Recuperação

Giovani Peres fala pela primeira vez após sofrer AVC

Em entrevista exclusiva ao DP, diretor de futebol do Brasil agradece por milagre e recuperação: “Graças a Deus não tenho nenhuma sequela”

03 de Maio de 2021 - 10h10 Corrigir A + A -
Giovani comenta sobre estado de saúde e retorno gradual às atividades profissionais e do clube

Giovani comenta sobre estado de saúde e retorno gradual às atividades profissionais e do clube

Um dia após o Brasil vencer o São José por 2 a 1 fora de casa, em jogo válido pela 5ª rodada do Campeonato Gaúcho, o diretor de futebol do Brasil, Giovani Peres, acabou procurando os médicos após um mal-estar. Mais tarde, ele descobriria que se tratava de um Acidente Vascular Cerebral. Os exames apontaram que este seria um segundo AVC, após identificarem também uma lesão antiga e que havia passado despercebida. Apesar do susto e dos riscos, o empresário de 48 anos se recuperou, sem sequelas e com o sentimento de ter recebido uma segunda chance.

“Graças a Deus não tenho nenhuma sequela. Ainda estou recuperando a respiração e a condição física está em monitoramento, com perda de peso orientada. Tenho pra mim que quem faz o bem recebe o bem. Deus me deu forças. Agradeço ao doutor Vinícius, ao doutor Bruno, à minha família. As pessoas às vezes recebem um sinal de Deus. É hora de virar o jogo e ligar a chave. Refletir onde estamos errando”, diz Peres, em entrevista exclusiva ao DP.

Giovani tem mesmo muito a agradecer. Segundo ele, o pior só não aconteceu por um detalhe. Um milagre. “Os médicos me mostraram e explicaram os exames. Por conta de um centímetro pegaria um nervo que me deixaria em coma”, conta.

Para evitar a ansiedade causada pelo futebol e emoções que pudessem ser prejudiciais à sua recuperação, Peres recebeu orientação médica para “dar um tempo”. Torcedor rubro-negro inveterado, ele foi blindado e “policiado” de perto pela família. O dirigente conta ainda que só voltou a observar os jogos do Brasil no empate por 0 a 0 com o Pelotas, no clássico Bra-Pel pela 9ª rodada.

“A família me blindou. O médico alertou para essa ansiedade, que era perigosa. Tinha chance de algo acontecer. Precisei controlar as emoções, sou muito ansioso. Deu tudo certo”, comemora.

Ainda em recuperação e sob monitoramento de saúde rígido até o dia 19 de junho, quando expira o protocolo de 90 dias estipulado pela equipe médica que o acompanha, o diretor de futebol disse que se sente bem e que tem retomado suas atividades profissionais aos poucos, assim como o trabalho nos bastidores do Bento Freitas. Ele admite que chegou a colocar o cargo à disposição para não atrapalhar o departamento, mas recebeu um carinhoso “não” como resposta.

“Coloquei meu cargo à disposição para não atrapalhar, já que não posso estar tão presente. Mas o presidente Nilton e o vice Montanelli não aceitaram. Me deram todo o apoio. Eu tenho colocado a minha saúde na frente. Mas me sinto bem, pronto para ajudar o clube. Venho tendo contatos, ajudando nos bastidores da minha casa. Tenho conversado com alguns jogadores, com o nosso técnico Cláudio Tencati”, comenta.

Avaliações importantes

Giovani Peres não escondeu que um dos motivos de sua preocupação foi a dificuldade no processo de formação do elenco rubro-negro para o Gauchão. Segundo ele, o sentimento sobre a participação do Brasil no estadual é de alívio, mas também de uma expectativa frustrada.

“Queríamos um algo mais, chegar entre os quatro. Mas a parte física nos prejudicou. Como torcedor acima de tudo queria que o Brasil permanecesse na primeira divisão. A gente sabe os erros que aconteceram, mas se tivesse que deixar uma mensagem para a torcida xavante, é que confiem nessa nova diretoria”, avalia.

Peres agradece ainda todo o apoio recebido durante o período em que esteve afastado do futebol e diz que sua permanência no cargo será avaliada no final de junho, quando passará por uma reavaliação médica.

“Até 19 de junho quero me recuperar bem. Eu vou voltar pro clube, conversar com minha família. Eu não quero prejudicar. Eu entrei no Brasil pela porta da frente e quero, se tiver que sair, sair pela porta da frente também. Até lá, sigo no cargo ajudando à distância e como posso”, finaliza.


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