Despedida

Um tributo ao "melhor deles!"

Jornalista Sérgio Cabral, 61, com uma carreira construída no esporte, morreu na noite de quinta-feira, após cirurgia cardíaca

20 de Novembro de 2020 - 20h43 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
esporte@diariopopular.com.br 

O samba era uma das grandes paixões de Sérgio Cabral

O samba era uma das grandes paixões de Sérgio Cabral

Não é fácil escrever sobre a morte. Mais difícil ainda quando a pessoa em questão é a real representação da alegria para todos que tiveram a sorte de cruzar com ela pelo caminho. Porque é justamente esse o sentimento de quem conheceu Sérgio Augusto Araújo Cabral, que nos deixou precocemente na noite de quinta-feira após uma cirurgia cardíaca.

O Cabral do Posto, do futsal, do pádel, do samba, da rádio, do Diário Popular e do Multiesporte é um exemplo de vida para todos. Uma pessoa de coração puro, que fazia o impossível para ajudar quem quer que fosse, mesmo quem ele sequer conhecia. Um homem com o dom de tornar qualquer ambiente em um lugar melhor só por entrar nele. Bastava uma piada, um chocolate em cima da mesa ou um abraço para deixar tudo mais leve.

De todas as atividades citadas acima, o projeto Multiesporte era aquela da qual ele mais sentia orgulho. O programa de rádio que virou a maior premiação do esporte amador no interior do Rio Grande do Sul estava em seu 26º ano. Em 2020 a festa de premiação seria trocada pelo lançamento do livro “Que fase”, sobre a sua trajetória de vida profissional.

Cabral tinha 61 anos, deixou quatro filhos e uma legião de amigos, leitores e ouvintes que, infelizmente, não tiveram a chance de se despedir. Fica a saudade e o desejo de ter tomado pelo menos mais um cafezinho na galeria. Descansa em paz, “melhor deles!”, como costumava brincar.

Confira a seguir depoimentos:

Prefeitura de Pelotas

“Em nome da Prefeitura de Pelotas e em meu nome pessoal, manifestamos publicamente nosso mais profundo pesar pelo prematuro falecimento do jornalista e radialista Sérgio Cabral. Durante décadas de profícua atividade profissional em nossa comunidade, Cabral conquistou a simpatia, respeito e amizade de seus colegas, seus ouvintes e leitores e de tantos quantos o conheceram. Nossas sinceras condolências a seus familiares, colegas e amigos. Hoje é um dia de tristeza e luto para a comunicação em Pelotas e em nossa região.” (Paula Mascarenhas)

Renan Silva, jornalista

Dos muitos ensinamentos que Cabral deu aos colegas de Redação, um vinha inserido no seu bordão: “A pior coisa do mundo é a ingratidão.” Cabral foi meu primeiro chefe a partir do momento que me graduei, a primeira pessoa a me premiar como jornalista e muito mais do que um colega de editoria de Esporte do DP. Era um AMIGO, com letras garrafais. Fará muita falta. Obrigado por tudo, Cabral.

Mônica Jorge, jornalista

“Tu é o melhorzinho”, “Que fase”, “Que saudade”, quem nunca ouviu um dos bordões do Cabral com certeza perdeu uma grande oportunidade. Cabral era casa cheia, alegria, samba, carnaval. Um excelente comunicador, não só no papel de repórter ou entrevistador, mas porque também era um bom ouvinte. Deixou um legado muito importante para Pelotas, onde sempre foi um grande incentivador do esporte amador e da cultura local. Fará muita falta.

Vinícius Guerreiro, jornalista

O dom da fala. Cabral tinha esse talento em todos os patamares. Seja no momento de entrevistar uma fonte e conseguir as informações mais preciosas, seja nas rodas de conversa com amigos e principalmente no momento de falar a palavra certa que precisávamos ouvir. Aprendemos contigo - todos que passaram ao teu lado na editoria de Esporte - a tua principal expressão: gratidão. Sou grato ao Cabral pela primeira oportunidade no jornalismo. Grato a todas as lições jornalísticas e de vida. Grato à amizade que construímos através das letras, dos microfones, do futebol, do samba e dos churrascos. Grato pela parceria que construímos. Que dia, que fase, que vida.

Sérgio Lemes, jornalista

Sérgio Cabral foi uma das pessoas mais sensacionais com quem já pude trabalhar. Sempre alegre, cativava todos na redação com sua maneira de viver a vida. Conhecia como poucos os bastidores do futebol pelotense. Nos churrascos em que participava, quando ele começava a falar, todos ficavam em silêncio, pois sabiam que a história era imperdível. Vá com Deus meu amigo, saiba que tu só deixaste coisas boas aqui na terra.

Bruno Marsilli, jornalista

Difícil mensurar o que Sérgio Cabral representa para a comunicação pelotense. Perdemos uma referência no jornalismo esportivo. Perdemos um incentivador do esporte, da cultura e dos jovens talentos. Cabral circulou como poucos nos bastidores dos três clubes da cidade e nos ensinou que o relacionamento é a principal ferramenta de apuração em uma redação. Foram incontáveis resenhas, cafés, jantas, programas de rádio, apurações, jornadas esportivas e sambas juntos. Cabral nos deixa, mas sua obra é eterna. Obrigado, Cabralzinho.

Notícias relacionadas


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados