Prédio histórico

Clube Comercial passará por reforma

Instituição precisa da ajuda da população para captar recursos

10 de Julho de 2018 - 10h13 Corrigir A + A -

O Clube Comercial de Pelotas quer resgatar suas origens e voltar a ser ponto de encontro e referência em cultura. Para isso, precisa passar por reformas em sua estrutura - a última ocorreu há mais de 50 anos. A fase inicial do projeto já está pronta e aprovada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Para sair do papel, espera a ajuda da comunidade.

O projeto foi aprovado pelo Ministério da Cultura e está apto a captar os R$ 2.430.839,09 necessários, através da Lei Rouanet. A verba será empregada no restauro de 1,7 mil metros quadrados de telhado. Esse tipo de investimento tem um diferencial porque o seu sucesso depende diretamente da comunidade. As pessoas físicas e jurídicas que declaram Imposto de Renda podem doar parte do dinheiro devido para a obra e não pagam nada a mais por isso.

O interessado deve calcular sua renda anual e estimar quanto pagará de Imposto de Renda na próxima declaração. À pessoa física é permitido destinar até 6% da taxa a pagar, enquanto as empresas (PJ) podem doar no máximo 4%. O depósito, identificado, deve ser feito no Banco do Brasil, agência 2822-3, conta 33557-6, em nome de Surya Projetos. Em seguida, o comprovante precisa ser enviado para o e-mail comercial@suryaprojetos.com.br. O depositante ganhará um recibo que deverá ser apresentado na próxima declaração. O valor doado será abatido do imposto devido.

A diretoria do clube conta com o auxílio dos empresários pelotenses. "Estamos nos reunindo com comerciantes da cidade para apresentar o projeto e pedir seu apoio", conta o presidente Hypólito Ribeiro Neto. A busca por ajuda também está a cargo do vice-diretor Cláudio Luís Amaral e da Surya Projetos, empresa especializada na captação de recursos. O financiamento está disponível até maio do ano que vem.

A etapa inicial da restauração contempla apenas o telhado e tem duração prevista de 15 meses. Os primeiros 30 dias são destinados à acomodação da estrutura e à revisão das instalações de água e luz. A recuperação completa do clube deverá contar com mais cinco fases e incluirá tanto a parte interna quanto a externa da edificação. O patrimônio artístico também será restaurado.

Espaço de cultura
O acervo cultural do Clube Comercial é vasto e inclui telas de artistas importantes, como Aldo Locatelli. Atualmente, as obras estão guardadas para não sucumbirem à umidade. O segundo andar do prédio, marcado na história de Pelotas pelos bailes que recebeu, está fechado há quase 15 anos. Com a reforma do telhado, a expectativa é de ter novamente o espaço à disposição dos usuários.

Durante a reforma, o público estará convidado a aprender mais sobre o clube e as particularidades do patrimônio histórico. O prédio, inaugurado em 1888, é tombado em nível municipal. A comunidade terá acesso a quatro oficinas e uma palestra sobre restauro e conhecerá o acervo artístico da instituição. "O clube tem móveis do século 19 que vieram de navio da França", conta Pâmela Martins, da Surya Projetos.

Quando concluído, o clube espera ser um ponto de encontro e espaço para negócios. O presidente do Comercial conta que haverá um local para a instalação de um café e de um restaurante. Salas de reuniões também estão previstas. "O clube tem um grande potencial de crescimento", avalia Hypólito Ribeiro. A boa localização do prédio, na esquina das ruas Félix da Cunha e General Neto, é outro ponto favorável.

Sem parar
O Clube Comercial foi fundado em 1881 e funcionou por sete anos onde hoje é o Clube Caixeiral. Nestes 137 anos de história, nunca fechou as portas. "Recentemente essa hipótese foi cogitada. Assumi a presidência para não deixar isso acontecer", fala Ribeiro. O local ainda é ponto de encontro para amigos que viveram os tempos de ouro do clube. Todas as tardes, cerca de seis homens se reúnem para jogar sinuca e ler as notícias do dia.

Um deles é o Augusto Luís Mendonça, de 79 anos, conhecido como Cuca. Ele frequenta o lugar desde 1958 e tem o nome inscrito na história do clube. Nos anos de 1970 e 1972 foi campeão estadual de bridge, um jogo de cartas, representando o Comercial. Hoje a modalidade não é mais disputada, mas ele segue indo diariamente à instituição e tem esperança de ver o clube reerguido. "Precisamos de gente moça para dar vida nova ao clube. Com a reforma, eu espero que isso aconteça", comenta.

 

 

 


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