira (29), ocorreu uma reunião proposta pelo deputado estadual Adolfo Brito (PP) para discutir uma saída para micro e pequenas empresas do transporte escolar. Na ocasião, os parlamentares solicitaram a possibilidade de retroatividade aos prestadores de serviço, bem como isenção das taxas de vistorias dos veículos usados no transporte escolar. O Tribunal de Contas anunciou que liberará nota técnica, afirmando que é favorável ao pagamento conforme o que for estabelecido em Projeto de Lei. O Ministério Público também se manifestou a favor de encontrar uma saída jurídica para ajudar os transportadores.

A Procuradoria Geral do Estado e o líder do governo, Frederico Antunes (PP), confirmaram que o assunto chegará em breve ao governador Eduardo Leite (PSDB) para definir a solução jurídica e achar uma maneira legal de como viabilizar a liberação de recursos ao setor. Na próxima semana, o Projeto de Lei do Poder Executivo deverá ir para a Assembleia Legislativa.


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