Fome

Alimento garantido mais esse mês

Cufa distribui última remessa de cestas básica a 210 famílias cadastradas em Pelotas

04 de Dezembro de 2021 - 19h42 Corrigir A + A -

Por: Cíntia Piegas
cintiap@diariopopular.com.br 

O local da entrega foi no que deveria ser o Ginásio Poliesportivo do Navegantes (Foto: Leandro Lopes - DP)

O local da entrega foi no que deveria ser o Ginásio Poliesportivo do Navegantes (Foto: Leandro Lopes - DP)

Música tem feito parte de todas as ações  (Foto: Leandro Lopes - DP)

Música tem feito parte de todas as ações (Foto: Leandro Lopes - DP)

Música, dança e arte simbolizaram a última entrega das 210 cestas básicas à mulheres em situação de vulnerabilidade social cadastradas pela Central Única das Favelas (Cufa) em Pelotas e que dependem das doações para garantir o alimento da família a cada mês.

O encontro na manhã de sábado (4) foi marcado pela descontração ao som de funk e samba, mas também pela incerteza pelo fim da parceria da campanha nacional da Cufa com a mineradora Vale, responsável pelas mais de 1,2 mil sacolas com arroz, feijão, farinhas, massa, óleo, açúcar, bolacha e outros alimentos entregues ao longo de seis meses.

O local da entrega foi no que deveria ser o Ginásio Poliesportivo do Navegantes, mas que nunca foi terminado. O espaço tornou-se pertencente à comunidade e já carrega a identidade do Navegantes. As estrelas do evento estavam ao centro, em fileiras, prontas para encherem as prateleiras das casas de mais de duzentas famílias por mais este mês. As cestas básicas não só alimentaram o corpo ao longo destes meses de distribuição, mas também a esperança de superar os dias difíceis enfrentados em meio ao cenário de inflação e desemprego agravado pela pandemia.

"A falta de alimento e de conectividade já existia dentro da periferia, mas se acentuou com a pandemia. Então iniciamos o trabalho de arrecadação e distribuição em março de 2020, também de vale-gás e chips para manter essas pessoas conectadas", lembrou Sandro Mesquita, presidente da Cufa em Pelotas. Conhecedor da realidade das famílias, ele lamenta a falta de um pacto entre Organizações Não-Governamentais, Poder Executivo e empresas privadas para mudar a realidade chamada por Sandro de insegurança alimentar. "Em Pelotas são 22 mil pessoas com fome. Não vemos na Região Sul uma união. Existem, sim, situações isoladas de grupos de arrecadações, mas que também não estão conseguindo doações", sinalizou.

A preocupação aumenta com o término do Bolsa Família e o surgimento da Auxílio Brasil com a incerteza se as mesmas pessoas serão beneficiadas. "Sabemos que há muita solidariedade entre as comunidades. É preciso ajudar. Mas não vamos viver de caridade a vida inteira." Para Mesquita, o mercado pelotense não apresenta perspectivas para absorver trabalhadores que poderiam sair da condição de vulnerabilidade social.

Comunhão

Mãe solo, desempregada e com dois filhos para alimentar, Raquel Jorge Dias, 47, aguardava ansiosa pela sacola que mal conseguia carregar pelo peso. A última cesta básica do ano gera alívio e preocupação, pois chegou no momento de desespero da mulher. "Salvou a minha vida, pois eu sabia que ao final do mês eu ia ter aquele alimento para dar aos meus filhos", disse. Para render o mês inteiro, Raquel explica que há muita comunhão na comunidade e, sabendo que alguém tem mais filhos para alimentar, às vezes o arroz ou o feijão é compartilhado. Raquel teme pelo futuro, pois segue sem emprego e não terá mais o alimento de cada mês.

Retribuição

A parceria entre Cufa e Vale resultou na distribuição de seis meses de mais de 500 mil cestas ao redor do país. Na divisão entre as unidades da Cufa, Pelotas ficou com 210 cestas, repassadas mensalmente para as comunidades do São Gonçalo, Getúlio Vargas, Pestano, Dunas, Guabiroba, Pontal da Barra e Balneário dos Prazeres. E cada uma se fez representada nas apresentações do dia, como o Grupo de Dança Renovação, o Grupo Tropa de Dança, mestre André e Bateria Caldeirão, Ricardo Ortiz, Samba do Sereno e DMix Charme.


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