Atenção

Casos de raiva acendem alerta na Zona Sul

Foram registrados casos de raiva herbívora e urbana, ambas transmissíveis a humanos

30 de Julho de 2021 - 10h08 Corrigir A + A -
Casos de raiva em animais de grande porte já foram registrados em pelo menos três cidades da Zona Sul (Foto: Divulgação - DP)

Casos de raiva em animais de grande porte já foram registrados em pelo menos três cidades da Zona Sul (Foto: Divulgação - DP)

Registros de raiva herbívora em duas cidades da Zona Sul ligam um alerta para surto da doença em animais de produção. Sem notificação há alguns anos no Estado, um caso de raiva urbana em animal doméstico de Rio Grande também aciona sinal vermelho. Em Pelotas, a presença de transmissores foi confirmada, entretanto casos em cachorros e gatos não foram registrados. 

Transmitida por morcegos hematófagos, identificados há cerca de dois anos no Rio Grande do Sul, a raiva herbívora é transmitida somente a animais de grande porte, como equinos e bovinos, e pode contaminar humanos por meio da saliva, ato agressivo e carcaças contaminadas. Em decorrência do aumento crescente de casos, a Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural emitiu no último mês um alerta em que foram apontados focos em 24 cidades, sendo duas delas na Zona Sul.

Segundo a Inspetoria Veterinária Regional, em Canguçu desde o início do ano foram registradas dez mortes de animais de produção em quatro propriedades. Já em São Lourenço do Sul houve a confirmação da doença em duas propriedades, ocasionando a morte de três animais. Na cidade de Turuçu um caso suspeito está em análise. Em Pelotas, a prefeitura confirmou a presença de morcegos positivos para raiva e afirmou que em 2021 foram registrados dois animais infectados, mas negou possível transmissão da doença a cachorros, gatos e humanos.

De acordo com o veterinário Rodrigo Dummer, por se tratar de um transmissor capaz de atingir longo alcance, o perigo dobra. “Como o morcego voa de 30 a 80 quilômetros de raio, ele não precisa ser identificado em uma cidade para que os casos comecem a aparecer, ele pode ir aos municípios ao redor. O papel da inspetoria veterinária das regionais é fundamental para achar estes que causam o problema da raiva”, explica.

Juntamente com o combate ao morcego, a vacinação é a única forma, apontada pelo profissional, de prevenção. Entretanto esta não é obrigatória e nem disponibilizada pelo Estado. “A partir do momento que os animais são vacinados, os surtos param de acontecer. Acontece que em outras épocas, quando se vacinou, os surtos pausaram, então as propriedades rurais param de vacinar e os surtos voltam.” Segundo Dummer, as vacinas devem ser aplicadas mensalmente, mas com falsas perspectivas de erradicação as doses começaram a ser ministradas de forma exporádica.

O veterinário orienta ainda que, com o aparecimento dos primeiros sintomas, o animal deve ser imediatamente afastado do restante do rebanho. Dentre as características da raiva herbívora estão apatia, perda de apetite e paralisia. Em cerca de dez dias o gado morre. “A raiva, quando está declarada em um animal, não tem cura, pois não existe tratamento. É uma doença de notificação obrigatória. Logo, se a pessoa possui alguma propriedade rural e com caso que tenha sintomatologia nervosa, ela precisa avisar”, afirma.

Raiva urbana também em alerta

Sem notificação há anos no Estado, o resultado positivo para amostra de raiva urbana canina em Rio Grande tem deixado a cidade em alerta. Foi no início do mês no bairro Vila São Paulo, próximo à zona central, após solicitação de uma clínica veterinária particular que suspeitou de sintomas apresentados. Assim como a herbívora, a do tipo urbana também pode ser transmitida a humanos através de mordedura, arranhadura e/ou lambedura.

Diante do registro, a prefeitura do município divulgou nota anunciando ação de prevenção por meio do bloqueio vacinal único em animais tutelados, comunitários ou errantes, que estejam num raio de 300 metros a partir da residência do tutor do cão que testou positivo para o vírus, além da disponibilização de informações e orientações.

Com o risco elevado para a saúde pública, a forma mais eficaz de prevenção é manter a vacinação dos animais domésticos em dia, bem como evitar o contato destes com animais silvestres e, em caso de possível contato com a doença, procurar atendimento imediato. Conforme explica a chefe da Vigilância Ambiental em Saúde, Isabel Madrid, é recomendado que os animais recebam anualmente a vacina antirrábica. Ela alerta que a população não deve tocar em morcegos, pois só um exame pode identificar se o animal está contaminado pela raiva. Caso seja preciso, é indicado usar luvas de couro. Para mantê-lo preso até que a equipe do Centro de Zoonoses chegue ao local para recolher, a orientação é que seja colocada uma caixa ou balde em cima, com a boca virada para baixo.

Em Pelotas, o último caso de raiva urbana em cão foi notificado em 1985. Entretanto, o município possui um Programa de Prevenção e Controle da Raiva, envolvendo o Centro de Controle de Zoonoses e a Vigilância Epidemiológica. Este desenvolve ações como a observação de dez dias de cães e gatos envolvidos em agressão a humanos, evitando a necessidade de vacinação da pessoa agredida e em caso de ataque de animais silvestres o paciente é imediatamente encaminhado para receber soro e vacina.

O programa também institui que animais domésticos que tiveram contato com morcegos precisam ser vacinados e observados durante seis meses e há o monitoramento da circulação da raiva através do envio de amostras ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Eldorado do Sul.


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