Série B

Jogo é treino

Metodologia de treinamentos da comissão técnica xavante busca elevar a concentração para que as partidas sejam o espelho dos trabalhos diários

11 de Abril de 2019 - 21h30 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Preparador físico do Brasil destaca a importância de estar concentrado durante os treinamentos  (Foto: Carlos Insaurriaga/GEB)

Preparador físico do Brasil destaca a importância de estar concentrado durante os treinamentos (Foto: Carlos Insaurriaga/GEB)

Ao analisar o modelo de jogo do Brasil no Gauchão é possível perceber semelhanças ao modelo do técnico Rogério Zimmermann. Com a bola rolando, o Xavante de Paulo Roberto Santos e, posteriormente, de Gustavo Papa, marcava por encaixe individual. Com a bola parada de maneira individual. Duas situações que também são utilizadas no modelo de Zimmermann. Mas o que faz dar certo com Rogério e o que não deu com os outros dois? Simplificando, apesar de toda a complexibilidade por trás do treinamento, é a concentração atingida através do treinamento.

Você já deve ter lido ou ouvido aqueles jargões: "treino é jogo, jogo é guerra" e "treino é treino, jogo é jogo". As expressões são utilizadas para explicar, ou simplificar, a performance de uma equipe que tem como característica raça e determinação. Agora pense nessa expressão: "jogo é treino". As mais atuais metodologias de treinamentos demonstram que o jogo é exatamente o reflexo de uma equipe no treinamento. Os comportamentos de um time durante os 90 minutos são estimulados durante o dia a dia, para que o desempenho desejado ocorra no jogo.

É assim que Rogério Zimmermann e o preparador físico João Beschorner trabalham. Buscam reproduzir nas atividades durante a semana o que os jogadores terão que fazer diante do adversário. O nível de concentração é chave essencial para alcançar o resultado após o apito final. É assim que o Xavante pretende transformar, por exemplo, uma defesa que sofreu 19 gols - tendo três zagueiros que mostravam segurança na temporada passada sob o comando de RZ - no Gauchão, novamente entre as mais seguras da Série B.

"Dentro do nosso trabalho, ele tem que ter o máximo de concentração possível. Vocês, em suas vidas profissionais, quando forem fazer uma atividade, têm de estarem no máximo de concentração possível para que o trabalho dê mais resultado. Hoje, passamos para o atleta que no treinamento tem de estar o máximo concentrado possível para que ele consiga repassar aquilo ali para o jogo e seja natural. É como nossos treinamentos diários, se desenvolvermos uma atividade por desenvolver, vai chegar no dia do jogo e desenvolveremos ela de uma maneira distraída. A partir do momento em que tu sabes o porquê de tu estar desenvolvendo aquela atividade, vais saber qual é a importância dela e porque no dia do jogo tu tens de fazer aquela atividade, aquela situação de jogo. É simples, se eu trabalhar durante a semana displicentemente, eu vou seguir trabalhando displicentemente. Meu jogo vai ser só mais um jogo", explicou o preparador físico rubro-negro.

Essa exigência nos treinamentos é visto por Leandro Camilo, um dos líderes do grupo e titular do Brasil desde 2015, como um dos fatores principais para que o Brasil alcançasse os bons resultados. "Cobrança. Dentro do futebol, se não haver cobrança, não há resultado. Cobra-se bastante, se pede bastante, se trabalha bastante, treina bastante", afirmou.

Treino
Intensidade de treino é diferente de volume. Durante a temporada de jogos, a comissão técnica rubro-negra costuma trabalhar cerca de 40 minutos. Nessa pré-temporada tem dado mais volume e os treinos duram um pouco mais. Treinar mais tempo não quer dizer treinar melhor. O que importa é conseguir que os atletas assimilem o conteúdo da maneira mais eficiente. "Não adianta dizer que o tempo é bom se tu não aproveitares o tempo que tu tens. Por isso temos um período de treinamento em que tentamos encaixar o máximo possível de atividades, fazendo com que o atleta atinja aquilo que ele vai atingir no jogo. No treinamento, ele vai buscar todas as características para o jogo. Quanto mais atividade que o atleta tiver e que aproximar ele da competição para nós é melhor", afirmou João.

Assim, Zimmermann e Beschorner trabalham de maneira interligada o tempo todo. As partes tática e física caminham juntas, para otimizar e facilitar que o atleta compreenda o que deve ser feito na partida em todas as dimensões que contemplam uma partida de futebol. A comissão utiliza o que é chamado de periodização tática, metodologia difundida principalmente pelo técnico português Mourinho, que visa essa complexibilidade e integração de todos os fatores do jogo. Exemplo: em treinos de aquecimento são trabalhadas situações da partida, como disputas de segunda bola, cobrança de lateral, passes rápidos, entre outros fatores. Para que o método de Rogério e João seja assimilado de maneira rápida para a Série B, o trunfo é ter atletas que já tenham trabalhado com eles.

"Nosso grupo é um grupo que já temos um conhecimento por ter atletas que trabalharam com a gente e eles se tornam multiplicadores. Acabam passando a dinâmica de trabalho para os que ainda não haviam treinado com a gente. Encontramos um grupo com uma determinação muito grande", finalizou o preparador;

 


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