Crise

Aquários fecha as portas durante a bandeira vermelha

Ponto tradicional na cidade decidiu suspender a atividade enquanto Pelotas estiver classificada como alto risco de transmissão do coronavírus

13 de Agosto de 2020 - 20h06 Corrigir A + A -
Queda de movimento causou desequilíbrio nas contas do Café (Foto: Jô Folha - DP)

Queda de movimento causou desequilíbrio nas contas do Café (Foto: Jô Folha - DP)

A pandemia não poupa ninguém. Nem mesmo um dos estabelecimentos mais tradicionais da cidade. O Café Aquários optou por fechar as portas enquanto o município estiver sob a vigência da bandeira vermelha, que classifica a região como um centro de alto risco de contágio da Covid-19. A decisão se baseia nas restrições impostas pelo mapa de distanciamento controlado do governo estadual, que limita várias das atividades do Café.

Na última quarta-feira, o Aquárius foi notificado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de que não poderia atender aos clientes dentro de suas instalações. O expediente foi encerrado normalmente e, na quinta-feira pela manhã, a direção do Aquários foi até a sede da Vigilância Epidemiológica para procurar informações mais precisas. Após a ida ao centro de saúde, foi tomada a decisão que culminou com o fechamento das portas na mesma manhã. "Fechamos as portas por não poder atender de forma presencial. Se não temos autorização, não adianta estarmos abertos. Não podemos servir os cafézinhos, não podemos vender nossos lanches. Não compensa estar pagando os funcionários para não vender nada. Enquanto Pelotas estiver em bandeira vermelha, nós não abriremos as portas", explica um dos proprietários do Café, Ramiro Rodrigues.

Uma alternativa seria passar a atender no regime de "Pegue e leve". As vendas no local estão permitidas, o que foi proibido foi o consumo dentro do estabelecimento. Entretanto, o Café é reconhecido, justamente, por ser um tradicional ponto de encontro entre pelotenses e também de quem vem de fora da cidade. Com as restrições da bandeira, não é possível que ocorram encontros presenciais no local e, nem mesmo, as conversas em seus arredores. "Nós não temos uma tradição de 'pegue e leve' no Café. Não cultivamos isso de ir buscar lá no Aquários para consumir em casa. Além disso, metade do comércio está fechado e, as lojas que estão funcionando, estão trabalhando em um horário que não é atrativo. Por esses fatores, não temos motivos para seguirmos com as atividades em bandeira vermelha", conta Ramiro.

O movimento no local teve uma redução drástica com a quarentena e já não cobria todos os custos para a remuneração do quadro de trabalhadores. Durante a pandemia, o Café esteve fechado durante um período de dois meses, no começo da quarentena. Neste período, os funcionários entraram no regime da Medida Provisória (MP) 936 do governo federal, que permite a redução da jornada de trabalho e que prevê a concessão do benefício emergencial de preservação do emprego e da renda aos trabalhadores. Com o advento do sistema de bandeiras e do mapa de distanciamento controlado do governo estadual, as atividades foram reiniciadas conforme os protocolos de saúde. Entretanto, diante do novo fechamento, haverá uma nova tentativa de ingresso dos trabalhadores na MP. "Não estávamos vendendo a ponto de conseguir pagar os funcionários. Eles vão entrar no regime da medida provisória, haverá uma tentativa de retorno. Caso não der, estamos estudando possibilidades para que possamos remunerar nossos trabalhadores durante o tempo que durar a bandeira vermelha, seja de uma ou duas semanas ou, até mesmo, um mês", destacou o proprietário.

Como a medida da administração do Café foi pensada em função da bandeira vermelha, não está descartada uma reabertura na semana que vem, caso a cidade seja reclassificada para a laranja, de risco médio de contágio da Covid-19. O período, entretanto, é visto com muita incerteza pela direção. "A gente fica sem saber nada. Tem gente que fala que pode haver um novo lockdown, outros acreditam que a bandeira vermelha deve continuar por mais duas semanas, já que não tem leitos de UTI. A pandemia está se alastrando. Se a bandeira voltar a ser laranja, reabriremos. Permanecendo vermelha, ficamos fechados", resumiu.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados