Ciência

Agora é que são elas

Estudo desenvolvido pelo curso de Psicologia da UFPel, em parceria com a UFRJ, busca relatos de mulheres durante a pandemia da Covid-19

28 de Maio de 2020 - 08h47 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Mulheres podem participar do estudo até o dia 30 de junho

Mulheres podem participar do estudo até o dia 30 de junho

Pesquisadora Camila Farias destaca a importância de as mulheres quebrarem o silêncio e compartilharem suas experiências 

(Foto: Arquivo pessoal)

Pesquisadora Camila Farias destaca a importância de as mulheres quebrarem o silêncio e compartilharem suas experiências (Foto: Arquivo pessoal)

Como você tem se sentido neste período, pós-coronavírus? Desafios, transformações, questionamentos. Sofrimento? A pesquisa Agora é que são elas: a pandemia de Covid-19 contada por mulheres busca relatos que ajudem a investigar os efeitos subjetivos deste contexto - marcado por sobrecarga -, na realidade de diferentes cidadãs.

Em três dias, mais de quatro mil mulheres já responderam ao questionário, com a participação inclusive de cerca de cem brasileiras que vivem em pelo menos 20 países. A adesão rápida torna-se em um elemento a mais no estudo desenvolvido pelo curso de Psicologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A receptividade reforça o quanto as mulheres querem canais de manifestação, onde possam extravasar posicionamentos e cobrar melhorias.

Com as respostas em mãos, as três pesquisadoras não irão dedicar-se apenas à geração de conhecimento acadêmico. A ideia é que os resultados possam alimentar a criação de intervenções na área de Saúde Mental; seja através de projetos de extensão; seja com proposição e diálogo para elaboração de políticas públicas que coloquem as mulheres no centro das atenções.

"Temos que lembrar que as mulheres estão expostas de maneiras diferentes à vulnerabilidade e esta diferença tem a ver com raça, com classe, com gênero. E estes diferentes atravessadores que vão ir aumentando a vulnerabilidade ou não", destaca a coordenadora do estudo, a psicóloga Camila Farias. E a pesquisa irá, justamente, fazer este cruzamento entre a multiplicidade de realidades e os desdobramentos psíquicos destas diversas experiências de vulnerabilidade - ressalta a doutora em Teoria Psicanalítica.

Os piores efeitos da pandemia serão sentidos entre as mulheres

O alerta é da Organização das Nações Unidas. E o grupo ONU Mulheres vai além: o impacto recairá, principalmente, sobre aquelas que vivem em países extremamente desiguais, como o Brasil. Colher as narrativas dessas cidadãs, portanto, é extremamente importante.

Afinal, são as mulheres que têm permanecido no fronte nesta guerra invisível contra o novo coronavírus, já que representam 90% dos trabalhadores de saúde que estão lá na ponta, junto aos pacientes. No confinamento da casa - independentemente da atividade profissional que exerçam ou não -, cresce a pressão, tanto pelos serviços domésticos quanto pelos cuidados com os filhos.

"E isso não está sendo olhado e discutido", preocupa-se a pesquisadora. E lembra que fatores como o capitalismo e o patriarcado estão por trás de várias situações de vulnerabilidade, no Brasil e no mundo.

Participe!

Você também pode compartilhar experiências e sentimentos, durante este período de pandemia.
- Para participar da pesquisa, basta ter 18 anos de idade.
- O formulário é anônimo. Portanto, sua identidade estará preservada.
- O tempo médio de preenchimento é de 15 minutos e os relatos podem ser expostos de forma espontânea e livre.
- Basta acessar o link https://bit.ly/pesquisaufpel. O prazo estende-se até 30 de junho.

Saiba mais

- Agora é que são elas: a pandemia de Covid-19 contada por mulheres é uma iniciativa do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicanálise, da UFPel.

- O trabalho é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
- Pela UFPel, lideram o estudo as pesquisadoras Camila Farias e Giovana Luczinski. Pela UFRJ, a coordenação fica com a professora Fernanda Canavêz.
- Na equipe, a pesquisa ainda conta com a participação de várias estudantes.
- Engaje-se: participe do estudo e ajude a romper o silêncio e a quebrar invisibilidades.

 


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