Força-tarefa

Atenção redobrada às queimadas

Ecosul, PRF, Patram e Corpo de Bombeiros lançam a campanha “Queimar apaga o futuro”

03 de Dezembro de 2020 - 10h52 Corrigir A + A -
Além da visibilidade reduzida por conta da fumaça, somam-se os danos à fauna e à flora (Foto: Divulgação - Bombeiros)

Além da visibilidade reduzida por conta da fumaça, somam-se os danos à fauna e à flora (Foto: Divulgação - Bombeiros)

Neste ano foram registrados 523 incêndios em campos da região, alta de 104% em relação ao ano passado (Foto: Divulgação - Bombeiros)

Neste ano foram registrados 523 incêndios em campos da região, alta de 104% em relação ao ano passado (Foto: Divulgação - Bombeiros)

Os riscos de incêndios próximos às rodovias são inúmeros, o que dirá em tempos de estiagem. Com o objetivo de sensibilizar a comunidade sobre as consequências das queimadas, a Ecosul somou forças e lança nesta sexta-feira (4), às 8h30min, através de live no YouTube, a campanha “Queimar apaga o futuro”. A força-tarefa é uma parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Corpo de Bombeiros e Comando Ambiental da Brigada Militar, através do Batalhão de Polícia Ambiental (Patram). O principal objetivo da iniciativa é sensibilizar a comunidade sobre os riscos e as consequências do uso de fogo nas proximidades das faixas de domínio das rodovias.

Segundo a analista de sustentabilidade da concessionária, Silvana Grupelli, é neste espaço, na faixa lateral das pistas da rodovia, que a concessionária tem identificado com frequência focos de incêndio provocados principalmente pela queima de lixo e práticas de agricultura, por vezes de forma irregular. “A conduta é considerada crime pela Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal 9.605/98) e proibida pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal 12.305/10), podendo ainda gerar incêndios de grande proporção”, alerta Silvana.

Nos últimos três anos foram registradas 329 ocorrências de incêndio no Polo Rodoviário Pelotas. Segundo o coordenador de tráfego da Ecosul, Nicolau Delucius, uma das consequências destes eventos é o risco para segurança dos usuários, na medida em que a fumaça pode impactar sensivelmente na visibilidade dos motoristas. “Pode gerar sérios acidentes como colisões e engavetamentos”, destaca. Além deste fator, existe o comprometimento à biodiversidade pela destruição da vegetação, impacto na fauna local, emissão de poluição na forma de fumaça e gases de efeito estufa. “Quando acontecem estes eventos sabemos que as moradias e empresas estabelecidas nas proximidades podem ser atingidas”, complementa Silvana.

Com o propósito de prevenir e buscar o auxílio da comunidade, o grupo de forças que integra a campanha fará ações de conscientização, visitando os lindeiros nos locais que são considerados “pontos críticos” nos trechos que compõem o Polo Pelotas. “Existem locais de maior incidência de incêndios e vamos conversar com os moradores para que quando verifiquem situações irregulares, acionem os canais de contato e denunciem”, diz Silvana.

Parceiros experientes

O comandante do 3º Batalhão de Bombeiro Militar (3ºBBM), tenente-coronel Everton de Souza Dias, alerta que com a proximidade do verão a preocupação com incêndios em vegetação aumenta bastante. Segundo dado da corporação, nos últimos anos a Zona Sul teve crescimento significativo no número de ocorrências deste tipo. “Somente entre os dias 1º de janeiro e 23 de novembro de 2020 foram registradas 523 ocorrências de incêndio em vegetação nos municípios de Rio Grande, Pelotas, Canguçu, São Lourenço do Sul, Arroio Grande e Jaguarão”. No mesmo período do ano de 2019 foram 256 ocorrências, o que aponta um aumento de mais de 104% no número de atendimentos nestes municípios. “Sabemos que o tempo quente e a baixa umidade contribuem para a rápida propagação deste tipo de incêndio, mas a ação humana ainda é a maior causa”, observa.

Com a previsão de estiagem a preocupação aumenta. O chefe da Delegacia da PRF de Pelotas, inspetor Fabiano Goia, entende ser importante a ação integrada entre os órgãos. Ele destaca que as bitucas de cigarro descartadas pelos usuários a partir da janela dos veículos em circulação, muitas vezes são responsáveis por grandes focos de incêndio nas margens das rodovias. “Neste norte, fica a reflexão de que todos somos responsáveis por nossas ações, devendo compreender o impacto ambiental gerado à fauna e à flora, bem como os riscos à segurança viária associados às queimadas”, destaca Goia.

O capitão André Avelino, comandante da Patram Região Sul, faz coro sobre os riscos das bitucas de cigarro também nas paradas de ônibus ao longo das estradas. “O descarte irregular de lixo é um fator preponderante de risco”, complementa. Ele lembra que com a estiagem os animais silvestres também buscam alternativas de sobrevivência em outros locais e muitas vezes cruzam as rodovias em situações de incêndio. As ações da campanha seguem divulgadas pelos canais de comunicação da Ecosul com objetivo da construção de uma cultura de prevenção.

Queimar é crime

O artigo 250 do Código Penal preconiza que a queima de qualquer material em ambiente aberto é considerada crime e, neste sentido estabelece para quem provocar incêndio, expondo a perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outras pessoas, possibilidade de reclusão de três a seis anos, além de multa.

Para acompanhar o lançamento virtual da campanha:

Sexta-feira, às 8h30min, direto da sede da Ecosul
Acesso público através do canal do YouTube

Basta digitar “Ecosul grupo ecorodovias” ou acessar o link: www.youtube.com/channel/UCNvxXH4voirnwRBeJ7mSwHw/live


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