Educação

2020: um ano atípico para quem busca o Ensino Superior

Cursinhos tiveram que adaptar as aulas, transformar o presencial em remoto; professores e alunos foram forçados a novas relações

25 de Novembro de 2020 - 13h47 Corrigir A + A -
Estudantes diagnosticados com a Covid-19 terão nova chance de fazer o Enem (Foto: Jô Folha - Infocenter - DP)

Estudantes diagnosticados com a Covid-19 terão nova chance de fazer o Enem (Foto: Jô Folha - Infocenter - DP)

Faltam menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Foto: Infocenter - DP)

Faltam menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Foto: Infocenter - DP)

A menos de dois meses para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a pandemia do coronavírus não parece perto de chegar ao fim. Nesse atípico 2020, quem busca uma vaga no ensino superior se vê obrigado a estar conectado às adaptações que os cursos pré-vestibulares propuseram. O pior caso, porém, é de quem não possui condições, por diversos motivos, de realizar essa conexão.

No pré-vestibular Teorema, as aulas estão sendo realizadas no modelo virtual desde abril no mesmo horário daquela estipulada para o presencial. Tudo através de uma plataforma de educação, onde também são realizadas provas, simulados e trabalhos. De acordo com o diretor do curso, Carlos Santo, do lado dos professores foi preciso se reinventar para que as aulas se tornassem mais atrativas - e do lado dos alunos, foi necessário encontrar formas de se manter focado nos estudos. “Trabalhar à distância e assistir aula pelo computador são atividades que cansam mais do que presencialmente”, afirma.

No Teorema, foram incorporados aos mecanismos de ensino aulas de reforço, tira-dúvidas e revisão de forma híbrida, com alguns alunos participando presencialmente e outros de forma virtual. “O maior dos desafios que enfrentam tanto professores como alunos é a falta do contato humano, do visual e da satisfação de rever amigos e colegas”, finaliza Santo.

Acabou que a pandemia chegou logo no ano em que Maurício Lemes, 17, faz pré-vestibular pela primeira vez, com o objetivo de fazer um bom Pave, além do Enem. Restou ao estudante, que pretende cursar Fisioterapia no ano que vem, se adaptar à realidade que foi imposta. Ao Diário Popular, ele comenta que os principais desafios desse modelo virtual de aprendizagem é a concentração nos estudos e a compreensão do conteúdo à distância. “Também é uma dificuldade a falta dos colegas e professores. Esse convívio me incentivava a estudar mais.”

A história de Cibeli Campesato é diferente, mas também bem semelhante. Aos 32 anos e já com uma graduação, ela resolveu prestar o Enem para cursar Medicina - justamente no ano da pandemia do coronavírus. “Não ter o lugar físico do curso para ir estudar atrapalha um pouco, embora não gastar com deslocamento e conseguir assistir aula de casa pareça confortável. Faz muita falta a presença dos professores, mesmo que eles estejam se doando ao máximo é diferente de olhar no olho, de conversar trocar aquele apoio pessoalmente. O contato com os colegas então nem se fala, faz muita diferença o on-line”, elenca.

Por outro lado, ela reconhece que mesmo com todas as dificuldades, ter a possibilidade de cursar um pré-vestibular com a capacidade de reestruturação será uma vantagem não necessariamente justa. “Minhas reclamações são ínfimas perto da situação da maioria das escolas. Isso pesa no psicológico.”

Popular

Estes alunos, sem condições de arcar com os custos de um cursinho, se veem amparados pelo Desafio Pré-vestibular. Criado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), o projeto oferece estrutura para que estudantes da rede pública possam ter as oportunidades minimamente igualadas na corrida do Enem. Em 2020, porém, foi preciso repensar planos, ideias e logísticas.

As aulas acabaram suspensas, em virtude da pandemia, quando o Desafio estava na etapa do processo de seleção - 200 vagas seriam ofertadas. “Hoje as nossas atividades acontecem on-line em atividades sincrônicas e assincrônicas, com aulas à disposição no Canal do Desafio no Youtube e no facebook da Tv Com Pelotas”, explica a coordenadora, Nóris Leal. Em maio, uma nova ação foi lançada, intitulada Desafio Pré-Vestibular Durante a Pandemia. Ela utiliza a plataforma da UFPel para aulas e interação entre alunos e professores e o conteúdo é, posteriormente, disponibilizado para toda a população no Youtube.

Nóris crê que não foi um aumento das desigualdades educacionais o que a pandemia causou. Na opinião da professora, houve um escancaramento do sucateamento da educação pública no Brasil. “Como fazer um ensino remoto, se só 40% da população brasileira têm algum tipo de acesso à internet, e na maioria das vezes este acesso é de baixa qualidade?”, indaga. “ No Desafio Pré-universitário temos a certeza que não estamos atendendo ao grupo da comunidade, ao qual o projeto tem objetivo de atender e que o faz há 27 anos. Estes são os alijados do mundo digital, na sua maioria. A entrada este ano, através do Enem, será elitizada”, finaliza.

Candidatos infectados terão nova chance

O presidente substituto do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Camilo Mussi, disse ontem à Agência Brasil que candidatos do Enem que forem diagnosticados com o coronavírus terão nova oportunidade de fazer a prova. A orientação é ligar para central de atendimento do Inep (0800 616161) e comunicar a doença até um dia antes da data da prova. Além disso, deverá registrar o problema anexando laudo médico na Página do Participante. Os casos deferidos pelo Inep poderão participar de uma reaplicação do exame nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2021.


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados