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Vôlei sentado ganha espaço em Pelotas

Desde o início do mês, projeto da prefeitura organiza aulas semanais da modalidade no Ginásio Municipal e segue aberto a novos integrantes

19 de Abril de 2022 - 10h03 Corrigir A + A -
Rede adaptada tem 1,15m para homens, menos da metade do tamanho tradicional (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Rede adaptada tem 1,15m para homens, menos da metade do tamanho tradicional (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Há duas semanas, o universo do esporte em Pelotas conta com uma nova opção inclusiva. A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Educação e Desporto (Smed), lançou o projeto de aulas de vôlei sentado. As atividades acontecem no Ginásio Municipal, conhecido como Karosso, e as vagas seguem abertas para amputados, paralisados cerebrais e lesionados na coluna vertebral, além de pessoas com problemas de locomoção.

Responsável pelo projeto, o professor Ingo Stumm Júnior enxerga boa aceitação nos primeiros passos. Mas sabe que, não raro, a falta de divulgação impede que mais gente manifeste interesse. Afinal, esta é a segunda iniciativa em todo o Estado, somada a uma em Porto Alegre. Para começar no vôlei sentado, não é necessário nenhum tipo de conhecimento prévio do esporte. Tanto que, dos atuais seis integrantes em Pelotas, apenas um já tinha familiaridade.

“Dos que já estão desde o início, um viu pelas redes sociais e outro pratica câmbio [adaptação do vôlei], porque usa prótese. Outra menina faz arremesso do paratletismo aqui, e ela já participava. Mas essas são atividades individuais. O esporte coletivo chama mais atenção. Eles se sentem entre seus iguais. Falam sobre prótese, quem usa, quem não usa, suas dificuldades”, avaliou Ingo, ao receber a reportagem do Diário Popular em atividade no Ginásio Municipal.

Inclusão aliada à técnica

Realizados às segundas e sextas-feiras, a partir das 15h10min, os encontros começam com alongamentos orientados também por um estagiário da Smed. Em seguida, Ingo comanda os treinamentos mais básicos, desde passar a bola para o outro lado da rede até sacar, considerando o estágio dos participantes com relação aos movimentos técnicos do vôlei.

O DP acompanhou cerca de meia hora de uma das atividades. A faixa etária de cada um dos presentes mostra que também não há qualquer restrição de idade – tanto que o projeto recebe qualquer pessoa interessada com 13 anos ou mais. Arthur, Taíssa, Márcio, Jadílson e Jader aproveitavam para se exercitar enquanto evoluem na modalidade.

“É um projeto inclusivo dos dois lados”, diz Ingo, mencionando que ele geralmente participa dos treinamentos com os alunos.

O vôlei sentado

Adaptado às necessidades de pessoas com deficiência de locomoção, o vôlei sentado tem, é claro, um tamanho inferior da rede. No masculino, ela mede 1,15m contra 2,43m da modalidade tradicional. Já no feminino, altura chega a 1,05m – são 2,24m conforme a padronizada do esporte. Para bater na bola, o jogador deve ter os glúteos encostados no chão.

“Os maiores diferenciais do vôlei sentado estão atrelados aos seus benefícios tanto para o atleta quanto para a inclusão social. As pessoas com deficiência, que começam a praticar o esporte, têm muitas oportunidades como fortalecer relações de amizade por meio da prática, participar de competições, superando seus limites, melhorar a saúde e aspectos referentes à deficiência, como o caso de dor crônica, manter-se ativas, com uma considerável melhora na disposição e diminuição de cansaço físico, diminuir a ansiedade, a depressão, e melhorar o estado de humor, além de adquirir mais independência”, explica o professor e coordenador do projeto.

Inscrições

Interessados em participar das aulas podem se inscrever diretamente no Ginásio Municipal, rua Álvaro Chaves, 2.000, ou pelos telefones (53) 3222-1592 e 98444-1968.

Vem aí o Festival Paralímpico

No final de abril, prefeitura e Smed organizarão um Festival Paralímpico. Haverá ainda uma formação para professores e oficinas para a comunidade, com a presença do treinador da seleção brasileira de vôlei sentado de jovens.


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