Coronavírus

A coragem que vem do DNA

Maria Eva e Tatisa atuam nos hospitais universitários de Rio Grande e Pelotas

25 de Setembro de 2020 - 08h35 Corrigir A + A -
O amor pela enfermagem passou de mãe para filha (Foto: Reprodução)

O amor pela enfermagem passou de mãe para filha (Foto: Reprodução)

Tatisa atua na linha de frente do combate à pandemia (Foto: Reprodução)

Tatisa atua na linha de frente do combate à pandemia (Foto: Reprodução)

O despertador toca, Tatisa acorda, dá um beijo e um abraço no marido e logo levanta, porque o dia não permite atrasos. Olha para a filha, como quem busca forças, e se dirige ao Hospital Escola (HE). Na data em que Pelotas completa seis meses dentro do mapa da pandemia da Covid-19, o Diário Popular pede licença para contar uma história: a trajetória de uma enfermeira que trabalha na linha de frente do combate ao vírus, com a coragem e a sensibilidade que a função exige.

Tatisa de Almeida ingressou no universo da enfermagem porque a referência estava dentro de casa. A mãe, Maria Eva, atua na área há 20 anos e é o principal exemplo para a pelotense, técnica dentro do Hospital Escola há 4 anos e desde o início da pandemia se dedica ao setor covid do local. 

Ela conta que o principal desafio tem sido a sensação de impotência ao lidar com um inimigo até então desconhecido. “A cada momento temos uma nova orientação e isso traz insegurança.”

Aos poucos, entretanto, as incertezas foram dando lugar à confiança que o trabalho era bem feito e traria os resultados necessários. Como, por exemplo, a recuperação de um paciente que havia ficado internado por 30 dias na UTI. “Eu o acompanhei em sua internação, vi todas as instabilidades durante o tratamento, até uma parada cardíaca que sofreu. E saber que venceu a Covid-19 apesar de ter passado por tudo que passou, me fez ter um sentimento de muita alegria, me fez pensar que não estou ali por acaso, que o melhor que sei fazer é ser uma profissional da enfermagem. No momento era o paciente que estava debilitado mas quem recebeu  força fui eu”, conta.

Infelizmente, nem todas as histórias desses seis meses tiveram o mesmo final e lidar com a morte é o que ela entende como o momento mais delicado. “Eu já tinha lidado com a morte quando estava em outro setor, mas a morte por Covid-19 é trágica, pois lá dentro o paciente está sem seu ente querido. A família dele passa a ser nós e nós como família nos abalamos”, comenta. 

Dentro da rotina, Tatisa destaca que quem mais sentiu foi a filha Antônia, de 6 anos. Por conta dos cuidados necessários, ela está confinada sem ter contato com os amigos. “Além do aprendizado teórico, científico e prático, levamos para vida a importância do cuidado humanizado. De estarmos unidos por um só propósito em prol de um bem maior,  de olharmos para o próximo com empatia e compaixão. Sou cristã, meu maior suporte é Jesus”, completa.

Para a mãe, Maria Eva, o sentimento principal ao ver Tatisa encarar o coronavírus de frente é de natural medo. Mas ele divide espaço com um orgulho que vai crescendo cada vez mais, por a filha ter seguido seus passos e ser protagonista em um momento definitivo da humanidade. “Vê-la seguir os passos foi uma felicidade imensa. Entrei na enfermagem por ter lidado muito tempo com meu pai doente. E foi uma realização vê-la escolher o mesmo caminho. Entendo que ela foi corajosa em aceitar esse desafio e tenho a certeza de que ela vai se sair bem e ter o cuidado para não se contaminar.”

Os números

No dia em que completou seis meses desde o primeiro caso confirmado, Pelotas chegou a 3.939 infecções pelo novo coronavírus. Na quinta-feira (24), mais 76 foram registrados. Do total, desde o início da pandemia, 2.847 são considerados curados, 945 estão isolados e 27 internados, além de 120 óbitos - ontem, uma mulher de uma mulher de 43 anos morreu após ficar internada na Beneficência Portuguesa desde o dia 7 de setembro.


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