Gauchão 2020

No páreo pela camisa 9

Depois de marcar em jogo-treino, Eliel Cruz destaca briga sadia no setor de ataque e readaptação ao futebol brasileiro

18 de Janeiro de 2020 - 13h34 Corrigir A + A -
Eliel marcou diante do Riograndense-RG em jogo-treino (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Eliel marcou diante do Riograndense-RG em jogo-treino (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Autor de um dos gols na vitória por 3 a 0 sobre o Riograndense, em jogo-treino realizado na última quinta-feira no estádio Bento Freitas, o centroavante Eliel Cruz mostrou que está firme na disputa pela titularidade no ataque rubro-negro. Contra o jogador de 32 anos, está a readaptação ao futebol brasileiro, após passagens por equipes do exterior nas últimas temporadas.

"A briga por posição terá de todos os lados, não só no Brasil. Estou a cada dia dando o máximo e tentando me readaptar. É muito tempo fora. Se eu não jogar, o Wesley também estará jogando. Essa disputa sadia é algo bom para o clube", comentou Eliel em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

No período em que esteve longe dos gramados brasileiros, o jogador passou por equipes da Malásia, Bahrein, Tailândia e Portugal. Antes de acertar com o Brasil, Eliel estava no Visakha FC, clube do Camboja.

"É um momento feliz da minha vida porque são cinco anos fora. Quando conversei com o clube tinha duas propostas, uma para voltar ao Camboja e outra para a Suécia. Mas pensei bem, já era muito tempo longe. Tá podendo jogar perto da minha família, das minhas filhas, não tem preço, assim como vestir a camisa do Brasil", disse.

Com muitas diferenças culturais e esportivas, principalmente na Ásia, a readaptação nunca é fácil. Além do fuso horário, da alimentação e do ritmo de jogos e treinamentos, está a competitividade em mercados considerados menos desenvolvidos no esporte. Por conta de todos estes fatores, Eliel encara com naturalidade as adversidades iniciais e não faz questão de acelerar processos para atuar em bom nível.

"Só jogando para saber, mas falando fisicamente muda um pouco. Nos primeiros dias da pré-temporada conversei com o Gustavo e com a comissão, porque estava estranhando um pouquinho. Aqui por exemplo são dois jogos por semana, lá é no máximo um. No momento to me sentindo bem, acredito que já estou adaptado. Quanto aos jogos, vou saber se já estou adaptado apenas atuando", avaliou.

Força e presença
Eliel Cruz é um daqueles camisas 9 que impõe respeito dentro da área. Com 1,90cm de altura e quase 90kg, o centroavante faz o tipo "brigador". Na luta por espaço, a imposição física é uma de suas virtudes, embora o atleta se considere mais completo na função depois de suas passagens pelo exterior.

"Lá fora não se usa mais aquele centroavante fixo. Tem sempre que tá movimentando, caindo para os lados do campo, não sei como está no Brasil hoje. Não sei se está se perdendo essa figura hoje. Você vê o próprio Gabigol, não é aquele centroavante que se põe apenas dentro da área. Eu adquiri isso, antes era mais fixo, mas precisei fazer essas movimentações lá fora e hoje consigo me adaptar", acrescentou.

Nos últimos anos em que o Brasil passou por conquistas importantes, a figura do camisa 9 de referência ficou marcada e foi fundamental para a equipe. Éder Machado, Nena, Leandrão e o próprio Gustavo Papa, hoje treinador do rubro-negro. Atrapalhado por lesões, Papa passou muito tempo longe dos gramados em sua passagem como jogador pelo Xavante, mas adquiriu conceitos que cobra bastante durante os treinamentos. Somada a sua larga experiência como profissional da grande área, o técnico tem sido uma espécie de espelho para Eliel.

"O Papa jogou muito ali né, é conhecido no Brasil todo. Eu particularmente ouvia falar bastante dele, na época do Inter, vi muitos gols dele e voltei a olhar agora. Ele pede pra gente se colocar de uma forma quando os laterais quando chegarem estarmos posicionados para receber o cruzamento e quando os meias chegam também para fazermos o pivô. A gente vem tentando obedecer ele", admitiu.


Sub-20 sem mudanças
Durante a semana, o nome do ex-técnico do Farroupilha, Antônio Freitas, surgiu como possível novo comandante do sub-20 do Brasil, informação negada pelo coordenador das categorias de base do clube, Fábio Borba. "Não existe nada em relação a isso. Foi uma conversa que surgiu que eu não sei de onde surgiu", comentou Borba.

Antônio Freitas, inclusive, acabou acertando com o São Gabriel e treinará o clube nesta temporada. O técnico ganhou notoriedade ao levar o Farroupilha até a Série A2 do Campeonato Gaúcho em 2018, ano em que conquistou o acesso com o clube do Fragata. Freitas também treinou o Passo Fundo no ano passado.

 


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