Temporal

14 mil permanecem sem luz em Pelotas

Comerciantes e população em geral seguem sofrendo os reflexos dos ventos e chuva de segunda-feira

13 de Janeiro de 2021 - 16h13 Corrigir A + A -
A comerciante Juleane perdeu mercadorias pela falta de energia elétrica (Foto: Jô Folha - DP)

A comerciante Juleane perdeu mercadorias pela falta de energia elétrica (Foto: Jô Folha - DP)

Cleusa precisou alugar um gerador para seguir trabalhando (Foto: Jô Folha - DP)

Cleusa precisou alugar um gerador para seguir trabalhando (Foto: Jô Folha - DP)

No Areal, os filhos da professora  Rita Pereira aguardam o retorno da energia elétrica quase 48 horas após o temporal (Foto: Jô Folha - DP)

No Areal, os filhos da professora Rita Pereira aguardam o retorno da energia elétrica quase 48 horas após o temporal (Foto: Jô Folha - DP)

Dois dias após um temporal tomar conta da região, Pelotas ainda sente os impactos do vento e da chuva. Durante a tarde de quarta-feira (13), ainda existiam residências sem luz, comerciantes tendo que pagar aluguel de geradores e o medo de danos ainda maiores. Na tarde de quarta-feira, ainda eram 14 mil unidades consumidoras sem energia elétrica na região.

De acordo com o Laboratório de Agrometeorologia da Embrapa - Agromet, foram registrados na última segunda-feira, 31 milímetros de chuva e ventos de 96 km/h. Devido ao fenômeno a CEEE informou que mais de 200 mil pessoas chegaram a ficar sem luz desde o início da noite daquele dia - 180 mil só em Pelotas e outras 40 mil em Rio Grande. O temporal ainda deixou uma pessoa morta, na Noiva do Mar, e três feridas na Princesa do Sul. Na atualização feita às 10h30min da manhã de quarta-feira (13), a companhia informou que ainda havia 18 mil unidades sem luz em Pelotas, além de casos pontuais na cidade vizinha.

A distribuição de água para locais como Pestano, Getúlio Vargas e Sanga Funda, por conta de falta de energia elétrica na Estação de Tratamento de Agua (ETA) Sinnott permanecia interrompida até a tarde de quarta-feira (13). A área do reservatório de água do Recanto de Portugal também estava sem luz quarta-feira (13), também impossibilitando o abastecimento na região. O rompimento de uma adutora na BR-116 deixou a Vila Princesa sem Água.

Comércios sofrem prejuízos
Conforme boletim emitido pela prefeitura, as principais áreas afetadas foram as macrorregiões do Laranjal. E é lá que fica a padaria do casal Arthur e Juleana Conceição. Eles contam que a energia elétrica deixou de ser fornecida as 19h da segunda-feira, sendo restabelecida apenas no início da tarde de quarta-feira (13). Produtos como sorvetes, frios e salgados, que necessitam de refrigeração ou aquecimento contínuo, foram totalmente perdidos. "É desesperador. Tu vê o teu negócio completamente parado e as coisas estragando sem poder fazer nada", relata a comerciante. Uma alternativa seria o aluguel de geradores, mas o casal não os conseguiu: estavam já todos reservados.

Também comerciante no Laranjal, Cleusa Coelho teve mais sorte, mas também não vivia boa situação na tarde de quarta-feira (13): sem luz desde o temporal, ela alugou um gerador com custos consideravelmente elevados: R$ 700,00 a cada 12 horas, além de R$ 50,00 por hora para o combustível. "Não quero nem fazer as contas do prejuízo", comentou ao Diário Popular. "Ontem ainda corria fogo. Chamamos a CEEE e a Defesa Civil e ninguém veio. Seguimos apreensivos", continuou, se referindo a fios que restavam soltos na rua.

Coelho tem comércio no Laranjal há 20 anos e relata que essa não é a primeira vez que passa por problema semelhante no bairro. "Sempre precisamos fazer aluguel de gerador para não perder produtos. Quando falta luz, já sabemos que vai demorar um dia para voltar. Considero descaso", critica.

Sem luz, a preocupação é com o alimento
A família da professora Rita Pereira, moradora do Areal, aguardava em frente de casa que, após quase 48 horas, a energia elétrica voltasse. Com dois filhos pequenos, ela disse estar particularmente preocupada com os alimentos dentro da geladeira, como o leite das crianças. "É sempre assim quando acontece um temporal dessa força. Ano passado chegamos a ficar quatro dias sem luz", relata.

Rita também se somou aos pelotenses que atualmente tem apreensão por conta de fios de alta tensão e árvores caídos. Além disso, a professora relatou dificuldades para realizar atividades profissionais sem ter acesso à energia elétrica e internet. "Estamos incomunicáveis", completou.

Trabalho árduo
A cobrança das pessoas é exatamente o maior desafio do trabalho, segundo um servidor da CEEE, ouvido pelo Diário Popular no Laranjal, que não quis se identificar. Há 15 anos desempenhando o serviço de fazer os reparos na cidade após temporais, ele estava no bairro desde as 7h30min da manhã e já havia perdido as contas dos atendimentos feitos desde então. "A reclamação é o pior. A gente quer resolver e entende a ansiedade das pessoas, mas muitas vezes não conseguimos dar conta. São muitas ocorrências."

Município cria força-tarefa
Defesa Civil, Corpo de Bombeiros de Pelotas e CEEE formaram uma força-tarefa para normalizar a situação da cidade após os estragos causados pela tempestade. Foram 60 cargas de galhos e troncos recolhidos até a manhã de quarta-feiorra (13). A solicitação de recolhimento pode ser feita à Secretaria de Serviços Urbanos (Ssui), de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelos telefones 3229-1401 e 3283-1129. Fora desse período, a equipe de plantão recebe pedidos por meio do 98445-3647. Também houve entrega de lonas para cobrir casas destelhadas

 

 


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