Rugby

Oportunidade e consolidação através do rugby

Cinco atletas do Vem Ser Rugby iniciam nessa quinta período de teste em clube profissional do Mato Grosso

21 de Janeiro de 2021 - 09h36 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

As cinco meninas residem no bairro Dunas em Pelotas (Foto: Jô Folha - DP)

As cinco meninas residem no bairro Dunas em Pelotas (Foto: Jô Folha - DP)

O Vem Ser Rugby é coordenado pelo professor Eraldo Pinheiro e tem como técnica a doutoranda Camila Borges (E) (Foto: Jô Folha - DP)

O Vem Ser Rugby é coordenado pelo professor Eraldo Pinheiro e tem como técnica a doutoranda Camila Borges (E) (Foto: Jô Folha - DP)

A excelência no esporte passa por alguns valores e pilares imprescindíveis. O maior deles é o social, de oportunizar a todos e a todas as mesmas condições para desenvolverem seus talentos. A seguir vem o processo. É entender que, para alcançar o mais alto nível, é preciso planejar e executar em longo prazo. O imediatismo não leva ao resultado. Junto ao social e ao processo, anda a ciência. É através dela que se potencializa todos os meios para que grandes atletas surjam. Pelotas reúne todas essas qualidades em um só lugar: o Vem Ser Rugby. É de lá que estão saindo nessa quinta-feira (21) cinco meninas rumo ao sonho de se tornarem atletas profissionais de rugby.

Kely, Ketlyn, Kezia, Kimberly e Thalia são jogadoras do Vem Ser Rugby Pelotas. Um projeto da Escola Superior de Educação Física (Esef), apoiado pela prefeitura de Pelotas, que contempla a mais alta excelência em desenvolvimento de atletas. Foi pela qualidade do trabalho realizado pelo Laboratório de Estudos em Esporte Coletivo (LEECol) da UFPel, coordenado pelo professor Eraldo Pinheiro e executado pela doutoranda e treinadora Camila Borges, que as cinco garotas entre 16 e 18 anos vão realizar testes no Melina Rugby Clube, em Nova Mutum, no Mato Grosso, uma equipe totalmente profissional e que possui uma estrutura de dar inveja à dupla Bra-Pel.

Durante três anos, as meninas se deslocavam do bairro Dunas, em Pelotas, a pé ou de bicicleta, juntas até a Esef para treinar. Nessa quinta, todas deixaram a zona periférica da cidade para, pela primeira vez, voarem de avião. Meninas que ao receberem o Diário Popular na rua Seis mostravam ansiedade, esperança, orgulho e felicidade por estarem, juntas, construindo uma ponte para o futuro.

“Estamos ansiosas para ver quem fica na janela”, brinca a capitã da equipe Kim, de 16 anos, antes de falar sério: “eu espero é que todas gostem e que sejam aprovadas. É uma grande oportunidade para todas através do rugby”, conta.

Alta performance
O Melina é um time totalmente profissional. Uma iniciativa da família Leplus, dos irmãos Michel e Alain (ex-atleta e técnico da Seleção Brasileira juvenil), que decidiram montar um uma equipe na região de Nova Mutum. O CT do Melina conta com dois campos oficiais de rugby e alojamento onde todas as atletas profissionais e das categorias de base residem. A área faz parte da Fazenda Melina.

O time ainda é recente, irá completar cinco anos em 2021, mas já é uma das principais equipes nacionais. Em 2018, por exemplo, conquistou o campeonato nacional de maneira invicta. Na temporada passada, venceu duas das três etapas da competição.

Ter a oportunidade de realizarem um mês de testes em um clube desse porte - caso sejam aprovadas as garotas serão contratadas - é um sonho que parecia impensável quando elas iniciaram a pratica do rugby há quatro anos. Porém, algo natural pelo trabalho que desenvolveram durante esse período. As cinco já vestiram a camisa da seleção gaúcha e são monitoradas constantemente pela Confederação Brasileira de Rugby. O que para elas é a chance de um futuro inesperado através do esporte, para Eraldo Pinheiro é a consolidação de um projeto.

“Todo mundo do rugby conhece o Vem Ser Rugby. O ‘selo’ de qualidade já existe porque elas já são monitoradas e já disputaram competições estaduais, nacionais e internacionais, e também devido ao volume de trabalhos e pesquisas publicados e desenvolvidos pelo LEECol. Agora é uma consolidação de tudo que vem sendo feito. Podemos dizer que antes tínhamos um ‘selo’ muito teórico e agora estamos colocando na prática”, afirmou Pinheiro.

Sem esconder o orgulho, a treinadora Camila, que estará junto com as meninas na primeira semana de testes, destaca a realização ao ver as jovens alçando os próprios voos. Doutoranda da Esef, ela está desenvolvendo a tese para colocar no papel toda a prática que vem dando resultados incríveis ao longo desses quatro anos de projetos.

“É mais uma realização. Trabalhamos sempre para elas estarem prontas para a oportunidade e hoje elas estão. É mais uma conquista enquanto projeto e como treinadora. É uma conquista ver elas criarem as próprias asas e alçarem os voos solos”, destaca a treinadora.

No início desse texto foram citados alguns pilares. A base de todos é a mesma: a família. Eraldo Pinheiro destaca que sem o suporte dos pais, as meninas não estariam nesse momento saindo do bairro Dunas para ir ao Pantanal. O primeiro ato lá na largada do Vem Ser Rugby, foi justamente trazer os pais para dentro do projeto.

“Quando ela me contou do convite, no primeiro momento fiquei muito aflita. Mas depois vi que era o sonho dela e eu não poderia impedir, e sim deveria ajudar. Fiquei muito orgulhosa por saber que todo o trabalho que ela tem feito está dando resultado”, contou a mãe de Kezia, Fernanda que completou: “ só posso ter orgulho ao ver ela com 17 anos começando a colher os frutos do próprio suor”.


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