Saúde

A prática de exercícios como aliada no tratamento da epilepsia

Estudo de doutorado da Esef irá avaliar o impacto de atividades físicas sobre situações, como efeitos colaterais de medicações e níveis de depressão dos pacientes

13 de Agosto de 2019 - 08h21 Corrigir A + A -

Por: Michele Ferreira
michele@diariopopular.com.br 

Em sua segunda visita, Vagner está otimista com a pesquisa (Foto: Paulo Rossi - DP)

Em sua segunda visita, Vagner está otimista com a pesquisa (Foto: Paulo Rossi - DP)

Ideia do projeto é verificar o impacto da prática regular de exercícios físicos na qualidade de vida dos pacientes (Foto: Paulo Rossi - DP)

Ideia do projeto é verificar o impacto da prática regular de exercícios físicos na qualidade de vida dos pacientes (Foto: Paulo Rossi - DP)

A saúde de pessoas com epilepsia entra no alvo das atenções de um estudo da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (Esef/UFPel). Efeitos colaterais das medicações, níveis de depressão e ansiedade, consequências das crises sobre a função cognitiva. Uma pesquisa de doutorado quer verificar o impacto que a prática regular de exercícios físicos pode ter sobre a qualidade de vida desses pacientes.

A fase é de recrutamento de interessados. Podem participar cidadãos entre 18 e 60 anos de idade, sedentários. "Queremos ver se um programa de exercícios tem papel importante no controle dessas variáveis", ressalta o doutorando César Augusto Häfele. E prepara-se para observar se as atividades físicas podem ser encaradas como aliadas no tratamento medicamentoso da doença que atinge de 1% a 2% da população de países de baixa renda, onde a prevalência é mais alta.

Estudos já realizados com ratos demonstram que os exercícios auxiliaram na redução da frequência e da gravidade das crises epilépticas nos roedores. O desafio é apurar se os efeitos positivos se aplicam também a humanos - destaca o pesquisador que, ainda na graduação, passou a voltar os olhos para o tema. No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), Häfele realizou revisão da literatura sobre o assunto e encontrou poucos estudos e inconclusivos. No mestrado, concluído em 2016, realizou análise transversal através de questionários, ouviu 101 pessoas e pôde fazer associações entre os cidadãos mais ativos e menores níveis de depressão e ansiedade e menos efeitos colaterais dos remédios.

No doutorado, agora, será proposto um programa de exercícios físicos para parte dos voluntários, que permita estabelecer comparativos. Por isso, a importância de os participantes serem sedentários, para assegurar o paralelo do antes e depois da mudança na rotina.

Expectativa por uma vida melhor
O advogado Vagner Coimbra, 34, custou a aceitar o diagnóstico. Incomodava-se com a ideia de que precisaria fazer uso contínuo de remédios. Só na última crise - após outros cinco episódios - acabou se rendendo. Foi em janeiro deste ano. Por pouco conseguiu interromper o trajeto, retornou para casa e desabou no chão. "Fiquei com medo. Me dei conta que poderia ter passado mal na rua. Vi que precisava iniciar um tratamento", afirma. Agora, a expectativa fica por conta dos resultados que podem vir com o doutorado. "Queria encontrar um meio alternativo, que pudesse reduzir a medicação", conta.

Nos primeiros meses, após dar início aos medicamentos, sofreu com tontura, dor de cabeça, falta de memória e confusão mental. Hoje, já está adaptado. Ainda assim, está otimista com a pesquisa. Na última sexta-feira, o Diário Popular acompanhou a segunda visita de Coimbra à academia da Esef, onde permaneceu por cerca de 20 minutos na esteira, em que atingiu a velocidade máxima de 20 quilômetros por hora - ainda na fase de testes.

Com a enfermeira Taize Pereira, 34, o entusiasmo se repete. A pelotense também recebeu o diagnóstico de epilepsia há três anos, após crises convulsivas e uma série de exames. "É um quadro que gera insegurança e mexe com a questão emocional", resume. E assegura: dar início à prática de exercícios como prevenção aos efeitos da doença, e não necessariamente para perder peso, serve de motivação. "Já me sinto animada."

Participe!
- Os participantes serão organizados em dois grupos:

* Intervenção: Os cidadãos passarão a compor programa de exercícios físicos, na própria Esef. As atividades serão desenvolvidas ao longo de três meses, duas vezes por semana. Os exercícios serão divididos em três etapas: aeróbicos (na esteira), de força (para grandes grupos musculares) e de flexibilidade e alongamento. Detalhes como pressão arterial e frequência cardíaca, claro, serão observados.

* Controle: Os cidadãos não participarão da prática de exercícios, mas também terão acompanhamento da equipe do programa de pós-graduação em Educação Física da UFPel, ao longo dos mesmos três meses. Os voluntários receberão um diário de crises epilépticas, para que possam tomar nota de detalhes de eventuais crises, como o turno em que ocorreram e o período de duração.

Detalhe: A definição de quem irá integrar cada um dos grupos será feita através de sorteio.

- Quem pode participar?
Qualquer pessoa com diagnóstico de epilepsia, na faixa etária dos 18 aos 60 anos de idade, sedentários, para que a pesquisa possa traçar paralelo sobre os possíveis benefícios dos exercícios na redução dos efeitos das crises e na melhora da qualidade de vida dos pacientes, como queda dos níveis de depressão e ansiedade.

- Faça contato
* Telefone: (53) 98125-6483
* E-mail: hafele.c@hotmail.com

- Transporte: O programa de pós-graduação disponibiliza meio de transporte para os participantes.

- Doutorando: César Augusto Häfele

- Professor orientador da pesquisa: Marcelo Cozzensa

 


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