Educação

Às vésperas das aulas, obras do Proinfância seguem paradas

Expectativa é de que apenas a Escola Navegantes inaugure em 2019, o que deve ocorrer apenas no mês de julho

12 de Fevereiro de 2019 - 11h30 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Escola na Sanga Funda (Foto: Gabriel Huth - DP)

Escola na Sanga Funda (Foto: Gabriel Huth - DP)

Escola na Vila Princesa (Foto: Gabriel Huth - DP)

Escola na Vila Princesa (Foto: Gabriel Huth - DP)

Escola no Sítio Floresta. (Foto: Gabriel Huth - DP)

Escola no Sítio Floresta. (Foto: Gabriel Huth - DP)

Parece brincadeira, mas não é. Mais um ano letivo está prestes a começar e apenas uma das 14 escolas do programa Proinfância - anunciadas em 2011 pela prefeitura de Pelotas - deve passar a integrar a rede municipal de Educação Infantil em 2019. A data da inauguração, entretanto, não está definida. A expectativa é de que a Escola Navegantes só abra as portas em julho, em torno de um mês depois de concluídas as obras. Em todos os outros endereços o cenário é exatamente o mesmo: nenhum sinal de retomada.

O Diário Popular esteve nos três locais em que a previsão era de as construções retornarem em novembro, mas o prognóstico não se confirmou. Mais uma vez, as comunidades do Sítio Floresta, da Sanga Funda e da Vila Princesa precisarão aguardar. O secretário de Planejamento e Gestão, Roberto Ramalho, explica que a falta de um empenho inviabilizou a ordem de serviço para que a empresa GB & GB Construções Ltda pudesse dar início aos trabalhos. Esta será a terceira tentativa de tornar as instituições realidade.

Em vez de aulas, mato alto e paredes quebradas
Os tijolos estão soltos no chão. Parecem um piso, mas chegaram a ser as primeiras paredes da nova escola de Educação Infantil da Vila Princesa. “De vez em quando levanta um pó, a gente olha e é mais uma parede que a gurizada tá derrubando”, conta a moradora Marilaine Irribarem, 57. E dali, do comércio em frente, ela tem acompanhado a deterioração: do material de construção que foi levado ao longo dos anos, ao mato que toma conta do espaço que deveria abrigar atividades de ensino.

Na Sanga Funda, não é diferente. Não há mais placas indicativas da obra e até parte das madeiras do ambiente que reunia os operários já desapareceu.

No Sítio Floresta, a cena também segue inalterada. O que, não raro, muda é o tipo de lixo que se acumula no local. Na sexta-feira pela manhã, quando o DP esteve por lá, o destaque era um aparelho de televisão quebrado, em meio a restos de tijolos e brita. “A gente lamenta ver este monte de desperdício de material. O lugar só tem servido para juntar delinquente”, afirma o autônomo Gilso Oliveira, 48. E, ao invés de buscar vaga ao filho Vicente, de dois anos, o morador prepara-se para levá-lo a uma escola municipal na avenida Fernando Osório. Uma contradição, se considerado que a família vive exatamente ao lado do projeto que permanece apenas como sonho à população.

Acompanhe a situação (*)
A primeira - e possivelmente única - a inaugurar em 2019 - A expectativa é de que as obras da Emei Navegantes sejam finalizadas em junho, mas o funcionamento efetivo só deve iniciar em julho, após o prazo para mobiliá-la e o período de matrículas - explica a diretora de Gestão Escolar, Adolfina da Rosa Mauch. Em torno de R$ 450 mil serão investidos nesta etapa final, agora a cargo da Modelar Engenharia. A construção não fugiu à regra: novo processo licitatório também precisou ser realizado para nova empresa assumir os trabalhos. A escola irá acolher 188 alunos.

Retomada segue nos planos - Em novembro do ano passado, quando o Diário Popular também abordou o assunto, a expectativa era de que o retorno das obras ocorresse nos próximos dias. Quase três meses depois e a situação é, exatamente, a mesma: a construção das instituições no Sítio Floresta, na Sanga Funda e na Vila Princesa se mantém apenas como promessa.

À espera de resposta do MEC - A prefeitura ainda aguarda posição do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), sobre o redimensionamento dos projetos, para poder relicitar as outras nove escolas que estão nos planos. A prioridade será para quatro delas: Laranjal e Vasco Pires - que já atingiram quase metade dos trabalhos -, Dunas e Eucalipto. “Desde outubro, a Secretaria de Educação não obtém resposta do MEC, mas a pressão é grande”, sustenta Roberto Ramalho. As outras cinco comunidades que devem ser contempladas com as instituições são Monte Bonito (9º Distrito), Vila Farroupilha, Residencial Eldorado, loteamento Getúlio Vargas e Colônia de Pescadores Z-3. Moradores que, mais uma vez, precisarão aguardar.

(*) O 14º endereço das escolas do Proinfância seria na vila Governaço, mas o projeto foi cancelado no final de 2018.

Confira dados da rede municipal de Educação Infantil

►Atualmente são 29 escolas

►O ano letivo de 2018 encerrou com 3.853 alunos de zero a cinco anos de idade

►A expectativa é de que, em 2019, em torno de quatro mil alunos possam ser acolhidos

►Com obras de ampliação em instituições como Nestor Rodrigues, Marília Poliesti e Anita Malfatti, aproximadamente cem vagas novas devem ser geradas à rede municipal


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