Greve

Caminhoneiros ameaçam paralisação a partir de 1º de novembro

Estado de greve só deverá chegar ao fim se o governo federal atender as demandas da categoria

18 de Outubro de 2021 - 19h21 Corrigir A + A -
Estado de greve foi declarado no último sábado, governo federal terá 15 dias para tomar uma posição

Estado de greve foi declarado no último sábado, governo federal terá 15 dias para tomar uma posição

Desde o último sábado, caminhoneiros de todo o país decretaram estado de greve e prometem paralisação a partir do dia 1º de novembro, caso o governo federal não atenda uma lista de reivindicações da categoria. Entre as demandas estão o estabelecimento de um frete mínimo e a redução no preço dos combustíveis. De acordo com o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Bens de Rio Grande (Sindicam-RG) profissionais da Zona Sul estarão unidos no ato.

É a primeira vez desde o início do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) que entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), o Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC) e a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) se colocam publicamente a favor de uma greve. A decisão pelo indicativo de paralisação se deu após uma reunião no último sábado, no Rio de Janeiro, durante o ll Encontro Nacional dos Caminhoneiros.

O principal motivo é a insatisfação com a falta de atendimento do governo federal às pautas da categoria, tais como o pedido de redução no preço do diesel e revisão da política de preços da Petrobras, o Preço de Paridade de Importação (PPI), a constitucionalidade do Piso Mínimo de Frete, o retorno da Aposentadoria Especial com 25 anos de contribuição ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), a inclusão do desconto do INSS pago pelos caminhoneiros na Lei do Documento de Transporte Eletrônico, a aprovação do novo Marco Regulatório do Transporte Rodoviário de Cargas, o aperfeiçoamento na proposta do voto em trânsito no Senado e a criação de pontos de parada e descanso.

Conforme explica o presidente do Sindicam-RG, Dieck Sena, as demandas são as mesmas de 2018. À época, para dar um fim à paralisação, o governo de Michel Temer sancionou a Medida Provisória (MP) do Frete, a qual criou uma tabela de valores - esta que a categoria agora busca por reajustes - e concedeu subsídio público ao diesel. "Pauta é o que não falta. São assuntos pedidos lá em 2018, na última paralisação, e estamos até agora buscando por elas. Uma delas é o julgamento na constitucionalidade do piso mínimo do frete, que está na mão do STF e ainda não foi decretada. A gente quer que votem, que seja deferido ou indeferido, queremos apenas uma resposta", defende.

A única definição concreta é que se em 15 dias - prazo que começou a ser contado no último sábado - não houver uma sinalização positiva ou uma conversa com líderes do setor, os caminhoneiros começarão a greve, sem tempo estipulado de duração. "Acreditamos que a partir dessas reuniões que estamos organizando com as entidades, a próxima por exemplo acontecerá aqui no Estado, em Canoas, no dia 20 de outubro, ela [paralisação] irá ganhar força. Ou nos atendem, ou não tendo sinal do governo a categoria vai aderir à paralisação", afirma Sena.

Traição

Em entrevista realizada no domingo, Carlos Alberto Litti Dahmmer, diretor da CNTTL, afirmou que o governo federal não atendeu as demandas apresentadas pelo setor e que a categoria se sente traída. "70% da categoria acreditou nas propostas do governo e se considera traída por [Bolsonaro] não ter cumprido", declarou ao site Poder360. Ele ainda pontuou que "a paralisação não é política, e sim econômica". "Nós estamos a favor da categoria. É que às vezes se confundem que estar a favor da categoria é estar contra o governo", finalizou.

Possíveis soluções

O intermédio entre o governo federal e os profissionais está sendo realizado pelo deputado federal Nereu Crispim (PSL), presidente da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, que conta com outros 272 deputados federais e 22 senadores. Dentre as ações, no último mês a Frente publicou um documento pedindo a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Combustível. No documento, há a afirmativa que "[...] existe solução para equilibrar esses preços, o que falta é uma administração coerente". O texto ainda aponta que "se a Petrobras praticasse preço de paridade internacional, as refinarias estariam operando a plena carga e as importações dessa ordem não seriam necessárias".

Ontem, a Frente enviou ofício aos chefes dos poderes Executivo e Legislativo, dando conhecimento de seu interesse em auxiliar a encontrar um acordo entre os representantes dos caminhoneiros e o governo federal, a fim de evitar a paralisação. No documento é citada a insatisfação da categoria diante das políticas de preços do petróleo e os constantes aumentos. "Perante a atual crise econômica que assola o país, mesmo que a motivação dos caminhoneiros seja legítima, uma paralisação dessa amplitude será muito prejudicial à economia, com impacto à inflação e ao desenvolvimento social e industrial", pontua o parlamentar.


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