Ventania

Ciclone bomba chegou a 97 km/h em Pelotas

Por conta de fenômeno extratropical, pelo menos dez pessoas morreram no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina

01 de Julho de 2020 - 18h29 Corrigir A + A -
Houve registros de queda de árvores em vários pontos da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Houve registros de queda de árvores em vários pontos da cidade (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Todas as equipes da CEEE foram acionadas para atender a demanda (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Todas as equipes da CEEE foram acionadas para atender a demanda (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na Zona Sul, 85 mil residências amanheceram sem luz (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Na Zona Sul, 85 mil residências amanheceram sem luz (Foto: Carlos Queiroz - DP) (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O ciclone bomba que provocou falta de luz, destelhou casas e deixou mortos em Santa Catarina na terça-feira, chegou na madrugada desta quarta-feira (1º) ao Rio Grande do Sul. Em Pelotas não foi fácil ter uma boa noite de sono: foram registradas rajadas de vento de 97,6 km/h entre 3h e 4h da madrugada; a Defesa Civil contabilizou mais de 30 quedas de árvores, espalhadas por todos os bairros. Nas primeiras horas do dia, 85 mil casas estavam sem energia elétrica na região, enquanto em todo o Estado o número era de 750 mil, conforme a CEEE.

Em Pelotas, árvores e galhos caídos passaram a fazer parte da paisagem em praças, esquinas e em frente às casas. No Navegantes II, nas proximidades da Unidade Básica de Atendimento Imediato (Ubai), a queda de uma árvore derrubou outros dois postes. Além dos estragos, os moradores também se depararam com poças de água energizadas na manhã desta quarta. Na frente do sobrado onde mora a Janaina Ribeiro, as equipes do Corpo de Bombeiros e da CEEE trabalharam na troca de fios e na retirada dos galhos caídos. “Não é a primeira vez que isso acontece. No ano passado, uma das árvores caiu em cima de um carro. Estamos há 13 anos nessa luta”, contou.

Moradora há 30 anos do local, Janaina disse que as árvores em torno da casa há muito tempo precisam ser retiradas. Para isso, ela explicou que, de acordo com a prefeitura, outras precisam ser replantadas. “Sorte que foi de madrugada e não tinha ninguém na rua. O nosso patrimônio, carro e casa, a gente recupera. A vida não tem como”, frisou. O problema da queda de luz atingiu também o açougue da Renata, localizado na diagonal do sobrado da Janaina. O estabelecimento precisou usar o gerador para conseguir manter a energia elétrica e não perder as carnes. “É um gasto que não estava previsto. Vamos ter que parcelar”, relatou.

O vendaval afetou a rotina do Paulo Roberto Furtado, 73, morador há mais de 30 anos do bairro Fragata. Para desobstruir a passagem de carros na via, ele e outro morador cortaram os galhos das árvores caídas em frente à casa com um machado e facão. “Eu não consegui dormir a noite. Em todos esses anos, foi a primeira vez que me assustei assim”.

>>> Confira fotos dos estragos em Pelotas

A Secretaria de Qualidade Ambiental é a responsável pelo corte de árvores que tombaram durante o ciclone. De acordo com a Ascom, a prioridade da pasta foi atender aos chamados de locais onde haja comprometimento para o trânsito e que envolvam fiação de energia. Duas equipes realizaram nesta quarta o corte das árvores nessas condições. Nestes casos, os moradores podem acionar as equipes pelos telefones (53) 3227-1642 ou (53) 3227-5442.

Uma morte foi registrada no RS

Um homem de 53 anos morreu em Nova Prata, na região da Serra, após ser soterrado em um deslizamento de terra. A Defesa Civil não conseguiu afirmar se o deslizamento ocorreu por conta do clima, mas explicou que “essa condição favorece a instabilidade do solo”. O órgão aguarda o resultado da perícia para confirmar a morte em decorrência do ciclone.

Na Zona Sul, as rajadas de vento chegaram a 116km/h em Santa Vitória do Palmar e deixaram dez famílias desabrigadas no município. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou rajadas de vento de 97,5 km/h no no Capão do Leão. Em Rio Grande, os ventos foram de 83,1 km/h e em Jaguarão, de 77 km/h. São Lourenço contabilizou a queda de duas árvores em cima de residências, mas sem vítimas; o interior da cidade estava sem luz e sem rede de telefonia na manhã de quarta.

Em todo RS, 1.035 pessoas ficaram desalojadas, sendo que a maior parte se concentra em duas cidades: Vacaria e Ibiaçá, com 520 e 400 famílias atingidas, respectivamente. Ambos os municípios ficam na região norte do estado. Para além do território gaúcho, em Santa Catarina os ventos chegaram a 120 km/h e nove vítimas foram registradas, uma pessoa segue desaparecida. Nas redes sociais, viralizaram vídeos de telhados sobrevoando casas e de vidros quebrando por conta da força dos ventos. A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) informou que 750 mil moradias estavam sem luz ainda na quarta - na terça-feira, o número chegou a 1,5 milhão. 

O ciclone bomba avança para outras regiões do país, como o Rio de Janeiro e São Paulo. Em SP, a velocidade dos ventos pode chegar a 80km/h. No RJ, deve chegar a até 76 km/h na capital e ressaca com ondas que devem atingir os 3,5 metros, segundo o Centro de Operações Rio.

Manhã agitada para alguns e de suspensão para outros

A manhã desta quarta foi de muito trabalho para as equipes dos serviços essenciais na cidade. De acordo com o gerente regional Sul da CEEE, Alexandre D’avila, 30 alimentadores de energia apresentaram problemas, o que afetou serviços essenciais como hospitais - a Beneficência Portuguesa de Pelotas e a UPA Areal apresentaram queda de luz. No início da tarde, 40 mil clientes em Pelotas permaneciam sem eletricidade. “A nossa previsão é restabelecer o serviço durante o dia e noite dessa terça-feira. Seguiremos trabalhando”, disse.

O gerente regional ressaltou que a Companhia trabalha em regime de contingência, com todas as equipes na rua. O Corpo de Bombeiros manteve três caminhões em atendimento às ocorrências de árvores e fios elétricos caídos. Até as 9h desta quarta-feira, a guarnição já havia registrado mais de 20 chamados para providências nesse sentido.

Enquanto isso, na Câmara de Vereadores a sessão da manhã de ontem foi adiada devido à falta de luz na sede parlamentar. Estava em pauta a discussão do projeto de lei da prefeitura de Pelotas que pretende estabelecer multas a quem descumprir medidas de prevenção ao coronavírus.

Depois do vento, vem a chuva

A chuva dos últimos dias aliviou a medição de água na Barragem Santa Bárbara: agora são 1,44 metro abaixo do ideal, número que era de 1,68 metro no final de semana. Os pluviômetros monitorados pelo Sanep acusaram o acumulado de 39 milímetros de chuva na área da Barragem e 35 milímetros na avenida Bento Gonçalves, entre a manhã de terça-feira e a de quarta. Nos próximos dias, ela deve cessar e dar lugar ao frio intenso. O Instituto Nacional de Meteorologia prevê que as máximas dos próximos dias não passem de 15ºC, confira:

Quinta-feira
Mínima 3ºC Máxima 13ºC

Sexta-feira
Mínima 0ºC Máxima 13ºC

Sábado
Mínima 0ºC Máxima 16ºC

Domingo
Mínima 5ºC Máxima 17ºC


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