Pan de Lima

Emoção dourada

Médico pelotense relata o drama vivido por Darlan Romani antes de conquistar o ouro no arremesso de peso

09 de Agosto de 2019 - 09h30 Corrigir A + A -
Apoio. Darlan agradeceu ao médico pelotense após levar o ouro em Lima. (Foto: Wagner Carmo)

Apoio. Darlan agradeceu ao médico pelotense após levar o ouro em Lima. (Foto: Wagner Carmo)

Quem ligou a televisão e assistiu aos arremessos de Darlan Romani no Estádio Atlético, nos jogos Pan-Americanos de Lima no Peru, e viu ele quebrar o recorde da competição e conquistar o ouro de forma inédita, não imagina o drama que viveu até aquele momento. O atleta quase desistiu de competir às vésperas da prova. Uma das pessoas que o fez seguir foi o médico pelotense André Guerreiro, coordenador médico da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

Darlan teve uma grave infecção nas amígdalas que o colocou de cama. O brasileiro precisou de atenção total de Guerreiro. A febre do atleta superou os 40°C. “Foi um fato inusitado o que aconteceu. Tivemos que tratar intensivamente, com antibiótico. Foi um desafio muito grande. Chegou a ter 40,2°C de febre. Um atleta que passa com febre praticamente 24 horas acaba ficando debilitado, se alimenta mal. Conseguimos controlar com medicamento. Demos a confiança para competir que é importante para o atleta” contou o pelotense.

O brasileiro fez uma prova excepcional, confirmando o seu favoritismo. Ele conseguiu nada menos do que os seis melhores resultados da confirmação. Ele venceu com 22,07 metros, novo recorde do Pan-Americano. O anterior era do jamaicano Richards ODayne, com 21,69 metros, estabelecido em Toronto, Canadá, em 2015. Darlan fez uma série fantástica com a sequência de marcas de 20,81 metros, 20,92 metros, 21,19 metros, 21,16 metros, 21,54 metros e 22,07 metros. O norte-americano Jordan Geist conquistou a medalha de prata, com 20,67 metros, seguido do mexicano Uziel Muñoz, com 20,56 metros. O brasileiro Welington Morais ficou em sétimo, com 19,22 metros.

“Só eu sei o que tive de superar nesta semana. Tive uma infecção de garganta na viagem de Madri, onde estava treinando para Lima. Tive febre alta. Pensei em pedir baixa e deixar a competição. Minha mulher, Sara, veio de emergência do Brasil para ficar comigo num hotel, porque tive de sair da Vila. Passei uma noite muito ruim na segunda-feira. Tive de trocar oito camisetas. Acordei desidratado”, lembrou. “De qualquer forma me senti bem no aquecimento, superei de novo os 22 metros. Poderia ser melhor? Poderia, mas estou feliz com o ouro, graças às medicações e ao apoio da torcida”, afirmou.

A emoção também atingiu o médico pelotense. Guerreiro foi procurado por Darlan na arquibancada assim que acabou a prova. “Ele apontou para mim na arquibancada e me chamou para agradecer por tudo que foi feito por ele. Foi um dos maiores desafios da minha vida. De colocar um atleta olímpico, com chance de medalha de ouro, que estaria fora, que chegou a pedir dispensa, e eu acabei comprando a briga, dizendo que faria de tudo, e pedi para ele ficar. Ele acreditou no que eu falei e acabou conseguindo esse grande resultado”, disse Guerreiro.


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