Estiagem

Baixa nos reservatórios atinge lavouras de arroz

Produtores estão poupando água das barragens para fazer o recurso ser suficiente até o final do período de irrigação

15 de Janeiro de 2022 - 12h09 Corrigir A + A -
Se a lâmina de água secar a lavoura terá prejuízo (Foto: Infocenter DP)

Se a lâmina de água secar a lavoura terá prejuízo (Foto: Infocenter DP)

Por Gabriela Borges
web@diariopopular.com.br

Faltando um mês para a 32ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, o nível raso dos reservatórios em Pelotas tem feito os produtores repensarem o uso da água em suas lavouras. A escassez é resultado da estiagem que atinge a região desde o começo de dezembro.

Fernando Rechsteiner, presidente do Sindicato Rural do município e produtor de arroz há 35 anos, explica que a situação tem impedido que a irrigação de seus 1,2 mil hectares seja realizada diariamente, mesmo tendo barragem própria que faz com que os impactos da escassez sejam minimizados. "Essa barragem é o que sustenta a água na nossa lavoura. Ela está bastante baixa em função das poucas chuvas. Estamos poupando, irrigando só em determinados períodos a lavoura, justamente contando com essas chuvas abaixo da média." Segundo o produtor, a expectativa é poupar o recurso para chegar com nível suficiente até o fim do período de irrigação, que termina em fevereiro. Caso isso aconteça, ele acredita que pode evitar prejuízos à produtividade.

Não é o mesmo caso de quem depende somente das águas da Lagoa dos Patos ou do arroio Pelotas para dar conta do desenvolvimento do que foi plantado. Em Boletim Integrado de Estiagem divulgado na tarde de sexta-feira, o Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) indica que a situação das lavouras continua se agravando à medida que as chuvas não retornam na região. O documento destaca que a salinidade está alta e há produtores parando seus levantes na expectativa da chuva. Neste sentido, Rechsteiner também se preocupa com a água salgada. "Se não vier chuva que empurre essa água salgada, há um risco maior de prejuízo", salienta.

Evaporação rápida

Apesar da cultura ser beneficiada pelo clima quente e seco, o verão com temperaturas muito altas tem feito a água evaporar rapidamente, exigindo mais atenção. "O cuidado que tem que ter é manter a lâmina de água. Se essa lâmina de água secar, aí sim a lavoura tem prejuízo", frisa o presidente do Sindicato Rural.

Segundo Flávia Tomita, diretora técnica do Irga, o Rio Grande do Sul sofre com estiagens recorrentes, mas os produtores já aprenderam a fazer a boa gestão de seus recursos hídricos, bem como o manejo do solo antecipado e a semeadura na época correta. Por isso, prevê uma safra muito parecida com a de 2020/21. Ela explica que, como a maioria das propriedades dispõe de seus próprios recursos hídricos, ainda não é momento de alarde.

"Devemos separar recursos hídricos subterrâneos dos recursos hídricos por captação de rios e barragens. Em relação à disponibilidade de água, os recursos são suficientes tanto para abastecimento humano, quanto para a lavoura", aponta, dizendo que é muito cedo para estimar perdas. "Na cultura do arroz irrigado as perdas podem ser pontuais, mas isso dependerá das chuvas que estão por vir", pondera.

De acordo com o Boletim Integrado Agrometeorológico da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, a previsão é que de na próxima semana, entre segunda e quarta-feira, os volumes oscilarão entre 50 e 65 milímetros na Zona Sul. Caso a precipitação não seja suficiente até fevereiro, o diretor comercial do Irga, João Batista Gomes, diz que a estiagem pode comprometer o preço da saca de arroz. "Não significa que vá acontecer, mas pode. Quando tivermos uma estimativa de perda mais real, iremos avaliar."

Se for ao contrário, chuva demais não é problema. Flávia observa que a orizicultura é ligada ao clima e, por isso, a chuva é bem-vinda a qualquer momento. "A cultura do arroz irrigado se desenvolve dentro de ciclos, assim a chuva não atrapalha", aponta.

Recomendações aos produtores

Em boletim publicado em janeiro, com previsão para os próximos três meses, o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do RS (Copaaergs) recomenda que os produtores racionalizem o uso da água disponível através de técnicas de manejo adequadas, com movimentação mínima da água nos quadros de irrigação e a manutenção de baixas lâminas.

Já a diretora técnica do Irga aponta que antecipar-se ao problema é importante, fazendo a previsão das áreas a serem semeadas e a boa gestão da lavoura, como o instituto orienta.

Evento acontece em fevereiro

A 32ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas acontece entre os dias 16 e 18 de fevereiro na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão. O evento é promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), com apoio do Irga, Embrapa e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Estão previstas atividades online e presenciais, que girarão sobre o eixo "A produção de alimentos no pós-pandemia. Novos patamares, novos desafios". O objetivo é oportunizar a integração e o desenvolvimento do setor agrícola da região sul do Estado.


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