Série B

Reencontro histórico

Duelo entre Cruzeiro e Brasil será o primeiro do clube contra o técnico Luiz Felipe Scolari no Campeonato Brasileiro

05 de Dezembro de 2020 - 11h38 Corrigir A + A -
Xavante levou a melhor na partida do primeiro turno da Série B (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Xavante levou a melhor na partida do primeiro turno da Série B (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Por: José Ricardo Castro e Vinicius Guerreiro
esporte@diariopopular.com.br

O ano era 1984. Luiz Felipe Scolari dava os primeiros passos de sua vitoriosa carreira como técnico de futebol justamente no Grêmio Esportivo Brasil. A participação no Campeonato Brasileiro daquele ano colocou frente a frente Brasil e Cruzeiro. Curiosamente, é este confronto que vai marcar, neste sábado (5), o reencontro de Felipão com o Xavante em competições nacionais.

A partida das 21h, no Mineirão, em Belo Horizonte, será o 5º encontro entre os dois clubes. Os dois primeiros ocorreram no Brasileirão de 84. O inaugural, como o mais recente - válido pela Série B 2020 - terminou com vitória rubro-negra por 1 a 0. Bira marcou no pelo lendário time dos anos 1980, e Gabriel Poveda anotou neste ano. A raposa levou a melhor nos outros dois confrontos: 4 a 0 em 1984 (Mineirão) e 2 a 1 em 1993, em amistoso disputado na Baixada.

O ex-presidente Rogério Moreira, na época integrante do departamento de futebol, lembra de uma conversa com Felipão antes do jogo do dia 1° de fevereiro de 1984. “Na véspera da partida, na concentração, enquanto jantávamos no hotel da Cascata, o Felipão comentava que se o jogo estivesse no 0 a 0, se encaminhando com uma dificuldade para a vitória, que ele lançaria mão do Bira, ainda atleta do júnior do Brasil, na tentativa de se conseguir o gol. E foi o que aconteceu. No segundo tempo ele colocou o Bira e em uma bola alçada pelo Júnior Brasília o Bira cabeceou e nós vencemos por 1 a 0.”

Moreira destacou também a formação da primeira “Família Scolari” e também o início da parceria com Flávio Teixeira, o Murtosa. “Ele foi fundamental na montagem daquele grupo. Ele foi o responsável pela vinda do Zezinho, do Amauri, pelo retorno do Doraci, a vinda do Jurandir, além da efetivação do Lívio, do Júnior Brasília, enfim. Uma equipe que ele começou a montar ali, talvez a primeira ‘Família Scolari’, e já mostrava que teria um futuro muito grande como treinador. Foi aqui que ele conheceu e começou a trabalhar com o Murtosa e houve uma identificação muito grande dos dois”, disse.

Mesmo sem muito contato nos últimos anos, Rogério Moreira acredita que a partida será marcante também para Luiz Felipe Scolari. “É um encontro especial para nós e acredito que para ele também. Faz muito tempo que não converso com o Luiz Felipe e pessoalmente não encontro com ele há mais de cinco ou seis anos. Mas é um reencontro que realmente mexe, é um jogo que tem um diferencial bastante importante”, finalizou.

 Carlos Queiroz 9576964Murtosa contou histórias dos tempos de Bento Freitas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

O fiel escudeiro

Um dos personagens daquela vitória do Brasil frente ao Cruzeiro, no Estádio Bento Freitas, está em Pelotas. É Flávio Cunha Teixeira, o Murtosa, ex-auxiliar técnico de Luiz Felipe Scolari, o treinador do time. “Ali começamos um bom trabalho,” lembra ele.

Aos 69 anos de idade e com a decisão familiar e pessoal de não se envolver mais com o futebol em termos profissionais, Murtosa puxa pela memória e lembra fatos e situações que ocorreram à época.

Lembra que o Brasil integrava um grupo que tinha ainda o Internacional, o Cruzeiro e o Athletico Paranaense. Dois passariam para a segunda fase do campeonato. “Tudo era uma decisão, o Brasil estava disputando contra três grandes times,” afirma. “Eu não lembro bem, mas este jogo nos possibilitaria seguir na disputa pela classificação no grupo. O gol foi do Bira. Também vencemos o Inter com gol de falta cobrada pelo Chico Fraga,” afirma.

A classificação para a fase seguinte foi obtida em jogo contra o Athletico-PR, em Curitiba. “Foi um 0 a 0 danado, difícil, uma pressão terrível e o Gilberto pegando tudo, inclusive pênalti,” comenta. 

Classificado, o Brasil retornou para Pelotas e foi eliminado da competição em jogos contra a Portuguesa Paulista. Murtosa afirma que o grupo daquele ano foi a base para o ano seguinte, quando, sob o comando de Valmir Louruz, foi feita uma excelente campanha na competição.

Confira a entrevista com Flávio Murtosa:


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