Pandemia

Cientistas pedem reavaliação do contágio

Representantes de 39 países alertam para o potencial de transmissão do vírus pelo ar

07 de Julho de 2020 - 17h47 Corrigir A + A -
Previna-se: medidas de segurança seguem importantes (Foto: Divulgação - DP)

Previna-se: medidas de segurança seguem importantes (Foto: Divulgação - DP)

Por: Pedro Peduzzi, da Agência Brasil

Em uma carta aberta à Organização Mundial da Saúde (OMS), 239 cientistas de 32 países pedem à entidade que reconheça oficialmente o “potencial significativo” de propagação pelo ar do novo coronavírus. De acordo com o texto, a velocidades padrões do ar em ambientes fechados, uma gotícula contaminada pelo vírus é capaz de viajar “dezenas de metros”. Distância que, segundo o grupo, é muito maior em ambientes fechados e sem ventilação.

“Existe um potencial significativo de exposição por inalação a vírus em gotículas respiratórias microscópicas (microgotas) a curtas e médias distâncias (até vários metros, em ambientes fechados e sem ventilação), e defendemos a utilização de medidas preventivas para mitigar esta via aérea de transmissão”, diz o texto.

O grupo cita alguns estudos que apontam “sem qualquer dúvida” que os vírus são liberados durante a exalação, conversa e tosse em microgotas suficientemente pequenas para permanecerem no ar, representando risco de exposição a distâncias superiores a dois metros de um indivíduo infectado. Por este motivo, pedem que OMS revise os parâmetros de transmissão e cuidados para a prevenção de contágio do novo coronavírus.

De acordo com a carta, publicada na página da Sociedade de Doenças Infecciosas da América, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, em velocidades típicas de ambientes fechados, uma gota de cinco micrômetros (cada micrômetro equivale a um milionésimo de metro ou à milésima parte do milímetro) viajará dezenas de metros, distância muito maior do que em ambientes abertos, e se instalará a uma altura de 1,5 metro do chão.

O texto lembra que organismos internacionais e nacionais concentram suas orientações na lavagem das mãos, na manutenção do distanciamento social de dois metros e nas precauções contra as gotículas _ procedimentos que, de acordo com o texto, são “apropriados, porém insuficientes para fornecer proteção contra microgotas respiratórias portadoras de vírus liberadas para o ar por pessoas infectadas”.

“Seguindo o princípio da precaução, temos de abordar todas as vias potencialmente importantes para retardar a propagação da covid-19”, acrescenta o grupo de cientistas ao listarem uma série de medidas que devem ser tomadas para evitar a transmissão por via aérea: “Na nossa avaliação coletiva existem provas mais do que suficientes para que o princípio da precaução seja aplicado. A fim de controlar a pandemia, enquanto se aguarda a disponibilidade de uma vacina, todas as vias de transmissão devem ser interrompidas”.

Alertas e medidas sugeridas

- A “ventilação suficiente e eficaz” de ambientes internos, por meio de ar exterior limpo, de forma a minimizar a recirculação, como equipamentos de ar-condicionado, “particularmente em edifícios públicos, ambientes de trabalho, escolas, hospitais, e lares de idosos”.

- Trocar a ventilação de ar-condicionado por exaustores e filtros de ar de alta eficiência, além de luzes ultravioleta germicidas.

- Evitar aglomeração de pessoas, particularmente em transportes públicos e edifícios públicos.

- Abrir portas e janelas, o que pode aumentar dramaticamente as taxas de fluxo de ar em muitos edifícios.

- Os cientistas finalizam o documento com um alerta de que, ao implementarem as atuais recomendações de distanciamento de dois metros, as pessoas podem pensar que estão totalmente protegidas, quando, na realidade, “são necessárias intervenções aéreas adicionais para uma maior redução do risco de infecção”.


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