Rural

A sustentabilidade do setor arrozeiro em debate

Desafios e perspectivas para o setor também serão abordados durante a 30ª edição da Abertura da Colheita do Arroz, que ocorrerá entre os dias 12 e 14 de fevereiro

28 de Janeiro de 2020 - 19h50 Corrigir A + A -
Presidente da Federarroz, Alexandre Velho, salientou a busca por novos mercados consumidores. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Presidente da Federarroz, Alexandre Velho, salientou a busca por novos mercados consumidores. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Coletiva de imprensa marcou o lançamento da 30ª edição do evento, que ocorrerá na Estação Experimental Terras Baixas (ETB) da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Coletiva de imprensa marcou o lançamento da 30ª edição do evento, que ocorrerá na Estação Experimental Terras Baixas (ETB) da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão. (Foto: Carlos Queiroz - DP)

A integração entre produtor e soluções tecnológicas e a indicação de caminhos para o desenvolvimento sustentável do setor serão alguns dos tópicos tratados durante a 30ª edição da Abertura da Colheita do Arroz no RS. Com o tema Intensificação para sustentabilidade, o evento ocorrerá entre os dias 12 e 14 de fevereiro, realizado pela segunda vez consecutiva na Estação Experimental Terras Baixas (ETB) da Embrapa Clima Temperado, no Capão do Leão. O lançamento do evento ocorreu em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira no local. A abertura oficial da colheita ocorrerá durante a tarde do último dia de programação.

"Queremos fazer um evento ainda maior que no ano passado", afirmou o chefe geral da Embrapa Clima Temperado, Roberto Pedroso. Em sua fala, Pedroso também destacou a importância do evento e do apoio de outras entidades para a transmissão de tecnologias desenvolvidas na estatal para o setor produtivo. Também presente, o presidente da Federarroz, Alexandre Velho, destacou a busca de alternativas de cultivo de forma conjunta ao arroz, como a soja, que pode promover uma redução de custos e contribuir para a fertilidade do solo. "Também temos que ter uma sustentação da porteira pra dentro", salientou. Questionado sobre as ações em progresso para o desenvolvimento do setor, Velho destacou a concorrência dos Estados Unidos e a busca de novos mercados consumidores, citando países como México, Panamá e Guatemala. A cotação atual do câmbio, a redução da produção norte-americana e a seca enfrentada em solo mexicano foram apontadas como elementos que favorecem a competitividade do produto gaúcho. Este ano, foram 940 mil hectares de área plantada, com uma produtividade que deve chegar a 7,5 mil quilos por hectare.

"Temos que trabalhar a soja como alternância ao arroz, não como substituto", pontuou o coordenador do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) na Zona Sul, André Matos. Segundo ele, a soja já é cultivada por 70% dos produtores da região da Zona Sul do estado, e a sustentabilidade pode ser alcançada com a implantação do grão no setor, de forma que se torne independente. Além disso, o engenheiro agrônomo também citou exemplos de outros sistemas que podem integrar soja, pastagens e pecuária, conhecidos como ILP. Matos também lembrou que o Instituto completará 80 anos em 2020, tendo sido testemunha do crescimento do cultivo de arroz no estado, que é atividade principal em 140 municípios. O Rio Grande do Sul é responsável por 70% do arroz produzido no país, gerando 20 mil empregos diretos.

Presente na ocasião, a prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas (PSDB), destacou o potencial econômico do evento para a região, com a ocupação de hotéis e o consumo em estabelecimentos, além da troca de conhecimentos entre os profissionais do setor. A chefe do executivo pelotense destacou ainda a capacidade de proporcionar reconhecimento àqueles que contribuíram para fortalecer a cultura do arroz em nível regional. "Uma homenagem a nossa história e tradição". Também estiveram presentes o presidente do Sindicato Rural de Capão do Leão, Clóvis Vitória, e os representantes da Farsul, Fernando Rechsteiner, e da Fetag/RS, João César Larrosa.

Lançamentos para o setor

A programação do evento terá início às 7h30min do dia 12 de fevereiro, com um roteiro técnico que proporcionará visitas a 34 vitrines tecnológicas de 20 das 70 empresas e instituições envolvidas no evento. O primeiro dia também contará com dois lançamentos da Embrapa, às 15h40min: a cultivar BRS A705 e o aplicativo PlanejArroz: a decisão na palma da sua mão. O pesquisador da equipe de melhoramento da arroz da Embrapa, Paulo Fagundes, explica que a nova cultivar é uma evolução da BRS Pampeira, apresentando um ciclo de desenvolvimento precoce, entre 105 a 120 dias. Além disso, tem um porte mais baixo e possui resistência ao acamamento, com alta produtividade e boa qualidade do grão. "Temos uma boa expectativa de aceitação", projeta Fagundes.

Na ocasião, o aplicativo PlanejArroz também será lançado. O software, desenvolvido em parceria entre a Embrapa, a Universidade Federal de Santa Maria, o Irga e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), poderá ser acessado tanto em dispositivos móveis quanto por computadores. Conforme Silvio Steinmetz, pesquisador de agrometeorologia da Embrapa, o aplicativo disponibiliza ao produtor a oportunidade de projetar e monitorar o manejo e a produtividade. O usuário poderá escolher entre 131 municípios cadastrados, 41 cultivares, seis estádios de desenvolvimento (V4, R1, R2, R4, R8 e R9) e a data de emergência da planta, quando ao menos 50% já estão emergidas. Com isso, o software demonstrará a média de dados das safras dos últimos 30 anos, com informações e orientações que podem auxiliar o produtor, de forma que este obtenha uma melhor produtividade. "Uma das possibilidades é poder agendar com antecedência um avião para despejo de ureia", exemplifica o pesquisador. O produtor também poderá ter acesso à dados obtidos a partir de condições do ano corrente, obtidos junto às estações meteorológicas do Inmet, que indicam um desvio em relação à média histórica. O aplicativo também proporciona a possibilidade de projeção, em tabelas e gráficos, da produtividade média dos últimos 30 anos e também a que poderá ser obtida a partir dos dados inseridos pelo usuário.

Programação diversificada

Durante os três dias de evento, os visitantes poderão acompanhar painéis, reuniões, feiras, dinâmicas e outras atividades, como a entrega dos prêmios Pá do Arroz, com início às 18h30min do dia 13 de fevereiro. Fechando as atividades, está marcada para as 14h do dia 14 de fevereiro o ato de abertura oficial da colheita do arroz. A programação completa e outras informações sobre o evento podem ser obtidas pelo site www.colheitadoarroz.com.br. O evento é organizado pela Federarroz com correalização da Embrapa e patrocínio Premium do Irga.


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