História

Legado de cinco décadas

Completando 50 anos como professor de judô, Celso Brod e o irmão Paulo, já falecido, recebem homenagens da ESEF/UFPel e da Secretaria de Cultura pelo trabalho ligado às artes marciais

26 de Outubro de 2021 - 08h27 Corrigir A + A -
Na ESEF/UFPel, sala de artes marciais foi inaugurada com o nome do irmão de Celso, Paulo Brod, falecido em 1980 (Foto: Divulgação)

Na ESEF/UFPel, sala de artes marciais foi inaugurada com o nome do irmão de Celso, Paulo Brod, falecido em 1980 (Foto: Divulgação)

A história de Celso Brod com o judô já dura 62 anos. Começou, é claro, como aprendiz. Tempos depois, evoluiu para uma brilhante carreira de professor. Ele celebra, em 2021, exatas cinco décadas fortalecendo o universo das artes marciais em Pelotas e ajudando a manter acesa a chama do interesse das novas gerações pela luta.

Nada mais justo, portanto, do que a prestação de homenagens a uma figura tão importante para o esporte da cidade. Durante a manhã do último sábado (23), Celso recebeu honrarias públicas que evidenciam sua relevância. Primeiro, visitou a Escola Superior de Educação Física (ESEF) da UFPel, onde participou do ato de inauguração da Sala de Artes Marciais Professor Paulo Brod.

A nomenclatura do espaço exige contextualização. Irmão de Celso, Paulo faleceu em 1980, vítima de um choque elétrico em sua academia. Testemunha da tragédia que tirou a vida de sua inspiração no judô, Celso sabia desde o primeiro momento a partir da perda: precisaria tocar a Academia Paulo Brod e dar sequência à história do irmão, uma década mais velho. Ambos, com destaque para Paulo, inclusive ajudaram a fundar a ESEF, em 1971.

Monumento para o decacampeonato

Um dos técnicos mais laureados do Rio Grande do Sul, Celso foi decacampeão estadual. Conquista que rendeu a construção de um monumento, localizado na Praça Coronel Pedro Osório. No segundo evento do sábado, ele esteve na praça participando de ato promovido pela Secretaria Municipal da Cultura (Secult), em que houve confirmação do restauro do monumento, hoje um pouco danificado.

Os seguidos títulos dos Jogos Intermunicipais do RS eram coletivos, ou seja, Pelotas não contava com apenas um ou outro judoca de alto nível, mas vários.

Legado

Em visita ao Diário Popular, Brod relembrou os áureos tempos de sua jornada. “Trouxe karatê, boxe, taekwondo para Pelotas. Eu era especializado no judô, mas como presidente da academia, possibilitei à comunidade pelotense a prática de outras artes marciais. A base toda foi a minha academia”, conta, cheio de orgulho.

Responsável pela evolução de vários nomes fortes da cena das lutas na região, como José Fernando Maduel, Celso hoje se limita a dar aulas quando convidado. Os custos necessários para manter um espaço próprio, explica, dificultaram a continuidade da Academia Paulo Brod com o passar do tempo.

O carinho de muitos ex-alunos é motivo de satisfação. “Quero deixar um legado para futuras gerações. Não quero que isso se perca”, diz. Um trabalho feito recentemente na Esef, denominado “A era de ouro do judô pelotense”, contou com a participação do professor, que afirma: “modéstia à parte, quem poderia contar essa história? Só eu”.

Celso ainda revelou a ideia da criação do Museu do Judô Pelotense, local que poderia ter administração dividida entre ESEF e órgãos públicos do município. Pudera. Tantos anos de brilho merecem a devida recompensa, e disso Celso sabe bem. “Não posso resumir em meia hora toda essa história”.


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