Negociações

Após paralisação parcial, ônibus circulam normalmente

Consórcio quita 13º salário e atende outras reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários

15 de Março de 2021 - 22h31 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
henrique.risse@diariopopular.com.br 

A principal reivindicação do grupo era o atraso em uma das parcelas referentes ao 13º salário (Foto: Jô Folha - DP)

A principal reivindicação do grupo era o atraso em uma das parcelas referentes ao 13º salário (Foto: Jô Folha - DP)

Durou aproximadamente três horas a paralisação do transporte coletivo urbano em Pelotas. Embora a determinação do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (STTRP) fosse para que todos parassem das 13h às 16h, alguns veículos seguiram normalmente com sua rotina durante à tarde desta segunda-feira (15) e os usuários não tiveram o serviço totalmente interrompido.

Durante o final de semana, o STTRP se mobilizou para que a categoria parasse por algum período no turno da manhã. A principal reivindicação do grupo era o atraso em uma das parcelas referentes ao 13º salário. O valor foi depositado para todos os funcionários nas primeiras horas da manhã. Mesmo assim, os trabalhadores decidiram realizar uma assembleia às 13h, no terminal Guanabara.

"O que motivou a categoria foi a fome, foi a barriga, foi a luz e a água que está atrasada, foi a falta do dinheiro para vir trabalhar. Nós precisamos de um transporte às 5 horas da manhã para evitar que a gente gaste o que não está recebendo. O pessoal já está no limite. A gente entende que o transporte coletivo está doente nesse momento, não existe mais aquele número expressivo de passageiros, mas a categoria já se doou bastante, agora falta a empresa olhar para o trabalhador e repor essas reivindicações salariais que estão pendentes", desabafou o presidente do Sindicato, Claudiomiro Amaral.

Além da quitação da parcela do 13º salário, a categoria recebeu a confirmação de que outras duas demandas serão atendidas pelo Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP): um ônibus às 5h20min para levar os trabalhadores até o serviço e troco (em torno de R$ 50,00) para o cobrador iniciar a jornada.

Adiantamento e férias

Ainda segundo o Sindicato, ainda falta duas reivindicações a serem atendidas: o adiantamento salarial e o atraso no pagamento das férias. "O pessoal está saindo de férias e não está recebendo. Ele retorna a trabalhar e ainda não terminou de receber as duas férias. Aí volta de férias e não tem o dinheiro do mês porque não trabalhou naquele mês, contando com 13º que não sai e com o adiantamento que está para sair e não sai, tu ficas 40, 50 dias sem receber nada. A gente tem que olhar para esse pessoal que está saindo de férias porque ele não pode sair sem dinheiro, não há nenhuma garantia de que ele vá receber dentro do mês", disse.

Diretor do CTCP, Enoc Guimarães garante que o Consórcio está fazendo o possível para manter tudo em dia. "Conforme eu havia avisado a eles na sexta-feira, hoje (ontem) foi depositada mais uma parcela do 13º salário. Então nós entendemos que não existe mais nenhum atraso com eles. Eles estão querendo um adiantamento do salário de março e nós temos até o 5º dia útil para quitar o salário de março. Até estamos tentando viabilizar um adiantamento porque nos interessa aliviar a folha no início do mês, mas ainda não temos recursos. Agora com essa parcela do 13º paga estamos em dia. A próxima parcela vence no dia 20, que é sábado, então estamos nos organizando para pagarmos isso na segunda-feira que vem. Estamos fazendo o possível dentro de toda a dificuldade financeira que estamos passando. Sobre férias tinha alguma coisa atrasada em uma das empresas, em torno de 17, 18 trabalhadores, e isso estava sendo negociando individualmente", explicou.

Sem previsão de reajuste na tarifa

Na última quinta-feira, o CTCP teve uma reunião com a prefeita Paula Mascarenhas (PSD). E o assunto foi o reajuste do diesel. Mesmo com o preço do combustível subindo semanalmente, a ideia é que esse aumento seja custeado pela prefeitura e não vá para o bolso da população. "Nós estamos construindo isso com a prefeitura, tivemos uma reunião na quinta-feira com a prefeita. Eles já sinalizaram a intenção de levar essa proposta adiante, só estão sendo construídos os caminhos para isso. O diesel representa 25% do nosso custo e o diesel só de dezembro para cá já subiu mais de 30%, então teríamos que ter um reajuste desse imposto na tarifa", disse Enoc Guimarães.

De acordo com o secretário de Transporte e Trânsito (STT) do município, Flávio Al Alam, o Executivo não tem a intenção de reajustar o preço da passagem. "Eles reivindicam que a suba do óleo diesel foi muito alta desde que nós fixamos a passagem em R$ 4,00 até hoje e eles pedem que a prefeitura faça um novo cálculo para reajustar a tarifa. Eles falam em R$ 0,30, mas a prefeitura ainda não recalculou. Conversamos com eles sobre o que poderíamos fazer, porque não é intenção da prefeitura reajustar. O sistema já vem sofrendo uma perda muito grande, com uma dificuldade muito grande devido a pandemia, e a gente tem procurado ajudar dentro das nossas possibilidades. Fizemos uma série de ajustes administrativos dentro do contrato. Sempre que possível nós compramos passagens antecipadamente e foi isso que eles pediram, que nós comprássemos porque isso ajuda no fluxo de dinheiro para que eles consigam cumprir os seus compromissos", explicou.


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