Pets

Atenção redobrada com a chegada do inverno

Mudanças de temperatura demandam cuidados especiais por parte dos tutores e respeito às necessidades de cada espécie

23 de Junho de 2022 - 18h01 Corrigir A + A -
Raças como bulldog têm um alto risco de desenvolver problemas respiratórios (Foto: Pixabay - Divulgação)

Raças como bulldog têm um alto risco de desenvolver problemas respiratórios (Foto: Pixabay - Divulgação)

Faça chuva ou sol, frio ou calor, não importa o período do ano, quem assumiu o compromisso de conviver com um animal de estimação precisa estar atento às necessidades e adaptações necessárias para uma guarda responsável. Com a chegada do inverno na última terça-feira, a atenção dos tutores para manter a saúde dos pets deve ser redobrada. As mudanças de temperatura demandam cuidados especiais para cada espécie.

No frio, assim como ocorre com humanos, o corpo dos animais gasta mais energia para ser aquecido, reduzindo a capacidade de defesa do organismo - situação que pode ser agravada por uma série de fatores, como ambientes fechados ou expostos demais ao vento e chuva, falta de higiene e descuido com a ingestão de alimentos e hidratação.

O inverno brasileiro se caracteriza por oscilações consideráveis de temperatura, fato que exige observação constante do tutor e sensibilidade para fazer as adaptações necessárias. É o que sugere a veterinária Rosângela Gebara.

Com especialização em Bem-estar Animal e Bioética, ela ressalta que, quando levada em consideração a senciência dos animais, ou seja, a capacidade de ter sentimentos como a dor, fica mais evidente a relevância dos cuidados que, segundo ela, são essenciais para prevenção de gripes, resfriados, doenças respiratórias além das dores relacionadas aos problemas osteoarticulares.

Queda brusca de temperatura, vento e chuva, enfatiza Rosângela, “exigem reforço na proteção de todos os animais”, principalmente filhotes e idosos, por serem mais sensíveis.

Doenças respiratórias
Em razão do ar frio que causa constrição nas vias aéreas, algumas raças são mais propensas às doenças respiratórias. Pugs, bulldogs e outras raças braquicefálicas já têm um alto risco de problemas que podem ser agravados no frio.

Uma abordagem segura seria evitar hiperatividade externa, pondera o veterinário Marcio Mota. “É interessante manter o animal dentro de casa com uma temperatura confortável, sem estar muito quente, e com uma umidade controlada para não causar impacto térmico no contato com ambientes mais frios.”

Para Mota, que também é presidente da Associação Nacional de Médicos-veterinários, as raças de clima frio, como huskies, malamutes e newfoundlands, geralmente se saem muito bem em temperaturas mais baixas. “No entanto, algumas raças como doberman, boxer ou galgos sofrem mais”, aponta.

Limites e humanização
Mota lembra, ainda, que cães pequenos, como poodle, maltês, yorkshire, dachshund e outros, costumam sofrer com dores articulares e de coluna. Outros, como pinscher, whippet e fox paulistinha geralmente sentem frio e o uso de roupinhas pode ser muito adequado para evitar os efeitos das temperaturas baixas.

Quanto o nível de cuidado, Rosângela enfatiza que o bom senso será sempre o melhor recurso para quem tem dúvidas quanto às escolhas feitas pelo tutor. “Colocar uma roupinha confortável para aquecer animais que não possuem um pelame compatível para protegê-los de baixas temperaturas e evitar que os animais fiquem ao relento, não é humanizar. Devemos sempre protegê-los do frio, vento, chuva.”

Para a profissional, os tutores devem respeitar a fisiologia e o comportamento natural da espécie sob sua responsabilidade, evitando ao máximo a antropomorfização (atribuir valores humanos aos animais) e trabalhando para garantir níveis elevados de bem-estar.

“Os veterinários cumprem um papel importante em educar os tutores sobre as reais necessidades de cada espécie. Um cão não precisa de perfume, pelo pintado ou determinados acessórios sem função alguma para seu bem-estar, mas, por exemplo, um cão sem pelo ou sub-pelo pode sentir muito frio ao passear na rua quando a temperatura estiver abaixo de 15°C e, neste caso, será benéfico usar uma roupinha quentinha e confortável”, defende Rosângela.


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