Pandemia

Casos de Covid devem aumentar 219% até o Natal

Furg e IFRS divulgam boletins semanais sobre a situação da epidemia nos municípios de Pelotas e Rio Grande

04 de Dezembro de 2020 - 10h16 Corrigir A + A -
Simulador. Modelo aponta que Pelotas deverá chegar aos 
18,3 mil casos no próximo dia 25

Simulador. Modelo aponta que Pelotas deverá chegar aos 18,3 mil casos no próximo dia 25

Pelotas deverá ultrapassar a marca dos 18,3 mil casos confirmados até o Natal, um acréscimo equivalente a 219,33% se comparado aos 8.371 registrados até o último dia 26. Em 30 dias Rio Grande deve chegar aos 8,5 mil contaminados. O alerta, feito ontem em um boletim divulgado pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), chama a atenção para a necessidade de adoção de medidas nesses municípios para tentar conter a curva.

O estudo faz faz parte do modelo matemático (dinâmico), desenvolvido nos meses iniciais da pandemia, que serviu de base para as análises envolvendo estudos com dados reais da região de Hubei (China), de várias regiões da Espanha, Nova York e mais 11 cidades brasileiras, sendo nove grandes capitais e duas cidades menores (Pelotas e Rio Grande).

Professores da Furg e do IFRS estão divulgando semanalmente boletins informativos sobre a evolução da epidemia por Covid-19, especificamente para as cidades de Pelotas e Rio Grande, incluindo previsões para o crescimento do número de casos. Segundo os professores responsáveis - Sebastião Gomes e Igor Monteiro, do Instituto de Matemática, Estatística e Física da Furg, e Carlos Rocha, do IFRS -, o recente agravamento da situação epidêmica na Zona Sul os levou à decisão de divulgação dos boletins informativos.

A realização de simulações envolve os seguintes processos: os dados reais da epidemia na cidade passam por uma fase inicial de processamento; posteriormente estes dados processados são inseridos no sistema de identificação paramétrica; uma vez os parâmetros do modelo identificados, estes são atualizados no modelo e, posteriormente, realizam-se simulações e análises de cenários. No gráfico são mostrados resultados para Pelotas, com os dados reais obtidos no último dia 26.

O ponto em vermelho correspondem ao número acumulado de casos reais, enquanto a curva em azul é a simulação com o modelo. A continuação da curva em azul para além do ponto em vermelho corresponde à previsão para os próximos 30 dias. O modelo prevê que Pelotas passará de 8.371 casos confirmados em 26 de novembro para 18.360 em 25 de dezembro, enquanto Rio Grande passará de 5.639 casos confirmados também no último dia 26 para 8.554 no Natal. “Estas previsões poderão se confirmar se não houver mudanças nas situações atuais dos municípios, principalmente correlatas ao isolamento social”, alertam os pesquisadores.

Em aceleração nas duas cidades

O parâmetro mais significativo de uma epidemia é o Índice de Reprodução Basal (R0). No dia 26 Pelotas estava com R0=1,23 (significa que cem novos infectados contaminam 123 outros indivíduos, ou seja, a contaminação está com aceleração positiva). No Rio Grande estava com R0=1,19 (cem novos infectados transmitem para outras 119 pessoas). O ideal é que o índice R0 esteja inferior a 1, provocando assim desaceleração no crescimento do número de casos e, para que isso ocorra, são necessárias medidas de prevenção, sendo a principal delas a ampliação do isolamento. O distanciamento social em lugares públicos, o uso obrigatório de máscaras e atitudes frequentes de higienização das mãos também contribuem para a diminuição do índice R0.
Um aplicativo desenvolvido pelos pesquisadores das duas instituições está disponível gratuitamente para download, o Simcovid 2.0, com o qual o usuário não precisa ser especialista em matemática ou computação para realizar suas próprias simulações e análises de cenários.

O app pode ser baixado em http://sites.riogrande.ifrs.edu.br/simcovid/.


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