Alternativa

Aulas remotas a partir de segunda-feira

Mesmo com a possibilidade autorizada pelo governo, nem todos os educandários recomeçarão nesta data

29 de Maio de 2020 - 08h38 Corrigir A + A -
Salas de aula, por enquanto, seguem vazias (Foto: Moizés Vasconcellos - Infocenter - DP)

Salas de aula, por enquanto, seguem vazias (Foto: Moizés Vasconcellos - Infocenter - DP)

Com o anúncio do retorno das aulas de forma remota feito pelo governador Eduardo Leite (PSDB) na tarde da última quarta-feira (27), muitos municípios precisaram repensar e criar estratégias para atender os alunos de forma efetiva. Entretanto, as cidades gaúchas têm a autonomia de acatar ou não a decisão. A Associação dos Municípios da Zona Sul (Azonasul) ainda não se reuniu para firmar um posicionamento, mas segue acreditando que aulas presenciais são inviáveis.

O presidente da Azonasul e prefeito de Arroio Grande, Luis Henrique Pereira classificou essa primeira fase da retomada como necessária, desde que seja tratada com cautela. “Sabemos desse desafio e estamos debatendo a situação, é muito difícil buscar uma solução para tudo isso”, completou. Pereira informou que os municípios que aderirem à recomendação já irão começar as atividades e reforçou que o ensino híbrido não é o mais eficaz, mas que no momento é o que pode acontecer. “Ainda essa semana convocaremos uma reunião da Azonasul com os representantes do Estado para tratar o assunto”, garantiu.

Em Rio Grande, cidade que conta com 77 educandários municipais e 34 de educação infantil privada que são regrados pelo município, optou por não aderir ao ensino a distância. O secretário de Educação, André Lemes, disse que a decisão foi tomada baseada em três pontos: o primeiro é que os professores não têm formação técnica para ministrar essas aulas, o segundo é que muitos docentes não possuem material de qualidade e acesso à internet e o terceiro é que muitos dos estudantes também não terão como conectar-se com o material. Lemes ainda salienta que das 23 mil matrículas ativas, sete mil são de alunos que vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza. “O ensino híbrido será o maior abismo de desigualdade educacional da história do Brasil”, acredita.

O responsável pela pasta explica que existe um comitê formado para discutir o retorno. No momento, o grupo trabalha na elaboração de um plano de contingenciamento que pensa na saúde dos alunos, destacando pontos como a higienização e infraestrutura para tornar a volta segura. Outra frente está cuidando da área pedagógica, definindo como será a recuperação do calendário e identificando alunos do grupo de risco, assim conseguem criar estratégias de atendimento diferenciadas. “Nesse momento precisamos pensar na saúde e na qualidade educacional”, frisou. No mais, o secretário garante que o município segue acompanhando as decisões do governo estadual, mas com a certeza que irá aderir somente as que caibam no contexto de Rio Grande.

Em Canguçu

No município com maior minifúndio da América Latina as aulas nunca pararam. O vice-prefeito, Cledemir Gonçalves, explica que um dia após a suspensão das atividades presenciais as escolas começaram com atividades remotas, e assim seguirão até o dia 15 de junho. A partir desta data, até o último dia do mês, haverá o recesso municipal. “Nesse tempo iremos fazer uma avaliação da situação”, disse. Por lá, cerca de 65% da população mora na zona rural e cinco mil alunos estão matriculados entre o primeiro e nono ano. Desses, Gonçalves garante que apenas 10% estão sem acesso aos conteúdos e o grande desafio é criar uma estratégia de recuperação. “Uma das possibilidades é começar a entregar de forma física as atividades”, ponderou.

Outro desafio enfrentado pelo município é o transporte escolar, já que são oito mil quilômetros de roteiro diariamente. Então, quando houver o retorno presencial, que está sendo planejado por um comitê montado pela prefeitura, terá que haver um modo de manter o distanciamento social entre esses alunos que dependem do serviço. “Mas estamos sem previsão de atividades presenciais”, frisou Gonçalves.

