Saúde

A força da amamentação

Pelotas terá neste sábado "Hora do Mamaço"; atividade terá roda de conversa na praça Coronel Pedro Osório

23 de Agosto de 2019 - 08h55 Corrigir A + A -
Ato é saudável ao bebê e deve ser estimulado (Foto: Infocenter - DP)

Ato é saudável ao bebê e deve ser estimulado (Foto: Infocenter - DP)

O ato de amamentar cria um dos laços mais fortes entre mãe e bebê. Mas engana-se quem acredita que isso gera uma dependência do filho com a mãe. Esse é um dos mitos que envolvem um dos processos mais naturais da maternidade. Pensando em como intensificar a circulação de informações acerca do assunto, o Grupo Autônomo de Mulheres de Pelotas (Gamp) se uniu às organizações do evento nacional Hora do Mamaço. Em Pelotas, uma roda de conversa aberta à comunidade ocorre nesta sábado (24), às 15h, na praça Coronel Pedro Osório. A ação complementa as atividades do Agosto Dourado, mês que celebra o aleitamento materno, instituído por lei em 2017.

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam iniciar a amamentação já nos primeiros 60 minutos de vida, bem como manter o aleitamento materno como forma exclusiva de alimentação até os primeiros seis meses de vida dos pequenos e, de maneira complementar, até os dois anos de idade. Roberta Luzzardi, coordenadora do Gamp e uma das organizadoras da edição do Hora do Mamaço na cidade, conta que segue com a amamentação do pequeno Inácio, de dois anos. "Eu já escutei de uma médica que amamentar causa dependência, o que é mentira", recorda-se.

De acordo com as pesquisas do Centro de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), os bebês amamentados por mais de um ano possuem, aos 30 anos de idade, três pontos a mais de QI, 10% mais escolaridade e renda 33% maior do que aqueles que foram amamentados por menos de um mês. O estudo intitulado Associação entre amamentação e inteligência, escolaridade e renda aos 30 anos de idade: um estudo em uma coorte de nascimentos no Brasil foi publicado em 2015 e mostra a importância da prática para o desenvolvimento dos bebês.

Desmistificar crenças como a destacada por Roberta é um dos objetivos da roda de conversa. Além da alimentação, o ato de amamentar acalma os pequenos. Antes de momentos de estresse para os bebês, como a aplicação de vacinas, por exemplo, é comum que as mães deem de mamar. Por ser rico em água, proteínas e sais minerais, o leite materno contém todos os nutrientes que o bebê precisa consumir. Ele ainda ajuda a desenvolver o sistema imunológico da criança e é importante para protegê-la de alergias e infecções nos primeiros meses de vida.

A doula Juliana Victoria, vice-presidente do grupo Nascer Sorrindo, participa como mediadora da roda de conversa. A amamentação, para ela, "é a ligação mais forte que o bebê tem com a mãe depois do útero". Os batimentos cardíacos da mulher são ouvidos de perto pelo bebê, proporcionando um momento de aconchego. Por mais que a amamentação ocorra entre mãe e recém-nascido, é indispensável a presença de uma rede de apoio, formada pela companheira ou companheiro da mulher e demais familiares próximos. Juliana ressalta: "Amamentar não é um mar de rosas". O cansaço é uma sensação comum durante a maternidade. Por isso a importância dessa rede de apoio também se manter integrada sobre o assunto, evitando informações equivocadas.

Mitos e verdades
São diversas as inverdades construídas no entorno da amamentação. Uma delas é a crença de que algumas mulheres possuem o leite materno enfraquecido, em comparação a outras mães. "Não existe leite fraco", explica Juliana. Cada mãe produz o leite adequado para as necessidades do bebê, podendo variar conforme a idade e fase de crescimento da criança.


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