Pela estrada

Liberdade em duas rodas

Pelotense Lúcia Badia concilia a adrenalina das competições com a calma para aproveitar as paisagens em um ritmo que só a bicicleta permite

18 de Novembro de 2019 - 13h48 Corrigir A + A -

Por: Henrique Risse
esporte@diariopopular.com.br 

Desafio. Lúcia também se aventura em provas de Ciclismo Estrada.  (Foto: Divulgação - DP)

Desafio. Lúcia também se aventura em provas de Ciclismo Estrada. (Foto: Divulgação - DP)

“A bicicleta é uma coisa maravilhosa. É um meio de transporte libertador que te permite experimentar cidade, campo, estrada, seja o que for, com o corpo todo e na velocidade exata para contemplar as belezas. E não tem nada igual ao vento batendo na cara, não é mesmo?”

Quem lê o relato acima imagina que a atleta utiliza a bicicleta apenas para passear e conhecer novos lugares. Mas esse não é o caso de Lúcia Badia, 34 anos. Para ela, a bike também é o principal meio de transporte e, nos últimos anos, um esporte no qual ela vem conquistando resultados expressivos.

Lúcia é a atual campeã do Circuito Costa Doce de Mountain Bike. O título veio no final de semana passado, com a vitória na etapa de Camaquã. Ela também subiu no degrau mais alto do pódio em Tapes, Sentinela do Sul, Barra do Ribeiro e Arambaré.

O ano, como um todo, está sendo realmente especial para ela na modalidade. Além de vencer as cinco etapas do Circuito da Costa Doce, Lúcia vem acumulando resultados expressivos em outras provas. Foram duas participações em etapas do Campeonato Zona Sul de Mountain Bike, uma em Arroio do Padre e outra em Pelotas. Em ambas, ela faturou o primeiro lugar. Também disputou o 2° Cross Experiente e ficou com a segunda colocação. Outro resultado importante foi obtido no Desafio da Serra do Rio do Rastro. Além do primeiro lugar na categoria Bicicleta de Estrada/Master A1, Lúcia Badia ficou com o 5° lugar geral entre as mulheres.

Trajetória
Como quase todo mundo, a paixão pela bicicleta começou muito cedo. “Eu sempre gostei de pedalar, mas não me animava a andar sozinha. Eu procurava sempre ter alguma parceria para andar e acabava não acontecendo. A bicicleta entrou na minha vida mesmo em 2014, quando eu precisei dela como meio de transporte. Aos poucos fui me adaptando a andar no trânsito, me empoderando. Em 2015, comecei a fazer parte de um grupo de pedal. De início, em distâncias menores que eles faziam na cidade e depois me aventurei a ir com eles para a colônia de bicicleta. Lá eu comecei a gostar da coisa e ver que eu tinha como melhorar”, explicou.

Foram muitos obstáculos superados para chegar até aqui. O maior deles veio em 2017, justamente no seu primeiro ano como competidora de MTB. Lúcia liderava o Campeonato Zona Sul de Montain Bike com folga quando, há duas etapas do fim, sofreu um acidente sério. A fratura no ombro não lhe custou apenas o título. Chateada, Lúcia decidiu largar as competições. Em 2018, já recuperada, disputou apenas alguns desafios, sem muita pressão. Mas o lado competitivo falou mais alto. Hoje, ela faz parte da equipe Nobre Bicicletas e, inclusive, tem treinos voltados para as competições, tudo sob a orientação do técnico Gabriel Protzen.
“Atualmente tenho um treinador e estou treinando certinho com ele, desde agosto. Antes eu andava quando tinha vontade, andava com amigos, com algum grupo de pedal. Agora eu treino duas vezes por semana na academia, um treino funcional todo voltado para a bicicleta, e também previsão de lesão, esse tipo de coisa. E pelo menos três vezes por semana treinos específicos na bicicleta ele me passa em uma planilha”.

A vez das mulheres
O ciclismo, como grande parte dos esportes, ainda é um universo majoritariamente masculino. A 5ª etapa do Circuito Costa Doce contou com 193 ciclistas, sendo apenas 25 mulheres. Lúcia já vê um aumento na participação feminina, mas acredita que o número pode ser ainda maior, desde que haja um incentivo real. “Oferecer desconto nas inscrições, prêmios/brindes para elas. Dar atenção e reconhecimento, sabe? Incluir mesmo. Muitas vezes a gente nem imagina do que é capaz. Normalmente mulheres são criadas com mais receio das coisas. Aí é difícil começar algo sozinha, precisa de muita força de vontade”.

Ela, e outras tantas, são provas de que as mulheres devem buscar cada vez mais o seu lugar no esporte. “Aos poucos vamos tomando o nosso lugar. Quanto mais mulheres se destacam em algum esporte, participando de provas com bastante visibilidade, mais incentiva outras a começarem também e assim vamos se puxando e retroalimentando. Eu fico muito feliz quando sinto que consigo incentivar as pessoas a fazer alguma coisa legal. Elas sentem a paixão com que se fala sobre o esporte e também ficam querendo ter essa experiência”, explicou.

Futuro
Após o retorno às competições, Lúcia já planeja voos mais altos na carreira de ciclista. Para tanto, precisa muito de parcerias para diminuir os custos, como as que já possui com seu treinador e também com a academia Profit. “Quero participar de provas maiores, como a Copa Soul e talvez o campeonato Gaúcho de MTB também. Essas provas são realizadas em localidades bem mais longes de casa e esse é o maior problema”, contou.

No próximo dia 24, a atleta vai participar do Desafio da Serra dos Tapes - RS de MTB e Cicloturismo Rural. Esta, que é a terceira etapa, será realizada na colônia de Pelotas. Ao todo, os ciclistas vão passar por nove propriedades rurais do município. Sem o caráter competitivo, a prova é uma oportunidade de se conectar um pouco mais com a cidade e, principalmente, com as pessoas. “O interessante desse desafio é que a gente passa dentro de propriedades rurais e é muito legal porque, além de conhecer o nosso interior, a gente conhece as pessoas. Cada lugar que a gente para eles oferecem alguma coisa. Isso que é o mais legal da bicicleta, ela te leva a lugares que a gente não conheceria de outra forma”, finalizou.


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