#BlackLivesMatter

Dupla Bra-Pel participa de mobilização antirracista

Atletas de todo o mundo dão apoio à campanha #VidasNegrasImportam pelas redes sociais

01 de Junho de 2020 - 20h20 Corrigir A + A -

Por: Vinícius Guerreiro
vinicius.guerreiro@diariopopular.com.br

Dupla Bra-Pel se posicionou nas redes sociais  (Foto: Reprodução)

Dupla Bra-Pel se posicionou nas redes sociais (Foto: Reprodução)

Técnico rubro-negro publicou uma frase do arcebispo da Cidade do Cabo, Desmond Tutu (Foto: Reprodução)

Técnico rubro-negro publicou uma frase do arcebispo da Cidade do Cabo, Desmond Tutu (Foto: Reprodução)

A morte do norte-americano George Floyd, no dia 25 de maio, e a manifestação contra o racismo nos Estados Unidos repercute em todo o mundo. Não seria diferente no esporte - e não foi também em Pelotas. A dupla Bra-Pel se posicionou nesta segunda-feira (1º) através das redes sociais com mensagens de apoio à campanha #VidasNegrasImportam.

O primeiro a se pronunciar através do Twitter foi o técnico Hemerson Maria. O treinador, que é negro, postou a seguinte mensagem: “chega de preconceito...Todos contra o racismo”. A frase estava acompanhada da imagem de Desmond Tutu, arcebispo da Cidade do Cabo que recebeu o Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o Apartheid no país, com os dizeres “Se você fica neutro em situações de injustiça, você escolhe o lado do opressor”.

Pouco depois, o Brasil publicou uma imagem com punhos levantado e cerrados - símbolo da luta afro-americana contra o racismo desde o movimento Panteras Negras - com a mensagem “Vidas Negras Importam”. O Pelotas utilizou a mesma hashtag e alterou a imagem do avatar no Twitter para o logo do clube em preto e branco.

No futebol

A luta contra a discriminação racial começou a semana repercutindo com força no mundo do futebol. A revelação do Vasco, Talles Magno, publicou no Twitter: “Não adianta não ser racista, temos que ser antirracistas”. A frase é da ativista política norte-americana Angela Davis. O lateral do Fluminense, Igor Julião, também tratou do tema nas redes sociais e indagou: “Já parou de tratar as religiões de matrizes africanas de forma pejorativa, tem consumido música, filmes, livros e etc de artistas negros? Já separou um tempo para estudar e entender a influência africana em nosso país?”.

Para Marcelo Carvalho, fundador do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, há uma nova geração que se posiciona e dialoga com a sociedade e com as comunidades de onde muitos vieram. “Eles percebem que não adianta ser rico e famoso, porque o racismo vai continuar a persegui-los, seja nos campos brasileiros ou europeus”, afirma, lembrando que as redes sociais, além de trazerem informações com maior velocidade, formam um coro de protesto que pensa fora das quatro linhas: “Uma voz puxa a outra. Eles vão se encorajando e passam a não ter mais medo de uma possível represália do sistema. É um movimento que, caso não seja silenciado, pode crescer e se aprofundar para falar de outras lutas políticas e sociais do país”.

Os clubes de futebol também se manifestaram contra o racismo. Houve, inclusive, uma corrente virtual na qual cada um citava o nome de três jogadores históricos negros. O Grêmio, por exemplo, afirmou: “Racismo não é opinião ou preferência política, racismo é crime! Bruno Cortez, Airton Pavilhão e Roger Machado”.

Já o Corinthians, fez um vídeo e colocou na internet: “O racismo mata e destrói famílias no Brasil e no mundo. Não se cale. Nós nos importamos com essas vidas”.

Pelo mundo

O maior jogador de basquete da história e hexacampeão da NBA pelo Chicago Bulls, Michael Jordan, emitiu um comunicado em seu perfil oficial do Twitter.

“Estou profundamente triste, machucado e nervoso. Eu vejo e sinto a frustração e ira de todos. Eu fico do lado daqueles que se opõem ao racismo e violência contra pessoas de cor no nosso país. Basta!”.

No futebol, o atacante Marcus Thuram fez dois gols na vitória por 4 a 1 do Borussia Mönchengladbach sobre o Union Berlin, no domingo, pelo Campeonato Alemão. O francês não comemorou o primeiro gol. Ele se ajoelhou e baixou a cabeça, em homenagem a George Floyd. Marcus Thuram é filho de Lilian Thuram, campeão mundial em 1998 com a França. O ex-zagueiro é ativista contra a discriminação racial.

Nesta segunda-feira, o Liverpool também protestou em seu Instagram. O clube republicou uma foto do perfil do meio-campista Jordan Henderson com todos os jogadores dos Reds ajoelhados ao redor do círculo central do gramado do estádio de Anfield Road com a legenda: “a união faz a força”. O goleiro brasileiro Alisson Becker utilizou a mesma foto em seu perfil oficial na rede social.

Na Fórmula 1, o britânico Lewis Hamilton questionou seu próprio esporte. Nos stories de seu Instagram, o hexacampeão criticou a falta de posicionamento de colegas de profissão.

“Eu vejo aqueles de vocês que estão calados, algumas das maiores estrelas [do esporte], ainda assim ficam calados em meio à injustiça. Nenhum sinal de ninguém da minha indústria que, claro, é um esporte dominado por brancos. Eu sou uma das únicas pessoas de cor lá e estou sozinho. Eu imaginei que, chegado este momento, vocês veriam porque isso acontece e falariam algo sobre isso, mas vocês não podem ficar ao nosso lado. Apenas saibam que eu sei quem vocês são e eu vejo vocês.”


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