Cerrito com melhorias na internet

O assunto já vinha sendo discutido pelo município de Cerrito e pela empresa que presta o serviço de internet. Então, a partir de agora, a empresa ampliará a capacidade de upload e download sem custo adicional ao executivo. Inicialmente, as escolas São Miguel e Doutor Jacques da Rosa Machado irão disponibilizar um roteador de longo alcance, com abrangência de 700 metros no entorno das escolas para melhor atender os alunos nas aulas online. Na área rural do município, os educandários Ulisses Guastucci, Reinaldo Karnopp e Doutor Jaime Faria, receberão um ponto cada com uma velocidade ampliada, somente para atender os alunos nos laboratórios de informática para as aulas ministradas pelos professores durante a pandemia.

Pelotas segue em análise

O responsável pela Secretaria Municipal de Educação (Smed), Artur Corrêa, explica que essas aulas remotas já estão ocorrendo no município, mesmo com as dificuldades de acesso de uma parcela significativa de alunos. Entretanto não são trabalhados conteúdos novos, mas sim atividades que lidam com as competências sócio emocionais. Hoje, a Smed se reunirá com a Companhia de Informática de Pelotas (Coinpel) para discutir formas de melhorar e avançar neste aspecto. Em coletiva de imprensa na manhã de ontem, a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) frisou que precisa reunir-se com a Smed para preparar a rede para a volta. “Precisa de planejamento, de tempo para isso”, afirmou. A prefeita também reforçou que as escolas estão levando conteúdo para os alunos, mas que nada é computado como dia letivo, justamente porque há um desequilíbrio entre os alunos. É uma questão que precisa ser discutida amplamente na rede municipal com direções, professores, sindicato para a gente ver como vai levar”.

Em nota, o Sindicato dos Municipários de Pelotas (Simp) disse que vê com preocupação e indignação a possibilidade apontada pelo governo do Estado de retorno de aulas presenciais no âmbito das redes estadual e municipal. “Cogitar a possibilidade do retorno das aulas em meio ao crescimento do contágio é ameaçar a segurança e a saúde do povo pelotense e gaúcho”, afirmaram.

A titular da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (5ªCRE), Alice Maria Szezepanski, explica que a partir de segunda feira (1º) haverá a preparação das atividades que serão encaminhadas, como já vinha acontecendo. Em seguida, os alunos terão três dias para realizar a entrega. Paralelo a isso, a Secretaria da Educação (Seduc) estará incluindo alunos e docentes no ambiente virtual que reproduzirá o ambiente escolar, inclusive o espaço de recreação e a biblioteca. Essa plataforma abrigará o ensino básico - fundamental e médio. Alice esclarece que o novo formato também funcionará off-line, ou seja, quem não tiver acesso poderá retirar - ou a escola fará a entrega - das mesmas atividades. Entretanto, ela garante que a Seduc está trabalhando diariamente para que todos consigam acessar o ambiente virtual. 

Quando se trata do último ano dos cursos técnicos o direcionamento muda, pois os alunos precisam finalizar o estágio obrigatório para conquistar o diploma. Então, a partir do dia 15 eles irão iniciar as aulas presenciais. Os que trabalham com seres vivos terão as turmas divididas, obedecendo os protocolos de saúde. Os que não lidam diretamente com vidas irão obedecer a bandeira do seu município. Em caso de sinalização amarela ou laranja as turmas serão divididas. Se a bandeira for vermelha ou preta o grupo seguirá com as aulas suspensas.

O que diz o Sinepe?

Em nota, o sindicato do Ensino Privado do RS (Sinepe)  recomendou que as instituições sigam as determinações anunciadas pelo governo do Estado e que continuem oferecendo o ensino remoto no mês de junho, prática já adotada pelas escolas desde que iniciou a pandemia. Assim que governo estadual publicar a portaria com os protocolos de retorno, o Sinepe realizará reunião com as instituições associadas para análise da implementação das medidas.


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