Série B

Selo Lessa de qualidade

Os dois melhores goleiros da Série B têm uma coisa em comum: o trabalho com o preparador de goleiros Alex Lessa

15 de Setembro de 2020 - 11h54 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Alex lançou João Ricardo no Brusque em 2010 e na Baixada tem constantemente trabalhado com os melhores goleiros da competição  (Foto: Carlos Insaurriaga/GEB)

Alex lançou João Ricardo no Brusque em 2010 e na Baixada tem constantemente trabalhado com os melhores goleiros da competição (Foto: Carlos Insaurriaga/GEB)

Na noite deste domingo (13) Alex Lessa recebeu uma mensagem. Veio de Santa Catarina, mais especificamente de Chapecó. O goleiro João Ricardo agradeceu os ensinamentos do preparador de goleiros do Xavante no início da carreira, quando trabalharam juntos no Brusque. No domingo, João sagrou-se campeão catarinense com a Chapecoense.

Deixando de lado o estadual, vamos para a Série B. Para qualquer software de análise de dados da competição que você olhar, haverá na ponta de cima da lista de desempenho de goleiros os nomes de João Ricardo e Rafael Martins. Ambos são os arqueiros com melhor aproveitamento de defesas do nacional - João possui 90% e Rafael 85% - e têm como fato em comum terem trabalhado com o preparador Alex Lessa.
“A minha felicidade hoje é imensa. Dos goleiros ‘top dois’ da Série B, o primeiro começou comigo, o João Ricardo, e ontem me mandou uma mensagem no final do jogo agradecendo pelos ensinamentos. Isso não tem dinheiro no mundo que pague, o reconhecimento das pessoas. Agora o Rafael, ano passado o Carlos Eduardo e antes o Pitol, o Martini”, afirmou Lessa.

Dentro de um contexto é bem plausível dizer que Rafael Martins é o melhor goleiro da Série B. Em comparação com João Ricardo, o goleiro xavante foi mais exigido. Enquanto o jogador catarinense fez 2,9 defesas por partida, Rafael é o goleiro com mais defesas entre todos da posição no nacional: 4,1 por jogo.
Apesar do ótimo começo de competição, Rafael Martins ainda tem pontos a evoluir na visão do preparador rubro-negro. Das 33 defesas que fez na competição, sete foram consideradas incompletas. Ou seja, não foi feita em apenas um tempo e teve rebote. Alex gosta que os goleiros arrisquem mais e tentem segurar a bola.
“Como está vindo a sequência de jogos, a gente percebe a evolução dele de um jogo para outro. Eu gosto muito de uma defesa ampla e segura. Uma defesa de um tempo só. Eu bato muito na tecla com os goleiros de fazer a defesa em um tempo só, não dar rebote, pois isso dá uma segurança maior ao time. Esse é o fundamento que estou aprimorando nos goleiros do Brasil”, revela o profissional.

Jogo com os pés

É nítido que o Brasil do técnico Hemerson Maria exige que os goleiros participem mais do jogo com os pés. A ideia do comandante rubro-negro é que Rafael Martins faça parte do início da construção, formando a linha de três com os zagueiros. O objetivo é criar a superioridade numérica na saída de bola a partir do goleiro e assim não retirar um jogador do meio, tendo mais opções de passe à frente.

Os números mostram bem essa diferença em relação ao Xavante das últimas temporadas. Rafael Martins tem média de 37 toques na bola por partida. Carlos Eduardo, por exemplo, teve 29,6 na temporada passada. Outra diferença clara é que Rafael possui uma média de 11,6 passes por jogo no campo defensivo, já Cadu, 6,0. Isso inverte nas bolas longas: enquanto Cadu buscava 5,4 bolas longas por partida, Rafael tem 4,9 de média.

“Fizemos muitas reuniões e o Hemerson conversava sobre essa ideia de jogo com os goleiros, tendo essa iniciação das jogadas. Eu procurei técnicas para desenvolver esse recurso que hoje é muito importante. A escolha do Rafael se deu em conta de ter se adaptado mais rápido à ideia de jogo do Hemerson Maria nesse tempo curto”, explicou Alex, que ainda destacou o posicionamento do goleiro na hora de fazer a cobertura da defesa: “ele está jogando da meia lua para a frente. Quando nosso time está na intermediária ofensiva ele fica dois passos à frente da meia lua e na linha da bola”.

Fator torcida

Alex gosta dos goleiros vibrantes e que exerçam liderança. Esse processo de evolução em relação à postura do camisa 1 em campo ficou claro com Carlos Eduardo na temporada passada. Com o decorrer dos jogos, Cadu passou a orientar mais os companheiros e se impor. um processo que Lessa acredita que Rafael Martins também fará de maneira natural.

Um fator importante que o preparador tem trabalhado é a diferença de atuar sem torcida por causa da pandemia da Covid-19. Alex vê que o profissional precisa estar ainda mais concentrado durante todo o jogo. “Em um jogo com torcida a concentração do goleiro naturalmente é elevadíssima, e sem torcida ela precisa ser mais elevada, pois aparenta ser um jogo treino de luxo”, finalizou.


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