Série B

Sócio de peso

Balanço oficial de 2018 revela importância dos sócios xavantes, que chegam a 20% da receita, números semelhantes a dupla Gre-Nal

11 de Julho de 2019 - 22h01 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Sócios são responsáveis por 20% da receita operacional do Brasil (Foto: Jô Folha - DP)

Sócios são responsáveis por 20% da receita operacional do Brasil (Foto: Jô Folha - DP)

Não faltam entrevistas do presidente Ricardo Fonseca e da direção xavante convocando o torcedor, e muitas vezes cobrando, para associar-se ou comprar ingressos para os jogos. Os mandatários rubro-negros depositam a esperança de melhorar a vida financeira do Brasil nos torcedores. O que o Balanço Oficial de 2018, publicado no portal da transparência no site do clube, deixa claro é que o sócio é uma fatia importante na renda. Eles são responsáveis por 20% da receita operacional do Brasil. Para grau de comparação, o Inter arrecadou, em 2018, 22% da renda com sócios e o Grêmio 21%, o Corinthians apenas 7% e o Flamengo perto 25%, incluindo todas as modalidades esportivas do clube.

Questionado sobre o peso do sócio xavante, o gerente executivo Edu Pesce destaca que o torcedor é fundamental, mas ressalta que a alternância no número de sócios em dias é um fator que dificulta o planejamento financeiro. Por isso o clube tem procurado fazer campanha para conquistar cada vez mais associados. "De forma alguma podemos desmerecer o torcedor. Ele é fundamental. O que digo é que variamos de 2.800 a 4.400 torcedores em dia. As contas chegam dia 10 e nem todos estão em dia. Para ter uma segurança era importante ter cerca de 6000", afirmou dirigente.

Com sócios, o Xavante arrecadou R$ 3.245.677,09. Isso equivale a 20% da receita operacional do clube. Em contrapartida a bilheteria dos jogos foi baixa, cerca de R$ 428.690,0 - algo em torno de 2%. A principal entrada de caixa foi através das cotas de televisão: a CBF pagou R$ 5.025.880,00 e a FGF R$ 1.659.45,49. Somando R$ 6.685.225,49 ou 41%. A outra fonte de renda significativa é com patrocínios, que chegou a R$ 2.264.616,28 ou 13%. No total, o Brasil arrecadou em 2018 R$ 16.192.697,45. Um aumento de R$ 3.345.327,45.

Despesas
Em 2018 o Brasil manteve o crescimento da dívida. Passou de R$ 6.534.674,54 para R$ 7.284.030,57. Um crescimento de R$ 749.356,03. Por outro lado, o aumento do passivo no exercício do ano passado foi menor em relação ao de 2017. Há dois anos, o Brasil teve um aumento de R$ 1.199.071,73. Parte significativa dessa diferença é originária das novas arquibancadas, com o ativo no valor de R$ 1,5 milhão.

Ações
Dentre as polêmicas em ações trabalhistas com atletas, o Xavante tem R$ 933.734,94 a pagar. A maior parte desse valor foi adquirida na gestão Ricardo Fonseca. É preciso ressaltar que no balanço ainda estão os R$ 208.225,00 referente à divida com o técnico Rogério Zimmermann, que já foi resolvida, como o revelado pelo próprio treinador. Clemer e Gilmar Dal Pozzo, com os membros da suas respectivas comissões técnicas, também têm pendências com o clube apontadas no balanço.

Curiosidade no balanço é um empréstimo de R$ 20 mil do executivo de futebol que Carlos Kila fez ao rubro-negro. Há outros empréstimos que devem ser quitados pelo clube com conselheiros e antigos presidentes. Porém, apenas um novo crédito foi adquirido em 2018.

Ainda dentro das despesas, a folha salarial do plantel no ano passado foi de R$ 4.438.596,37 (sem contar férias e 13º salário). Os atletas ainda tiveram R$ 1.614.634,21 com direito de imagens e R$ 938.275,00 em premiações recebidos. As despesas de jogos foram de R$ 958.600,41.

Polêmica
A alimentação dos atletas é realizada, com almoço e janta, no restaurante Cidadela de propriedade do presidente Ricardo Fonseca. Essa rotina ocorre desde 2012. No DRE (Demonstração de Resultado do Exercício) não está especificado o valor destinado ao estabelecimento. Informa apenas custo com alimentação do departamento profissional no valor de R$ 304.769,09.

Questionado sobre a situação, Edu Pesce afirmou que essa informação, assim como a revelação individual dos salários de atletas, só pode ser revelada pelo Conselho Deliberativo. O balanço publicado no site do clube foi aprovado pelo Conselho Fiscal e passou por uma auditoria independente.


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