Inclusão

Pelotenses falam da experiência na arbitragem do futebol da Surdolimpíada

Evento terminou neste domingo (15) em Caxias do Sul

16 de Maio de 2022 - 09h14 Corrigir A + A -
Jean Pierre apitou a decisão do futebol neste domingo (Foto: Renan Silva)

Jean Pierre apitou a decisão do futebol neste domingo (Foto: Renan Silva)

A 24ª Surdolimpíada terminou neste domingo (15) em Caxias do Sul deixando saudades. Para os atletas, é claro, mas também para quem esteve envolvido com o evento de outras formas. Como a arbitragem do futebol de campo. Aconteceram as finais do campeonato no estádio Centenário. E apesar da postura sempre séria dos árbitros, nenhum deles fez questão de esconder o orgulho de viver esta experiência tão rara.

Com ingredientes semelhantes ao das tradicionais decisões de Jogos Olímpicos, as partidas decisivas do futebol tiveram Estados Unidos e Polônia, no feminino, e Ucrânia e França, no masculino. Norte-americanas e ucranianos conquistaram o ouro, em dois jogos de bom nível técnico. A principal diferença esteve na maneira de conduzir os jogos.

"Os árbitros centrais utilizam, além do apito, uma bandeira, assim como os assistentes, para sinalizar infrações. O posicionamento também muda, já que eles precisam ficar no campo visual dos atletas. Gestos também são muito utilizados", explicou o pelotense Maicon Zuge, um dos coordenadores da arbitragem de futebol de campo da 24ª Surdolimpíada. "As regras são as mesmas da Fifa, a diferença fica por conta dessas adaptações", complementa.

Para ficarem a par dessas diretrizes, um congresso técnico foi realizado pelo Comitê Internacional antes do campeonato. Mas a experiência dentro dos jogos, claro, foi ajudando cada árbitro a se adaptar cada vez mais.

Oportunidade valiosa

Jean Pierre Lima foi responsável por comandar a decisão masculina da Surdolimpíada. Atuou também como árbitro de Irã e Camarões e foi reserva em Itália e Holanda e Estados Unidos e Polônia, no feminino. E a oportunidade não poderia ter sido mais positiva. "É a primeira vez que atuo em uma competição assim. Uma baita experiência. Convivência com várias nacionalidades e culturas diferentes. Não senti grandes dificuldades quanto à adaptação e à maneira de atuar", comentou.

Segundo Jean Pierre, os atletas colaboram com o desenrolar dos jogos. Uma realidade distinta dos duelos profissionais visados pelo grande público.

"O jogo por si só parece que volta à sua essência histórica como um jogo de cavalheiros. Os atletas são muito educados, possuem um foco bastante amplo com o que acontece ao redor. Eles próprios, quando sentem que existe uma possibilidade de haver infração, buscam as referências das bandeiras para obter informação. Outra situação interessantíssima, quando um atleta não percebe a sinalização de alguma infração, o próprio adversário gesticula em seu campo visual e mostra que houve um interrompimento do jogo. E não existe nenhuma tentativa de ludibriar seu oponente com essa situação. Por isso achei muito parecido com a essência histórica", explicou o árbitro, acostumado a grandes clássicos do futebol nacional.

De acordo com Maicon Zuge, 46 árbitros estiveram envolvidos nos jogos de futebol de campo da Surdolimpíada, sendo cinco pelotenses: Jean Pierre, Érico Andrade, Eduardo Bastos, Rui Vergara e Paulo Ivan Ávila.


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