Saúde

Amamentar para um planeta mais saudável

Começa neste sábado a Semana do Aleitamento Materno, que tem como tema a relação entre o ato de amamentar e as mudanças climáticas

01 de Agosto de 2020 - 08h45 Corrigir A + A -
Elo: Laura tem dois filhos e segue com aleitamento à pequena Ana, de um ano (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Elo: Laura tem dois filhos e segue com aleitamento à pequena Ana, de um ano (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Ana começou a mamar já na primeira hora de vida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Ana começou a mamar já na primeira hora de vida (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Com o tema Apoie a amamentação para um planeta mais saudável, inicia neste sábado (1º) a Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2020. Neste ano, o olhar do movimento é para o meio ambiente e as discussões acerca dos vínculos existentes entre a amamentação e as mudanças climáticas. Por aqui, o Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp) promove no próximo dia 7, às 18h, o evento Hora do Mamaço; tradicionalmente o encontro ocorre em locais públicos, mas desta vez será realizado pelo Facebook, através da live Amamentação e Mudanças Climáticas.

Roberta Luzzardi faz parte da coordenação do Gamp e explica: “A amamentação não é só uma fonte de alimentação, é uma fonte de carinho, aconchego e segurança pras crianças”. A discussão sobre o potencial da amamentação no cuidado com o meio ambiente é pauta atual, tema inserido na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, proposição feita pela ONU Brasil. Roberta lembra da importância do aleitamento, recurso natural e sustentável de alimentação, além de ser um grande promotor dos laços afetivos entre mães e seus filhos recém-nascidos.

As fórmulas de leite são recursos muito utilizados na fase de crescimento da criança, escolha que possui um impacto ambiental. “A amamentação é um recurso sustentável que nós temos”, conclui. A coordenadora do movimento conta que amamenta o filho, Inácio, de três anos. O leite da mãe é uma forma de prevenção à saúde e o pequeno entende isso. “Quando ele tem fome, me procura”, lembra.

No último ano, o Hora do Mamaço aconteceu na Praça Coronel Pedro Osório, reunindo mais de 15 mães e filhos. Dessa vez, a maior dificuldade é alcançar, através do meio on-line, as mulheres que precisam de informação e promover um momento para troca de aprendizados. “Infelizmente esse ano não vamos ter o encontro presencial. E a nossa dificuldade é que essas informações cheguem ao maior número de mulheres possível”, explica a coordenadora. A iniciativa é nacional e ocorre espalhada por diversas cidades do país.

A amamentação precisa ser boa para mãe e bebê

Aos 21 anos, Laura Bastos está amamentando a segunda filha, a pequena Ana, de um ano. Henrique, de três anos, desmamou logo que completou um ano. Mas por enquanto ela, que é doula, não pensa em começar o processo de desmame com a menina. É comum que logo na maternidade os recém-nascidos mamem, nos primeiros momentos de vida. Com Henrique, isso não aconteceu. “Nos separaram quando ele nasceu, demorou um tempo para vir até mim. Eu tinha 18 anos na época e ninguém me deu o auxílio e me disse o que fazer”, lembra.

As dificuldades que envolvem a amamentação ainda são assuntos pouco falados abertamente, “para as pessoas do senso comum”, explica a doula. Com pouca informação sobre o assunto, fica ainda mais complicado. Quando foi a vez da Ana, a amamentação se deu na primeira hora de vida. Para Laura, é inegável que o aleitamento cria um forte laço entre mãe e filho, mas essa relação precisa ser boa para os dois lados. “Amamentar é cansativo, e quando o bebê cresce ele não para mais. É normal e esperado se incomodar com isso. Mas é uma fase, e passa!”

Por isso, é importante buscar informação e conversar com mulheres que já passaram por essa fase, tão importante para a vida da criança. “Tudo bem se as coisas não seguem aquela linha perfeita e maravilhosa que a gente imagina que vai ser. Não é assim na realidade, mãe e bebê precisam aprender a fazer isso juntos”, ressalta.

Marque na agenda!

Dia 7, às 18h, ocorre a live Amamentação e Mudanças Climáticas. Para assistir, basta acessar a página do Gamp no Facebook: fb.com/gamp.pelotas. A Roberta Luzzardi será a mediadora da conversa, enquanto participam a médica da Família e Comunidade e professora da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Ângela Moreira Vitória, a doula Juliana Victoria e a Guardiã do Círculo Sagrado Feminino, Gisele Dziekaniak.

Informe-se

De acordo com as pesquisas do Centro de Epidemiologia da UFPel, os bebês amamentados por mais de um ano possuem, aos 30 anos de idade, três pontos a mais de QI, 10% mais escolaridade e renda 33% maior do que aqueles que foram amamentados por menos de um mês. O estudo intitulado Associação entre amamentação e inteligência, escolaridade e renda aos 30 anos de idade: um estudo em uma coorte de nascimentos no Brasil foi publicado em 2015 e mostra a importância da prática para o desenvolvimento dos bebês.

A Organização Pan-Americana da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam iniciar a amamentação já nos primeiros 60 minutos de vida, bem como manter o aleitamento materno como forma exclusiva de alimentação até os primeiros seis meses de vida dos pequenos e, de maneira complementar, até os dois anos de idade.

A amamentação impede o impacto ambiental negativo das fórmulas alimentícias causado pela produção, fabricação e transporte da indústria de laticínios e soja e outros produtos utilizados na produção de alimentos e leites infantis.


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