Estratégias

Saída de jogo na mira dos preparativos no Brasil

No retorno aos treinos, goleiros Xavantes devem intensificar trabalhos com os pés para participarem do início da construção das jogadas

19 de Maio de 2020 - 13h30 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Trabalhos. Lessa irá focar na parte técnica no retorno. (Foto: Jonathan Silva)

Trabalhos. Lessa irá focar na parte técnica no retorno. (Foto: Jonathan Silva)

O Brasil não irá contratar goleiros para o restante do ano. A afirmação pode parecer até irrelevante visto o grande desempenho dos arqueiros rubro-negros neste começo de temporada. Mais uma vez a camisa 1 tem sido destaque no Bento Freitas. Porém, com a chegada do técnico Hemerson Maria, Matheus Nogueira e Rafael Martins terão uma nova responsabilidade - além de seguir evitando gols - que é a de participar da construção das jogadas ofensivas.

Hemerson Maria e o preparador de goleiros, Alex Lessa, possuem uma boa relação há, mais ou menos, quatro anos. Os dois foram rivais em Santa Catarina. Maria trabalhava na base do Figueirense e Alex no Brusque. Nos últimos anos trocaram ideias sobre futebol e, principalmente, referências em relação a determinados atletas na hora de reforçar suas respectivas equipes.

Após assistir aos 11 jogos do Xavante na temporada, Maria procurou Lessa. Elogiou o trabalho do preparador, o desempenho dos goleiros e confirmou que não precisará contratar um camisa 1. “Mantenho contato com o Hemerson há uns quatro anos, trocando informações sobre futebol e jogadores. Nos enfrentamos na base aqui em Santa Catarina, quando eu estava no Brusque e ele no Figueirense. Hemerson ligou para todos da comissão quando foi contratado. Assistiu aos onze jogos e ele ficou muito satisfeito com a performance dos goleiros”, contou o preparador Alex Lessa.

O novo treinador passou a Lessa os conceitos de jogo que acredita. Por gostar de iniciar a construção do ataque desde a defesa, os goleiros tornam-se peça importante neste momento. A partir da retomada dos treinamentos, previstas para julho, o preparador irá intensificar os trabalhos nesse sentido. Alex mostra confiança na adaptação de Matheus e Rafael já que ambos tiveram experiências nesse tipo de modelo.

“A ressalva é de iniciar jogando desde trás. Mas isso não me preocupa. Tanto o Matheus, quanto o Rafael já jogaram em equipes assim. O Matheus passou pela Ferroviária que já vem com esse modelo faz tempo. Estou elaborando treinos nesse sentido. Tudo dentro da margem de segurança. Quando tiver que tirar o time de trás, o goleiro vai quebrar a bola e vamos disputar a primeira e a segunda bola lá na frente”, contou o preparador.

Reinvenção
Quem está acostumado a ir ao Bento Freitas acompanhar os treinos da equipe costuma ver os goleiros serem osprimeiros a pisarem no gramado e os últimos a saírem. A intensidade das atividades do preparador rubro-negro chama a atenção. Não é por acaso que a camisa 1 do Brasil tornou-se destaque nos últimos anos de Série B. Assim, Alex está tendo um desafio muito diferente neste momento de quarentena. Além de buscar minimizar a queda física dos goleiros, já que estão vetados os treinamentos devido à Covid-19, o profissional precisa trabalhar a parte mental dos atletas que não estão acostumados a ficarem tanto tempo confinados.

“É muito difícil. Nos conversamos e eles estão sentindo muito. Goleiro passa mais no campo do que na casa deles. É um momento muito complicado, mas tentamos ver o outro lado. Estamos empregados e em um clube de Série B. Olha o exemplo da Série D que pode não sair ou outros profissionais que ficaram sem emprego. O que motiva é o objetivo lá na frente”, destacou Alex.

Enquanto trabalha a mentalidade dos atletas, Lessa auxilia o preparador físico na manutenção física dos goleiros. A regra, neste momento, é improvisar e tentar dar a melhor condição possível. O goleiro Matheus, por exemplo, estava conseguindo correr apenas às 21h no estacionamento do prédio onde reside. Antes disso ficava inviável por causa do movimento. Já o jovem Marcelo, que mora em zona rural, chegou a utilizar pedras para auxiliar em um exercício. “Eu brincava que o Marcelo era o homem das cavernas, foi buscar pedras. Mas é isso, uns usam mochila com peso, outros galões de 20 litros”, brinca o preparador de goleiros do rubro-negro.

A questão física, confessa, não preocupa Alex. O tempo de manutenção, mesmo em casa, será suficiente para os atletas se apresentarem em boa forma. O que tira o sono do preparador é a questão técnica. Na pré-temporada, por exemplo, o preparador faz 90% das atividades com bola.

“O que me tira o sono é a questão técnica. Essa semana vamos começar a pôr exercícios com bola, dentro da limitação do espaço de cada um. Fazer até aqueles paredões, para quem puder, é claro. Em apartamento é impossível”, relatou o preparador.

Otimista, Alex consegue tirar pontos positivos da parada. Quando se reapresentarem, o técnico Hemerson Maria terá um tempo satisfatório para aplicar os conceitos e o próprio Alex focar na parte técnica dos goleiros. Algo raro em meio ao apertado calendário brasileiro.


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