Reverência

Eterno capitão

Leandro Leite encerrou vínculo com o Brasil após oito anos, mas estará para sempre marcado no hall dos maiores jogadores da história do clube

02 de Dezembro de 2020 - 11h27 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Foram 389 jogos e quatro gols com a camisa rubro-negra (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Foram 389 jogos e quatro gols com a camisa rubro-negra (Foto: Carlos Queiroz - DP)

São três acessos, dois títulos do interior e um vice campeonato gaúcho (Foto: Carlos Queiroz - DP)

São três acessos, dois títulos do interior e um vice campeonato gaúcho (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Leite liderou o Brasil na maior glória do clube nas últimas décadas; o acesso para a Série B do Brasileiro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Leite liderou o Brasil na maior glória do clube nas últimas décadas; o acesso para a Série B do Brasileiro (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Respeitado pelos adversários, Leandro simboliza a nova Era no Bento Freitas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Respeitado pelos adversários, Leandro simboliza a nova Era no Bento Freitas (Foto: Carlos Queiroz - DP)

Falar de Grêmio Esportivo Brasil sem falar de Leandro Leite na última década é impensável. Assim como falar do volante e não falar da torcida xavante. A história recente do Rubro-negro e a carreira do capitão se entrelaçam e se confundem. Na terça-feira (1º), dentro de campo, ela chegou ao fim já que o clube decidiu não renovar o vínculo até o final da Série B. Porém, na memória e na história Leandro Leite será sempre a idealização do clube dentro das quatro linhas.

“Ele era sempre o cara que liderava o time. A regularidade técnica na função defensiva dele e em momentos emocionais ele crescia. Os colegas, os adversários, a arbitragem o respeitavam. Criou-se uma identidade e hoje, após cinco anos de Série B, o Brasil é muito exposto nacionalmente e tem uma identidade de time que não desiste, vencedor, e o Leite é quem simboliza essa identidade”, afirmou o técnico Rogério Zimmermann.
Não foi Rogério quem contratou Leandro Leite para o Brasil em 2012. Quando o treinador chegou para a segunda passagem pelo Bento Freitas, o volante já estava no grupo. Foi Zimmermann, no entanto, que identificou em Leite o perfil de liderança que o tornou o eterno capitão rubro-negro.

“Quando tu chegas ao clube, tu precisas identificar os jogadores, quem tem perfil para montar e liderar uma equipe. Nitidamente tu percebes que o Leandro é esse cara da liderança no vestiário e no campo. O tempo passou e mais ele se fortaleceu, passou a ser respeitado por todos. A própria imagem do sucesso recente do clube, ele começou a representar”, destacou Zimmermann.

O antigo treinador do Xavante apontou uma tarefa fundamental do capitão longe das quatro linhas: ser o jogador, ao longo desses oito anos, que facilitava a adaptação dos recém-chegados ao clube. Leite buscava auxiliar os novatos a entenderem a cultura do Brasil e a se sentirem à vontade na cidade.

Um desses novatos é muito grato ao capitão. O goleiro Carlos Eduardo passou por todos os processos de identidade do Brasil até assumir a posição de titular, em 2019, e brilhar com a camisa 1 do Xavante.
“Falar do Leandro é muito tranquilo. Leandro foi um dos atletas que quando eu cheguei foi um dos primeiros a me dar o braço, a mão e me ajudar na trajetória no clube. Diversas vezes ele me ajudou a me adaptar da melhor forma possível, me ajudou a ter o contato com o grupo, ter aquela liberdade e perder a timidez. Diversas vezes me levou para jantar e almoçar, é um cara que eu carrego junto comigo. Foi um cara que me mostrou a realidade do clube, onde eu poderia e como eu poderia chegar”, afirmou o goleiro, que hoje defende o Sport.

Suporte

Não é segredo para ninguém que Leandro Leite ajudou a controlar um vestiário em muitas crises financeiras durante as últimas temporadas. Foi assim no ano passado quando o Brasil passou por um grave atraso salarial. Carlos Eduardo afirma: “é o cara que geriu o vestiário da melhor forma possível”, e ainda faz uma reverência. “O ciclo dele termina em questão de contrato, mas não como ídolo. É difícil você falar do Brasil sem falar o nome dele. Adversários falam como ele era chato jogando. Ele sempre quis conquistar e ganhar, quis o melhor do clube e do grupo. Quando as coisas não estavam bem administrativamente ele estava lá e não deixava o grupo cair. Hoje falar do Brasil sem Leandro Leite é meio esquisito e falar de Leandro Leite sem Brasil é ainda mais complicado. É uma relação de amor”, define.

Quem também teve uma relação muito próxima com o capitão ao longo dos oito anos no Bento Freitas foi o ex, e atualmente eleito, vice-presidente do Brasil, Cláudio Fabrício Montanelli. O dirigente faz questão de exaltar a gratidão ao volante e ao restante dos atletas que levaram o Brasil da segunda divisão estadual até a Série B nacional.

“Nós começamos juntos em junho de 2012 e fizemos a trajetória que é de conhecimento público. O Leandro foi um dos protagonistas, até pela condição de capitão. É impossível nós não reconhecermos e eu sou muito grato por tudo que ele fez pelo Brasil, inclusive em momentos financeiros muito difíceis. Os salários atrasados não foram razões para deixar de alcançar o objetivo de jogar a Série B”.

Montanelli é um dirigente histórico do clube e conseguiu acompanhar grandes gerações do Brasil, como a de 1985, e depois durante os 25 anos de serviço prestado ao clube. Para Monta, não há dúvida: Leandro Leite é um dos maiores jogadores da história rubro-negra.

“Daqueles jogadores da minha geração, não tenho dúvida, pois na maioria das vezes não se trata só de jogar. A participação dele é de um dos grandes jogadores ao longo da história do Brasil. Ao sair de um momento terrível de segunda divisão para uma Serie B. Um dos grandes volantes da história do clube”.

Números

“Com 389 jogos e 4 gols, Leandro Leite encerra sua história como jogador xavante, mas não como ídolo. Isso está eternizado. Para sempre, quando alguém perguntar o que é a garra e a raça rubro-negra, certamente será ele quem virá à memória. Sempre que alguém quiser traduzir o efeito que a “Maior e Mais Fiel” faz com os jogadores em campo, os transformando em verdadeiros guerreiros, será ele que virá à memória”, trecho do texto do jornalista Jonathan Silva, publicado no site do Brasil na manhã de terça.

O clube fará uma coletiva às 14h desta quarta no Salão de Honra do Bento Freitas, onde irão falar o presidente Ricardo Fonseca e Leandro Leite. É provável que o Brasil lance uma camisa 5 em homenagem ao capitão.

Reforço

O atacante de 26 anos, Matheuzinho, que estava no Manaus, pode reforçar o Brasil. Ex-Londrina, onde inclusive jogou com o técnico Cláudio Tencati, e São José, Matheuzinho é um ponta de velocidade e que atua pelos dois lados do campo.


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