Gauchão 2021

O que o Bra-Pel diz sobre o momento dos clubes no Gauchão?e

O empate por 0 a 0 no Bento Freitas mostrou sintomas que levaram as equipes a brigarem contra o rebaixamento na competição

06 de Abril de 2021 - 20h21 Corrigir A + A -
Viçosa e Bustamante apresentaram bom futebol apesar do nível técnico baixo do clássico (Foto: Tales Leal/ECP)

Viçosa e Bustamante apresentaram bom futebol apesar do nível técnico baixo do clássico (Foto: Tales Leal/ECP)

O empate por 0 a 0 entre Brasil e Pelotas no clássico, realizado na segunda-feira no estádio Bento Freitas, foi uma síntese fiel do que ambos os clubes apresentaram até aqui no Campeonato Gaúcho. As semelhanças entre as equipes, que chegam a 10ª rodada na luta contra o rebaixamento, contribuíram para o placar final do Bra-Pel 365. Após o clássico, a ressaca não foi menor para nenhum dos lados, que seguem pressionados por vitórias nas duas rodadas que restam. Até o fechamento desta edição, as datas ainda não haviam sido confirmadas pela Federação Gaúcha de Futebol, mas a tendência é de que haja um certo tempo para os técnicos Cláudio Tencati e Rafael Jacques trabalharem os erros até os próximos compromissos. A pergunta é: conseguirão?

De um lado, a pior defesa: foram 16 gols sofridos pelo Pelotas. De outro, um dos piores ataques: apenas seis gols marcados pelo Brasil. Os movimentos que antecederam o clássico já previam o que mais tarde se confirmaria no campo de jogo. Com uma postura mais defensiva, Jacques fez o possível para, pela primeira vez, o Lobo não ser vazado em uma partida na competição. E conseguiu. Já Tencati lançou Júnior Viçosa e Paulo Victor direto ao time titular, sem escalas e em busca de uma evolução ofensiva e de uma vitória inédita em casa, o que não ocorreu. No fim, as estatísticas se equivaleram em encontro de apenas uma finalização perigosa de cada lado.

Quem também se equivaleu foi o futebol praticado. Ambos usaram o 4-4-2 e dois centroavantes de origem. Jacques repetiu Marcos Paulo e Marcão, enquanto Tencati deu chance para Viçosa e Paraíba, juntos. Mas as semelhanças foram além do sistema e da situação no campeonato.

No primeiro tempo o domínio rubro-negro foi evidente, porém, sem a criação de oportunidades claras de gol, uma falha que vem se repetindo desde o início do estadual. A melhor chance foi aos quatro minutos, em bonito desvio de Viçosa e defesa de Gabriel Leite após lance de escanteio. Sem uma mecânica eficiente no setor de meio-campo, o Xavante voltou a depender das jogadas de Netto, o expoente criativo do time, mostrando uma ausência de repertório ofensivo. Com o camisa 10 marcado, as chegadas à frente ficaram escassas.

No segundo tempo, os áureo-cerúleos estiveram mais soltos, após retração dos rubro-negros. Sílvio assustou o goleiro Matheus Nogueira, que apenas observou a bola explodir no travessão em cabeçada do defensor. Fora isso, os atacantes apenas se limitaram a disputas pelo alto, trabalhos de pivô e duelos físicos pela posse da bola. E foi assim em ambos os lados, uma representação do que se viu dos clube até aqui no Gauchão.

Pelotas - só "não perder" não adianta

Em tese, a estratégia de Rafael Jacques funcionou no Bra-Pel. O primeiro objetivo era não perder e, por isso, a opção por Wendel Lomar na vaga de Gabiga, dando mais consistência ao setor defensivo. O segundo era não sofrer gols. Com saldo -8, o Lobo está em ampla desvantagem caso os critérios de desempate sejam necessários na reta final da competição. Por este fato, o ponto positivo é uma possibilidade de repetição do padrão defensivo e do nível de concentração elevado diante do São José.

Desfalque: O volante Juliano, suspenso, não enfrentará o Zequinha.

Brasil - mecânica precisa ser aprimorada

A organização ofensiva do Brasil foi tímida. Há uma falta de conectividade entre os volantes e os atacantes. As aproximações e tabelas são acanhadas. Netto pela esquerda e Vidal - em outro momento Krobel - são os mais acionados, em jogadas lateralizadas. Depois e boa estreia, Paulo Victor vira opção para tornar o Xavante um time que pensa e trabalha mais as jogadas, mas precisa que um dos volantes se coloque ao seu lado nos movimentos por dentro. Bruno Mathias, destaque da última Série B, foi este jogador, mas perdeu espaço e chegou a ser utilizado em outras funções. Contra o São Luiz, pode ser uma opção para melhorar a mecânica ofensiva.

Desfalque: Everton Dias, suspenso, não enfrentará o São Luiz.

Esportivo x Ypiranga: secagem dupla

Pelo menos um resultado paralelo ajudou nesta 9ª rodada. A derrota do Novo Hamburgo para o Aimoré por 2 a 0 manteve o time na briga contra o rebaixamento. Caso vencesse, o Noia teria se distanciado três pontos do Brasil e cinco do Pelotas, o que poderia ter consagrado virtualmente o rebaixamento de clube pelotense, já que o outro mais próximo da briga seria o Esportivo.

O time de Bento Gonçalves, aliás, terá confronto decisivo diante do Ypiranga, em jogo que ainda não ocorreu pela 9ª rodada. O confronto está marcado para a sexta-feira, às 20h, na Montanha dos Vinhedos. Se vencer, o Tivo deixará a dupla Bra-Pel abraçada na zona de rebaixamento do Gauchão.

Semelhança cruel

O empate por 0 a 0 manteve a dupla como os únicos clubes que ainda não venceram em casa no Campeonato Gaúcho. Contra o rebaixamento, as equipes terão de superar mais este fato semelhante entre si. Até aqui nesta edição, foram quatro compromissos do Xavante em seus domínios, enquanto o Lobo teve cinco. E nenhum venceu na cidade, que exportou os pontos para outras localidades do Estado. O próximo adversário do Brasil em casa é o São Luiz. Já o Pelotas receberá o Caxias na última rodada, na Boca do Lobo. Ao final da competição, os áureo-cerúleos terão um jogo de vantagem como mandante em relação aos rubro-negros.

Brasil em casa

Brasil 0 x 1 Aimoré
Brasil 0 x 0 Caxias
Brasil 1 x 2 Internacional
Brasil 0 x 0 Pelotas

Pelotas em casa

Pelotas 2 x 2 Internacional
Pelotas 0 x 2 Ypiranga
Pelotas 1 x 1 São Luiz
Pelotas 1 x 2 Aimoré
Pelotas 0 x 2 Esportivo

 

 

 

 


Comentários


Diário Popular - Todos os direitos reservados