Sem terra

Cerca de 700 integrantes do MST ocupam fazenda em São Lourenço

As cerca de 450 famílias são e Eldorado, Pelotas, Candiota e Tapes

19 de Outubro de 2015 - 08h17 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Cerca de 450 famílias estão no local (foto: Divulgação)

Cerca de 450 famílias estão no local (foto: Divulgação)

Atualizada às 18h46

Cerca de 700 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam, desde as 5h30min desta segunda-feira (19), a fazenda Sol Agrícola, na localidade de Prado Novo, no 5º distrito em São Lourenço do Sul. As famílias, oriundas de acampamentos em Eldorado do Sul, Tapes, Pelotas e Candiota, pressionam pela desapropriação da área de 750 hectares. A Brigada Militar (BM) já deixou de prontidão equipes em São Lourenço, Cristal, Turuçu e Camaquã, mas até o início da noite apenas monitorava a movimentação. Uma barreira foi montada a aproximadamente quatro quilômetros da porteira, para evitar entrada e saída de famílias. O clima era tranquilo.

A expectativa é de que nesta terça representantes do proprietário devem chegar à cidade para encaminhar o pedido de reintegração de posse à Justiça. Informações extraoficiais apontam que o produtor chinês, dono das terras, não teria mais escritório em Porto Alegre. Os porta-vozes à negociação devem se deslocar de Salvador, na Bahia, onde o oriental também teria propriedade.

"Pelo que sabemos, ele quer se desfazer do local e está há pelo menos dois anos sem plantar nada. É uma terra improdutiva", defende o líder Adelar Pretto, da coordenação estadual do MST. À tarde, com as chuvas, as 450 famílias abrigavam-se entre barracos montados pela manhã e um dos galpões. Contatos com a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na capital, visam à desapropriação do imóvel, que chegou a absorver mão de obra chinesa e brasileira na produção de soja. Uma reunião deve ocorrer na manhã desta terça.

Entenda melhor. A ocupação impede - por dois anos - a realização de vistoria, imprescindível para o Incra aferir o cumprimento da função social das terras e só, então, decidir se é caso de negociar a compra. A restrição está prevista na lei federal 8.629, de fevereiro de 1993. Através da assessoria de imprensa, em Porto Alegre, a superintendência esclareceu que qualquer proprietário pode ofertar terras à União e fez questão de destacar a criação do Assentamento Dom Orlando Dotti, realizada no dia 9 deste mês, no município de Esmeralda, com a capacidade de receber 127 famílias.

Um edital de seleção também está aberto para 70 vagas em lotes de assentamentos já existentes no Rio Grande do Sul. O processo deve ser concluído em novembro.

Fronteira Oeste. Uma fazenda de 500 hectares, em Santana do Livramento, também foi alvo de ocupação. Os integrantes do MST chegaram à comunidade Madureira no final da tarde de domingo. O argumento é exatamente o mesmo: a improdutividade das terras.


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