Marca histórica

"Chove chuva, chove sem parar"

Início da semana é marcado por precipitação constante e, por vezes, intensa na região

13 de Setembro de 2021 - 19h50 Corrigir A + A -

Por: Vitória Leitzke
vitoria@diariopopular.com.br

Em algumas ruas, apenas veículos altos conseguem passar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Em algumas ruas, apenas veículos altos conseguem passar (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Bueiro na rua Armando Fagundes esquina avenida Juscelino Kubitschek redobra atenção de quem passa na via (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Bueiro na rua Armando Fagundes esquina avenida Juscelino Kubitschek redobra atenção de quem passa na via (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Para fugir da água, motoristas usam, indevidamente, ciclovia da avenida Domingos de Almeida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Para fugir da água, motoristas usam, indevidamente, ciclovia da avenida Domingos de Almeida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A música de Jorge Ben Jor descreve bem como iniciou a semana na Região Sul do Estado. Apesar da Coordenadoria Regional de Proteção e Defesa Civil 4 (Crepdec 4), que atende todos os municípios próximos a Pelotas, não ter registrado ocorrências de danos, a intensa e constante chuva fez parte da segunda-feira (13) dos gaúchos da Zona Sul e deve se transformar em frio a partir de terça-feira (14). Até as 20h de segunda, a Embrapa Clima Temperado já havia registrado 95 milímetros de precipitação.

Conforme o boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), as instabilidades darão origem a uma frente fria, que causará o declínio das temperaturas, devido ao avanço de uma massa de ar frio entre terça e quarta-feira (15). A previsão é confirmada pelo Centro de Pesquisa e Previsões Meteorológicas (CPMet), que informa que, após a chuva, a semana será de tempo bom, com temperaturas amenas e manhãs frias. Ainda segundo o CPMET, nos próximos seis dias a menor temperatura prevista é de 7ºC, na quarta, e a maior de 22ºC, no domingo.

Setembro foi chuvoso na Metade Sul. De acordo com os dados meteorológicos da Embrapa, até segunda já havia chovido 195 milímetros desde o início do mês em Pelotas, mais que o registrado no mês inteiro em 2020, quando o total foi de 176,2 milímetros, mas menos que o contabilizado no mês anterior, quando foram 238,8 milímetros de chuva nos 31 dias de agosto.

Se chove, alaga

Em diversos pontos de Pelotas, a Terceira Lei de Newton, o Princípio da Ação e Reação, é claro: se chove, alaga. A equipe de reportagem do Diário Popular percorreu alguns bairros durante a tarde de segunda e registrou alagamentos em ruas e avenidas, inclusive na Domingos de Almeida, uma das principais do município. Para não ter prejuízos com os veículos, diversos motoristas utilizavam, indevidamente, a ciclovia do local para fugir da água. Em outros locais, a água invadiu residências, como a de Maria Dias, que mora na rua Boaventura Leite, no Areal, e convive com o incômodo há 20 anos.

“Está cada vez pior. Agora alaga mesmo, ninguém sai de casa. É horrível. E isso deve fazer mais de 20 anos que acontece. Sempre alagou, mas depois que arrumaram a [rua] Mário Peiruque, piorou, porque ruas que não alagavam, agora alagam. É só chover algumas horas e fica isso daí, é intransitável, molha tudo, entra água no pátio. Meu filho saiu para trabalhar no Centro e o carro parou no meio da água, teve que voltar”, desabafa.
A realidade se repete nos condomínios localizados na avenida Manoel Antônio Peres, conhecida como Corredor do Obelisco, conforme conta a porteira e também moradora de um deles, Alessandra da Silva. “Choveu e aconteceu isso daí. Às vezes nem precisa ser volumosa, basta ser contínua que alaga total. Tem muito tempo que essas valetas não são limpas”, relata.
Algumas moradoras do condomínio, que passaram pela equipe de reportagem, confirmaram que a situação sempre se repete. “É horrível, os motoristas de aplicativo não querem nem vir aqui em dia de chuva, e não é uma água baixa, é uma água que vai até o joelho”, contam.

Atenção também aos bueiros

Motoristas que trafegam na rua Armando Fagundes, na esquina com a avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira, em dia de chuva, já sabem que o bueiro no local é motivo para atenção redobrada. “Há cinco anos acontece isso. O pessoal tem que acabar fazendo o desvio, até porque não dá para saber se a tampa do bueiro está ali ou não. É muita água, mas isso já é um problema recorrente. No tempo que eu estou aqui eu nunca vi o Sanep ou a prefeitura aqui”, comenta o frentista Elton Barros, que trabalha em um posto de combustíveis há três anos.

O que dizem prefeitura e Sanep?

Sobre a situação das vias que desembocam na rua Mário Peiruque, o secretário de Serviços Urbanos e Infraestrutura, Fábio Suanes, diz que as equipes já estão atuando na limpeza do canal do Dunas, mas “que o escoamento correto é dificultado por ocupações irregulares e já consolidadas no local”. “Para solucionar o problema será instalada uma tubulação, com dimensionamento e topografia correta para o canal”, complementa.

Em relação ao Corredor do Obelisco, a diretora-presidente do Sanep, Michele Alsina, afirma que uma limpeza já foi feita no canal e que o próximo passo é buscar uma solução junto à empresa responsável pelo empreendimento.

Quanto ao bueiro da Armando Fagundes, conforme a autarquia, o principal fator que gera a obstrução da rede de esgoto no local é porque a população executou, de maneira irregular, a ligação da tubulação de drenagem na rede de esgoto cloacal. Segundo o superintendente operacional do Sanep, Eugênio Magalhães, a tubulação de drenagem pluvial é consideravelmente mais ampla e com mais capacidade do que a do esgoto.


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