#Pet_DP

Coleiras e enforcadores: um risco para o cão

Estudos apontam que uso destes equipamentos representa graves riscos de lesões

05 de Agosto de 2022 - 16h03 Corrigir A + A -
Cuidado com a coleira deve ser redobrado (Foto: Mabel Amber - Pixabay)

Cuidado com a coleira deve ser redobrado (Foto: Mabel Amber - Pixabay)

As coleiras de pescoço para cães podem ser adequadas para exibir a sua identidade e, com isso, são uma estratégia de segurança. No entanto, quando usadas com a guia, em passeios, podem trazer sérios danos à saúde do animal.

Um estudo publicado na revista científica Vet Record, por pesquisadores da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, constata que, para todos os tipos e estilos de coleiras (de nylon, corda, enforcador e guia unificada, ainda que acolchoadas ou largas), há risco de lesão no pescoço. "Nenhum colar testado na pesquisa fornece uma pressão baixa o suficiente para diminuir o risco de lesão ao puxar", sintetiza Camilli Chamone, geneticista, consultora em bem estar e comportamento canino e editora de todas as mídias sociais "Seu Buldogue Francês". Também é criadora da metodologia neuro compatível de educação para cães no Brasil.

Segundo a geneticista, o pescoço é uma região nobre do corpo, já que diversas estruturas anatômicas passam por ele. "É o caso da traqueia, que conduz o ar; do esôfago, que conduz o alimento; da coluna cervical, já que no pescoço passa a medula espinhal, que é um prolongamento do cérebro. Além disso, estão localizadas nele a glândula tireoide, importante para o metabolismo do corpo, e a paratireoide, essencial para o metabolismo do cálcio, que tem, entre outras funções, formar os ossos", detalha Chamone. No pescoço ainda passam veias e artérias, que irrigam o cérebro.

Por isso, ao puxar o animal pelo pescoço, todas essas estruturas correm sérios riscos de serem lesionadas. "Há um senso comum de que, para usar o enforcador, é preciso apenas 'ter experiência' com ele, algo disseminado sem nenhum embasamento científico. A Ciência nos mostra que todo equipamento de passeio usado no pescoço pode ser perigoso", pondera.

Mesmo os pequenos trancos, que ocorrem com frequência e até sem o dono perceber, podem provocar micro lesões que, com o tempo, se somam e causam macro problemas. O uso de equipamentos de passeio no pescoço pode ocasionar, entre inúmeras complicações, redução da oxigenação do cérebro, sub-luxação de vértebras cervicais e problemas graves na traqueia, formada por cartilagem.

Puxões no passeio: enforcador não resolve
Um argumento dado por donos para passear com enforcador é que o cão puxa demais no passeio e a ferramenta ajudaria a controlá-lo. No entanto, Chamone enfatiza: "como o próprio nome diz, o enforcador enforca, estrangula o cão. Ele pode até tracionar menos, mas por desconforto e sofrimento - e isso não resolve a causa do problema". Segundo sua experiência em consultorias, o motivo mais comum de o cão tracionar no passeio é pelo fato de viver uma vida de estresse. Nesse sentido, estrangulá-lo com ferramentas inadequadas de passeio gera ainda mais nervoso e ansiedade.

"O estrangulamento pode fazer o cão parar de tracionar, mas desenvolve outros comportamentos compensatórios, como ações compulsivas e dificuldade de aprendizado. Para não tracionar, é preciso tratar a sua ansiedade de forma geral". Para um passeio seguro e sem puxões, é recomendado um controle do estresse no animal. Esse controle visa manter uma vida equilibrada por meio de quatro pilares: gerenciamento das emoções, alimentação de qualidade, sono satisfatório e rotina de exercícios físicos. E, por falar neles, nada de enforcadores ou outros tipos de coleiras de pescoço: o ideal é usar um equipamento confortável, como é o caso do modelo peitoral.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados