Futebol Internacional

Uefa x Superliga: a queda de braço europeia

Entidade e clubes dos altos escalões do futebol inglês, espanhol e italiano travam batalha motivada pelo lucro; nova Liga dos Campeões pode colocar fim à discussão

19 de Abril de 2021 - 18h41 Corrigir A + A -
Gigantes europeus querem competição mais lucrativa  (Foto: Divulgação - DP)

Gigantes europeus querem competição mais lucrativa (Foto: Divulgação - DP)

Milan, Arsenal, Atlético de Madrid, Chelsea, Barcelona, Inter de Milão, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham fundaram, no último fim de semana, a Superliga europeia: uma nova ideia de competição, motivada pelo lucro e que bate de frente com os interesses da Uefa entidade que regula as competições no velho continente - e que ameaçou banir jogadores de seleções do bloco e até mesmo da Copa do Mundo. Imediatamente, a formação de uma nova liga com 12 clubes da Espanha, Inglaterra e Itália foi repudiado pela grande maioria da comunidade esportiva internacional. E apenas a mudança no formato da Liga dos Campeões, aprovada ontem pelos europeus, pode colocar fim ao entrave.

"Esse formato evoluído vai manter vivo o sonho de qualquer time da Europa de participar da Liga dos Campeões graças aos resultados obtidos dentro de campo, e também vai permitir viabilidade a longo prazo, prosperidade e crescimento para todos do futebol europeu, não apenas um pequeno e auto-escolhido cartel", declarou o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin.

As mudanças aprovadas na Liga dos Campeões envolvem o número de participantes e fórmula de disputa, que valeriam a partir de 2024. A fase de grupos será extinta, passando para o formato de pontos corridos. Ainda não há detalhes precisos de como os 36 clubes - quatro a mais do que atualmente - se enfrentariam, mas o regulamento prevê um mínimo de dez jogos para os clubes no primeiro momento da competição. Os oitos melhores passariam às oitavas de final.

Já as equipes colocadas entre a nona e a 24ª posição na tabela geral estarão em um playoff para definir outros oitos que fecham os 16 da etapa seguinte, nos moldes tradicionais da fase de matas. As mudanças são discutidas desde 2019 e, de acordo com especialistas, só saíram do papel agora pela pressão exercida pelos gigantes do futebol europeu com a criação da Superliga.

Apesar de aprovadas, as alterações só entrariam em vigor em 2024 e cabe aos interlocutores da Uefa, Fifa e demais federações - que estarão reunidas hoje para abordar o caso - tentar convencer os 12 clubes do bloco a reverem suas ações. Bayern de Munique, Borussia Dortmund e Porto se pronunciaram oficialmente contra a nova liga e permanecem fiéis às entidades reguladoras. O PSG também não aparece entre os participantes.

Em nota oficial, o CEO do Bayern, o ex-atacante Karl-Heinz Rummenigge, se manifestou sobre a polêmica criação da Superliga. "O Bayern não se envolveu no plano de criação da Superliga. Nós estamos convencidos de que a estrutura atual do futebol garante uma base confiável. O Bayern saúda o novo formato da Champions League porque nós acreditamos que é o passo correto para o desenvolvimento do futebol europeu. A mudança na fase de grupos vai contribuir para aumentar a emoção da competição", disse Rummenigge.

O icônico técnico Alex Fergusson e o ex-lateral da seleção inglesa e do Manchester United, Gary Neville, levantaram o tom contra a Superliga, o que causou uma reação em cadeia de protestos de atletas e torcedores por toda a Europa, especialmente na Inglaterra.

 

 


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