Mobilização permanece em alta!

Às vésperas de ir a plenário, governo altera proposta para o Magistério

Novo texto foi apresentado em almoço para base aliada, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini

12 de Dezembro de 2019 - 20h31 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Pacote da Morte, como foi batizado, ganhou até personagem nesta quinta-feira, em manifesto em frente à 3ª CRS (Foto: Jô Folha - DP)

Pacote da Morte, como foi batizado, ganhou até personagem nesta quinta-feira, em manifesto em frente à 3ª CRS (Foto: Jô Folha - DP)

Ato contou com trabalhadores da Saúde, da Educação e da Agricultura (Foto: Jô Folha - DP)

Ato contou com trabalhadores da Saúde, da Educação e da Agricultura (Foto: Jô Folha - DP)

Em contato com a comunidade, servidores explicam as razões da greve (Foto: Jô Folha - DP)

Em contato com a comunidade, servidores explicam as razões da greve (Foto: Jô Folha - DP)

Novo texto foi apresentado pelo governador Eduardo Leite a 33 deputados da base aliada, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini (Foto: Jô Folha - DP)

Novo texto foi apresentado pelo governador Eduardo Leite a 33 deputados da base aliada, no Galpão Crioulo do Palácio Piratini (Foto: Jô Folha - DP)

A cinco dias de o pacote de medidas do Governo Leite entrar em votação na Assembleia Legislativa, uma nova proposta para o Magistério foi apresentada a 33 deputados da base aliada. O substitutivo cria um nível a mais, ao desmembrar as habilitações de mestrado e doutorado, e passa de 52% para 75% a variação entre o início e o fim da carreira. Os valores das remunerações também foram alterados. O Palácio Piratini já faz projeções de aumentos salariais até 2022. Agora resta saber o quanto a nova versão irá ampliar o poder de mobilização de outras categorias, que poderão elevar a pressão em busca de possíveis avanços a todo o funcionalismo.

A direção estadual do Cpers-Sindicato ainda não se pronunciou oficialmente. A expectativa é de que o novo texto amplie ainda mais a participação de professores e funcionários de escola em assembleia geral agendada para a próxima terça-feira, em Porto Alegre. "Temos que analisar tudo com muita calma", explica o diretor do 24º Núcleo do Cpers-Sindicato, Mauro Amaral. "Pode ser um grande jogo de números, pra passar a impressão que melhorou a proposta, mas ainda significar perdas em relação ao que temos hoje com nossos triênios e quinquênios, que serão retirados, ao se transformar em parcela autônoma", exemplifica.

Ao se pronunciar, em almoço no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, o governador Eduardo Leite (PSDB) reafirmou as razões para receber o apoio do Legislativo: "A forma de remuneração atual, com o valor da tabela e diversas gratificações e acréscimos, dificulta qualquer reajuste salarial", argumenta. "Esse novo plano traz mais incentivos aos profissionais, melhorando o processo de qualificação e a valorização por mérito, e traz mais transparência ao processo de reajuste de remunerações".

Leite ainda reiterou a viabilidade de o novo Plano de Carreira do Magistério ser apreciado em plenário, na próxima semana. E, ao defender a urgência da votação, reafirmou que o intuito das novas normas seria obter o equilíbrio das finanças gaúchas.

Apelo segue o mesmo: pela retirada do pacote
Enquanto isso, na manhã desta quinta-feira (12), o recado ao governo voltou a ecoar das ruas de Pelotas. "Governador muda de ideia. Retira logo o pacote da Assembleia". Servidores das áreas de Educação, Saúde e Agricultura, em greve, realizaram ato em frente ao prédio da 3ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), na avenida Fernando Osório. Com faixas, cartazes, bandeiras, apitos, cornetas e até uma fantasia para simbolizar o Pacote da morte, os trabalhadores usaram o microfone e entregaram material informativo para fazer ecoar uma mesma posição: não são os responsáveis pela crise financeira do Rio Grande do Sul - sustentam.

Mais uma vez, os servidores destacaram que o combate à sonegação de impostos de grandes empresários e a revisão da política de isenção fiscal seriam dois caminhos fundamentais para reforçar o caixa e poder voltar a investir.

Conheça alguns detalhes da nova versão do projeto do Magistério
- A carreira passaria a contar com seis níveis, com o desmembramento entre mestrado e doutorado
- A variação entre o início e o fim da carreira passaria de 52% para 75%
- O aumento no salário dos professores seria de 19,8% em três anos e há a promessa de concurso público
- A nova tabela para o regime de 40 horas semanais de trabalho prevê remuneração que varia de R$ 2.717,15 (para Classe A, do Magistério) a R$ 4.752,42 (para Classe F, do Doutorado), em 2020. Em 2021, a variação entre as duas pontas da carreira oscilaria de R$ 2.885,61 a R$ 5.047,07. Em 2022, os valores iriam de R$ 3.064,52 a R$ 5.359,99. Pelo texto protocolado em 13 de novembro, o valor do subsídio seria de R$ 2.557,80, para a Classe A do Magistério, e de R$ 3.887,30, para a Classe F de Mestrado e Doutorado, que fariam parte do mesmo nível.


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