Meio Ambiente

Aterro sanitário pode ser instalado no Capão do Leão

Proposta de instalação do empreendimento no município foi apresentada e um estudo de viabilidade está em fase de execução

23 de Maio de 2022 - 08h30 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

Área prospectada pela empresa fica na localidade de Figueirinha (Foto: Divulgação - DP)

Área prospectada pela empresa fica na localidade de Figueirinha (Foto: Divulgação - DP)

A fase ainda é de estudos, mas a possibilidade de instalação de um aterro sanitário no Capão do Leão já mobiliza moradores próximos à localidade idealizada para o empreendimento. A ideia de ter um depósito de resíduos perto de casa preocupa a comunidade de Figueirinha, no 4º Distrito do município. Apesar de a prefeitura leonense afirmar não existir pedido oficial para o aterro, a empresa interessada - Companhia Riograndense de Valorização de Resíduos (CRVR) - já contratou estudo para garantir licença prévia. A área em evidência fica próximo à represa Moreira, em Pelotas. Há cinco anos, a mesma CRVR tentou instalar o aterro em Pelotas, mas uma lei municipal impediu.

Em agosto do ano passado, o prefeito Vilmar Schmitt (PP), acompanhado de alguns vereadores, visitou as instalações de Minas do Leão, onde foi apresentado ao funcionamento do aterro sanitário daquela cidade. Oito meses depois, a comunidade de Figueirinha foi comunicada do interesse em empreendimento semelhante no local, após receber informativo da CRVR explicando o processo e se colocando à disposição para esclarecimentos. Entre os moradores, há um misto de insatisfação, dúvidas e até certa conformação. "Se tiver que ser...", diz uma moradora da localidade ouvida pela reportagem sob condição de não ser identificada. Segundo ela, tudo que recebeu de informação até o momento foi um papel.

O descontentamento com a possibilidade de ter um lixão na região já levou representantes da comunidade até a prefeitura que, diante das dúvidas, entrou em contato com a CRVR para tentar amenizar a situação. Hoje está prevista a viagem de uma nova comitiva de Capão do Leão até até Minas de Leão, incluindo cerca de 20 moradores, representantes da área ambiental da prefeitura e integrantes do Legislativo.

Dúvidas e perspectivas

"No início até fui contra, mas entrei no YouTube, assisti alguns vídeos da empresa para conhecer e talvez não seja tão ruim. A empresa vai nos disponibilizar uma visita no aterro já em funcionamento para nosso conhecimento. Depois disso que poderemos ter uma opinião mais formada", explicou a moradora, Lilian Cruz Costa, técnica em Química. Para ela, a geração de renda e de emprego é ponto positivo. "Sendo tudo dentro das regras, eu acho que talvez seja uma boa para nossa região."

O vice-prefeito Jeferson Luiz Antuarte (PSD) diz entender a preocupação da comunidade porque, diz, quando se fala em aterro logo vem a imagem de um lixão a céu aberto. "Por isso a empresa se prontificou a levar os principais interessados para mostrar o processo", aponta. Ele garante não haver até o momento pedido de licenciamento ambiental junto à prefeitura. Logo, a contratação da Geoprospec Geologia e Projeto Ambientais por parte da CRVR deve ser, segundo ele, apenas uma etapa de estudos.

Tentativa de solução

Em nota, a assessoria de comunicação da CRVR diz que a preocupação da empresa é resolver a questão do lixo em Pelotas. A companhia argumenta que, dentre os municípios de médio e grande porte do Estado, a cidade é a que tem o maior custo com transporte e destinação final do Estado. "Desde o fechamento do antigo aterro da cidade, não se criou uma alternativa de destinação ambiental e economicamente viável", indica a empresa. "As soluções de tratamento de resíduos regionais, e que atendam as metas do Planares [Plano Nacional de Resíduos Sólido] precisam ser promovidas na região, seja pela iniciativa privada ou pelos municípios de forma consorciada", complementa.

Entenda

Não é a primeira vez que a companhia tenta instalar um aterro sanitário na Zona Sul. Em 2017, projeto semelhante foi apresentado ao então prefeito de Pelotas, Eduardo Leite (PSDB) e esteve prestes a ser instalado. No entanto, enfrentou resistência da comunidade de Cerrito Alegre, onde ficava o local escolhido. Durante os trâmites entre CRVR e prefeitura, um parecer do Ministério Público apontou que a área de instalação era inadequada.

Na Câmara de Vereadores, o discurso contrário ao empreendimento teve participação de deputados estaduais. Mas foi a partir da Lei Municipal 6.547/2018, proposta pela então vereadora Zilda Bürkle (à época no PSB, depois filiada ao PSDB), aprovada pela Câmara, que o projeto tornou-se inviável em Pelotas. A norma alterou a Lei Municipal 4.594/2000, passando a proibir que o município recebesse resíduos sólidos ou semissólidos oriundos de outras cidades, pondo fim às conversas entre a companhia e o governo local.

Previsão

A reportagem solicitou à empresa CRVR mais detalhes sobre o empreendimento idealizado para Capão do Leão, mas até a conclusão desta reportagem não houve retorno. Conforme as informações prévias já divulgadas, o aterro sanitário teria capacidade prevista para receber até 700 toneladas por dia, podendo atender 20 municípios da região, incluindo Pelotas e Rio Grande. Atualmente, o lixo produzido nos municípios é transportado de caminhão até Candiota, na região da Campanha, a 115 quilômetros de Pelotas.


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